| A roda da fortuna 1
milionária = 66 empregos Quase
setenta pessoas orbitam no reluzente universo da socialite
Fotos Renata Ursaia
 | saia
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| Ao menos duas vezes por semana, Kátia
janta no La Tambouille e no Antiquarius. Aos domingos, freqüenta a churrascaria
Rodeio. Nos três restaurantes trabalham 289 profissionais | Em abril,
Kátia inaugurou um ateliê com o estilista Rogério Figueiredo,
num investimento de 3 milhões de reais. A loja e a fábrica, no Jardim
Paulista, têm quarenta funcionários contratados e doze terceirizados
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Fabio Mangabeira
 | beira
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| Dior, Prada, Gucci e Manolo Blahnik são
as marcas preferidas de bolsas e sapatos. Só de calçados Dior, Kátia
tem 42 pares. A maior parte dos acessórios ela traz de suas três
viagens anuais a Paris | Toda quinta-feira, o florista Ademir José
Maria enfeita a casa com maços de folhagens, lírios e espécies
tropicais. Ele leva três assistentes para adiantar o serviço |
Heudes Regis  | gis
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| Kátia cuida dos fios três vezes
por semana com dois cabeleireiros. Um deles é Wilson Matos, do Studio W.
Unha, massagem e depilação ela faz em casa. À dermatologista
vai uma vez por mês | Catorze empregados cuidam das casas da família
Grubisich. São cinco no apartamento do Jardim Paulista (três na
foto), três na casa de praia, em Ilhéus, e seis na sede na fazenda,
no interior do estado |
Renata Ursaia  |
Vamos imaginar um dia na vida
da socialite e agora empresária Kátia Grubisich. Mas poderia ser
na de Lucilia Diniz, Olavo Setubal, Ana Maria Velloso, Otávio Piva de Albuquerque,
Tania Bulhões ou na de qualquer um dos 24 700 milionários que, segundo
a consultoria Escopo Geomarketing, vivem em São Paulo, a cidade mais rica
do Brasil. Kátia acorda cedo, antes das 7. Exercita os músculos
por duas horas com um personal trainer e em seguida saboreia o café-da-manhã
preparado pela cozinheira Célia José das Neves, uma das cinco pessoas
que cuidam de seu apartamento de 750 metros quadrados no Jardim Paulista. Duas
vezes por semana, Kátia recebe em casa uma massagista, que lhe aplica shiatsu
e drenagem linfática. Dia sim, dia não, hidrata e escova as madeixas
no cabeleireiro. Há um mês, conta com mais uma atividade: administrar
o ateliê que abriu em sociedade com o estilista Rogério Figueiredo,
no Jardim Paulista, com um investimento de 3 milhões de reais. Nada, é
claro, que prejudique sua agenda de jantares e eventos sociais com o marido, o
empresário José Carlos Grubisich, presidente da petroquímica
Braskem.
Kátia emprega diretamente
66 pessoas: catorze para cuidar das três casas da família (no Jardim
Paulista, na cidade baiana de Ilhéus e na fazenda no interior do estado)
e outras 52 que trabalham na butique. Se forem contabilizadas também as
que atuam nos salões de beleza e nos restaurantes que Kátia freqüenta
semanalmente, a conta ultrapassa fácil, fácil 500 pessoas. No mundo
dos milionários, ela não é exceção. Um casal
típico com dois filhos tem, em média, dezesseis empregados, entre
seguranças, caseiros, cozinheiros, jardineiros, governantas, motoristas
e babás. A empresária Lucilia Diniz, por exemplo, conta com onze
funcionários para manter em ordem sua mansão no Jardim Europa. A
administração cabe à governanta, graduada em hotelaria.
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| Duzentos operários de 46 empreiteiras trabalharam durante
dois anos na construção do edifício L'Essence, na Vila Nova
Conceição. Ali, um apartamento de 750 metros quadrados vale 11,5
milhões de reais | Ao
criarem seu próprio ecossistema, os milionários geram uma gama de
funções e serviços que não existiria sem seus dispendiosos
hábitos. Em alguns dos restaurantes mais caros da cidade, o número
de funcionários é quase equivalente à capacidade do salão.
No Antiquarius, há 78 pessoas para atender o máximo de 110 clientes.
Desse total, trinta estão na linha de frente. Integram a brigada de serviço
capitaneada por seis maîtres e dois sommeliers. Os cuidados nesses estabelecimentos
revelam-se nos mais discretos detalhes. A cada quinze dias, no Fasano, são
polidos todos os talheres de prata para que fiquem brilhando. Duas vezes por mês,
a casa recebe a visita de um afinador para que o piano conduzido por Mario Edson
tenha sempre som cristalino. Os números impressionam. No La Tambouille,
são consumidos 300 quilos de pescados frescos, além de partidas
especiais de peixes congelados importados de países europeus. Para executar
as sugestões do menu concebido originalmente pelo baladado chef argentino
Francis Mallmann, o Figueira Rubaiyat usa por mês 200 quilos de foie gras,
1 500 quilos de camarão e 1 800 litros de azeite extravirgem. Tantos refinamentos
e exigências alimentam uma cadeia de postos de trabalho em importadoras,
portos e produtores agrícolas.
Endereço certo de gourmets, a Casa Santa Luzia, no Jardim Paulista, é
uma ilha de excelência em serviços. Entre seus 460 funcionários
(sessenta terceirizados), há um responsável só pelo corte
de frios, que tira uma fatia de presunto cru com a espessura de uma folha de papel.
Para atender os vips dos vips, a equipe da nova Daslu ganhou o reforço
de 300 integrantes agora são 900. Só de arrumadeiras, as
conhecidas aventaizinhas, são 220. No Shopping Iguatemi, outro templo do
superluxo, trabalham 4 500 pessoas. Na Tania Bulhões Home, no Jardim Europa,
que tem 18 000 itens de decoração à venda, há noventa
profissionais registrados, dezoito terceirizados e centenas de colaboradores.
Tuka Reinés  |
| A Tania Bulhões Home, no Jardim Europa, tem 108
funcionários e centenas de colaboradores fixos | Estima-se
que os paulistanos gastem 4 bilhões de reais por ano em produtos de alto
luxo incluindo nessa categoria carros, cosméticos, bebidas, vestuário,
acessórios e imóveis. Roupas respondem por um terço do total.
Os que sustentam o grosso desse consumo são uma minoria que está
no topo da pirâmide. Ao cruzar dados do Instituto Brasileiro de Geografia
e Estatística (IBGE), a consultoria Escopo Geomarketing constatou que 24
700 paulistanos moram em domicílios com rendimento mensal acima de 50 000
reais, o que representa 0,24% da população da cidade. Entre esses,
7 880 vivem com 1 milhão de reais por ano e, lá no cume do triângulo,
noventa fazem essa fortuna por mês. O consumo de luxo gira em torno desses
24 700 habitantes, sem somar dois grupos importantes: os milionários que
vêm de outras cidades para torrar os cartões de crédito por
aqui e os paulistanos que não têm tanto poder aquisitivo mas se esforçam
para concretizar o sonho de ostentar uma pecinha de grife.
É fácil entender por que esse fenômeno
ocorre em São Paulo. A cidade respira acontecimentos sociais. Há
cinqüenta shows, quinze concertos e 100 apresentações de teatro
por semana. Sem contar as centenas de festas que pipocam aqui e ali. Ou seja,
são muitos locais para ver e ser visto, uma característica que o
luxo ama. Para circular nos lugares badalados, é preciso estar renovado,
e a capital vive dessa demonstração de poder. Não é
à toa que São Paulo (ao lado de Paris e Hong Kong) está entre
as três cidades do mundo com quatro endereços da marca alemã
Montblanc. Em toda a América do Sul, só aqui existem duas filiais
da joalheria italiana Bulgari. No mês em que abriu suas portas no Shopping
Iguatemi, no ano passado, a D&G, marca jovem dos estilistas da Dolce &
Gabbana, vendeu a coleção inteira de inverno. Para não deixar
as prateleiras vazias, antecipou em nove meses a chegada dos looks de verão.
Esses compulsivos consumidores fazem
a roda da fortuna girar e girar. Sem eles, o que seria dos sommeliers, dos prédios
de luxo da Vila Nova Conceição ou dos caddies, aqueles rapazes
que carregam os tacos numa partida de golfe? Um estudo da Sociedade Brasileira
de Economia e Sociologia Rural aponta que cada 41 alqueires de cultivo de soja
geram um único posto de trabalho. Com um pouco mais da metade dessa medida,
o Terras de São José, um campo de golfe em Itu, tem quarenta empregados
e 150 caddies para atender seus 250 sócios.
| 4
bilhões de reais é quanto os paulistanos gastam por ano com
produtos de alto luxo incluindo nessa categoria carros, cosméticos,
bebidas, vestuário, acessórios e imóveis. Roupas respondem
por um terço desse total 24
700 paulistanos moram em domicílios com rendimento mensal acima
de 50 000 reais, o que representa 0,24% da população da cidade.
Entre esses, 7 880 vivem com 1 milhão de reais por ano
190 pessoas tiram seu sustento do Terras de São
José Golfe Clube, que tem 250 sócios e um campo de 25 alqueires.
Para comparar, cada 41 alqueires de plantação de soja empregam apenas
um trabalhador 4
500 pessoas trabalham no Shopping Iguatemi. Das 46 000 pessoas que passam
por dia por ali, 67% têm renda mensal superior a 13 000 reais. Juntas, as
330 lojas do shopping faturam 1,1 bilhão de reais | |
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