A roda da fortuna
A força de uma marca
Um mergulho na nova Daslu
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luxo de São Paulo
  
 
 

Meu estilo
Carlos Ferreirinha

O administrador de empresas Carlos Ferreirinha é uma das pessoas que melhor conhecem o setor de luxo no país. Apesar de se dizer imune ao poder das marcas, ele é um profissional bem-sucedido da área. Ex-presidente da Louis Vuitton no Brasil, presta hoje consultoria a empresas como Burberry, Gucci e Baccarat. Em conjunto com a Faap, criou o primeiro MBA de gestão de luxo em São Paulo.

Qual é a grife mais poderosa do segmento de luxo?
O grupo LVMH, que reúne cinqüenta marcas de alto luxo, do champanhe Veuve Clicquot às grifes de roupas e acessórios Kenzo, Givenchy, Dior, Marc Jacobs, Donna Karan e Fendi. Esse conglomerado fatura 12,5 bilhões de dólares por ano. O carro-chefe é a Louis Vuitton, responsável por 65% desse bolo – o que a transforma na marca mais bem-sucedida da história. A mais desejada e importante, no entanto, é a Chanel.

Quanto esse mercado fatura?
São 220 bilhões de dólares por ano no mundo. No Brasil, 2,3 bilhões de dólares, sendo que São Paulo abocanha 72% dessa fatia. O crescimento anual do mercado de luxo no país tem sido de 35% nos últimos seis anos.

O que justifica esse crescimento?
O luxo é uma atividade de negócios paralela, emocional, que não segue os caminhos da racionalidade. A tomada de decisão de consumo é movida pelo desejo, pelo sonho de posicionamento social.

Dá para dizer que quem consome luxo é quem tem dinheiro e quem quer ter dinheiro?
Com toda a certeza. Quem consome luxo é quem aspira. E essa aspiração está em qualquer classe social.

Quem movimenta mais o mercado de luxo, os homens ou as mulheres?
As mulheres. No mundo inteiro elas são reponsáveis por quase 80% das compras.

O que o mercado paulistano tem de peculiar?
Primeiro, ele tem a força do consumo atrelado ao dinheiro. Além disso, a cidade é regida por acontecimentos sociais. Tem teatros, shows, festas, muito local para ver e ser visto. Um atributo que o luxo ama. Para freqüentar esses lugares, você tem de estar renovado, mostrar que pode sempre mais.

Culpa combina com luxo?
Muito pelo contrário. Num curso de capacitação que dou, até criei a palavra "desculpabilização", que é o primeiro desafio dos meus alunos. Eu sempre falo que as marcas têm de ser desprovidas de culpa. Elas têm de incentivar o cliente a consumir com excitação, com compulsão.

Alguma extravagância nesse mercado que tenha lhe chamado a atenção...
Tem uma que eu vi nos meus tempos de Louis Vuitton. O cliente fez dez anos de casamento e foi comprar uma bolsa de couro de crocodilo na loja do Iguatemi, que na época custava perto de 50 000 reais. Ele pediu ao vendedor que não a embrulhasse. Saiu de lá, entrou na Cartier, comprou um brilhante maravilhoso e colocou-o na bolsa. Aí, voltou à loja e pediu que ela fosse colocada em uma caixa. Ou seja, o presente era o brilhante. A bolsa LV de 50.000 reais era apenas o pacote. Esse segmento é cheio de nuances.