| A força de uma marca Raul
Junior
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Bia
Parreiras
 | Raul
Junior
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O que leva alguém a desembolsar 2 350 reais por uma calça Diesel
quando poderia pagar vinte vezes menos por um jeans semelhante? Ou 390 reais por
um guarda-chuva da inglesa Burberry que lembra aqueles que vemos aos montes nas
prateleiras das lojas coreanas? Ou 1 800 reais por uma camiseta de malha (sem
mangas) da Christian Dior? Isso mesmo, 1 800 reais. A explicação
está nas etiquetinhas ou nas etiquetonas que esses produtos carregam. Elas
são capazes de hipnotizar uma legião de consumidores. Gente que
não está necessariamente atrás de uma bolsa, de um relógio
ou de uma gravata de qualidade, e sim de uma idéia, de um comportamento,
de um estilo de vida, de um símbolo de sucesso e poder. Mas como algumas
marcas conseguem se impor como imprescindíveis, transpor a lógica
econômica e fazer com que homens e principalmente mulheres saquem sem dó
seus cartões de crédito? Nenhuma
delas, é óbvio, nasce poderosa. Empresas gastam milhões e
milhões para que você adquira aquele tênis com o logotipo de
bumerangue de 500 reais, aquela bolsa com o monograma LV de 15 000 reais ou aquele
carro com o cavalinho no capô de 1,5 milhão de reais. Tudo isso com
prazer e emoção. Sem muito ou nenhum drama de consciência.
"As pessoas não consomem grifes só por uma questão de projeção
social, por causa da mensagem que elas transmitem aos outros", afirma José
Roberto Martins, consultor da GlobalBrands e autor do livro O Império
das Marcas. "Trata-se também de auto-satisfação, de recompensa
pessoal."
| 6 garrafas
por dia de Coca-Cola eram vendidas em 1886, ano em que a bebida foi criada. Hoje,
mais de 900 milhões de Coca-Cola são comercializadas diariamente. Trata-se da
marca mais poderosa do mundo | "Só
atributos emocionais explicam um indivíduo entrar numa fila para pagar 5 500 reais
por uma bolsa. As pessoas não estão comprando um produto, mas um comportamento." Carlos
Ferreirinha Consultor do mercado de luxo |
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A
marca é o principal ativo de uma empresa que vende luxo. Ativo, diga-se,
na maioria das vezes intangível. Especialistas afirmam que o nome do fabricante
aumenta em no mínimo 40% o valor de um produto. Mas esse porcentual pode
atingir 60%, caso da Nike, da Louis Vuitton e de outras tantas. A cada ano a Nike
desembolsa 1,3 bilhão de dólares em publicidade e contratação
de atletas renomados como garotos-propaganda isso corresponde a 11% de
seu faturamento anual, que é de 12,2 bilhões de dólares.
O golfista Tiger Woods, por exemplo, ganha 80,3 milhões de dólares
por ano, e o piloto de Fórmula 1 Michael Schumacher fatura quase 60 milhões.
Ao associar sua imagem à de estrelas de diferentes esportes, a empresa
quer dizer que todos nós podemos ser atletas, desenvolver aquele espírito
competitivo retratado em suas campanhas publicitárias e, quem sabe, chegar
lá um dia. E sem graaaandes esforços. Lembra-se? "Just do it."
As melhores marcas, pregam os entendidos no assunto, são aquelas que compreendem
as motivações humanas. "Elas fazem o consumidor sentir-se melhor,
diferente, maior, mais contente, mais confortável, mais confiante", escreveram
os ingleses Des Dearlove e Stuart Crainer em O Livro Definitivo das Marcas.
"Só atributos emocionais explicam um indivíduo entrar numa fila
para pagar 5 500 reais por uma bolsa", diz o consultor Carlos Ferreirinha, que
coordena em São Paulo um MBA especializado no mercado do luxo. "As pessoas
não estão comprando um produto, mas um comportamento." Antonio
Scorza/AFP
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| 22% da
população francesa experimentará um produto se for endossado por uma celebridade,
de acordo com estudo da consultoria americana Mintel | "A
fidelidade à marca é parecida com uma cebola. Tem camadas e miolo. O miolo é o
usuário que ficará com você até o final." Edwin
Artzt Presidente da Procter & Gamble |
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A Coca-Cola ("Sempre Coca-Cola!") é hoje a marca mais valiosa do planeta
67,3 bilhões de dólares, de acordo com a mais recente lista
da consultoria inglesa Interbrand. Não por acaso. Em 1886, na cidade americana
de Atlanta, o farmacêutico John Styth Pemberton desenvolveu o que chamou
de "tônico para o cérebro", que incluía extrato de noz-de-cola,
um estimulante com alto teor de cafeína, e também extrato de folhas
de coca. Naquele ano, seis garrafas do produto eram vendidas por dia, a 5 centavos
de dólar cada uma. Desde sempre Pemberton investiu na marca. A primeira
propaganda veiculada no The Atlanta Journal, três semanas após
o produto ser inventado, anunciava: "Coca-Cola. Deliciosa! Refrescante! Fantástica!
Revigorante! O Novo Refrigerante Gaseificado contendo as propriedades da maravilhosa
planta, a Coca, e a famosa noz, a Cola". A empresa foi vendida diversas vezes,
porém nunca abandonou as iniciativas para estender a marca. Foram 33 slogans,
alguns inesquecíveis como "Coca-Cola é isso aí!", criado
em 1982. Hoje, mais de 900 milhões de garrafas do refrigerante são
vendidas diariamente em quase todos os países.
Esse
mesmo ranking da Interbrand apontou a Apple como a marca que mais se valorizou
no ano passado (veja quadro). Com o sucesso do iPod, o tocador digital
de música que virou uma febre mundial, a fabricante de computadores americana
cresceu 24% e atingiu 6,8 bilhões de dólares. Margaret Mark e Carol
Pearson, autoras de O Herói e o Fora-da-Lei, que investiga o mito
por trás das grifes, vão além. "Com o logotipo da maçã
com uma dentada, que sugere a desobediência de Adão e Eva ao comerem
o fruto da Árvore do Conhecimento, a Apple reforça sua reputação
de empresa inovadora." Ou seja, atrai uma multidão que se move inspirada
pela "rebeldia". O período pós-guerra
consolidou a importância da propaganda, e a aquisição de marcas
passou a significar sucesso e desenvolvimento. "Os consumidores queriam Ford,
e não carros a motor; eles compravam na Sears, e não em outras lojas",
diz Des Dearlove. Em 1931, a Procter & Gamble foi a primeira empresa a criar
o cargo de gerente de marca. Trinta anos depois, 84% dos grandes fabricantes de
bens manufaturados nos Estados Unidos tinham pessoas atuando nessa função.
Hoje, com o avanço da globalização e da tecnologia, os profissionais
dessa área precisam rebolar para fisgar um consumidor e conquistar sua
lealdade. Os gramados têm sido um campo promissor
nesse sentido, já que a marca se transformou no principal ativo dos times
de futebol. O Real Madrid é um exemplo. O clube ganha mais com o comércio
do uso de sua marca do que com os resultados do futebol em si. No ano passado,
o Real faturou, com a venda de mais de 700 produtos licenciados (de jóias
a chupetas), 76 milhões de dólares, 12,5 milhões mais que
no ano anterior. Num ramo de negócios em que imagem é tudo, quanto
mais perto do céu estiver a estrela, melhor. David Beckham e Ronaldo, por
exemplo, são marcas dentro da marca Real Madrid. Eles exercem fascínio
nas pessoas e vendem muito. São os jogadores de futebol mais bem pagos
do mundo. Beckham recebe 39 milhões de dólares por ano do Real Madrid
(o valor inclui salário e ganhos com publicidade). Ronaldo, 38 milhões.
Embalado por essas marcas, ops, esses jogadores, o clube conseguiu mais que dobrar
o faturamento e se transformar no time de futebol mais rentável do mundo,
ultrapassando o inglês Manchester United. Um golaço! |