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PONTO
DE VISTA Viver em São Paulo: nem CRIME, nem CASTIGO
Por Romeu Chap Chap* Trânsito
insuportável, violência, poluição de toda ordem, vilas
pacatas, avenidas infernais, barracos, favelas, mansões, sobradinhos, arranha-céus,
uma arquitetura "desarquitetada"... e o menino com seus malabares busca o equilíbrio
na paisagem ora disforme, ora precisa. Sob essa
ótica restrita, São Paulo é o caos. Viver aqui não
é vida. Mas, quando removemos os antolhos, tudo muda de figura. São
Paulo é a própria vida. Desafiadora, coloca-nos cara a cara com
a diferença e, dessa maneira, nos traz para a igualdade. Convivemos com
tudo e com todos, trabalhando para diminuir o preconceito e ampliar a solidariedade.
É por isso que viver nesta cidade não é crime nem castigo,
é um privilégio. O mercado imobiliário
paulistano que representa algo em torno de 30% a 40% do setor no estado
traduz São Paulo em todas as suas facetas. Embora com menor intensidade,
a cidade não parou de crescer e continua a demandar soluções
imobiliárias. Daí o aparecimento de novas formas de viver e trabalhar.
Ex-favelados em Cingapuras, famílias em casas dentro de condomínios
fechados, com direito a cachorro e churrasco no fim de semana ou em condomínios
tipo clube, dos quais não é preciso sair para nada, pois até
o supermercado vem à porta de casa. Casais
em flats ou residence services ou long stay, onde têm mais
espaço sem abrir mão de facilidades que vão de arrumadeira
a concièrge. Há, ainda, sozinhos descolados em lofts com home office
no meio da sala. E, ao lado disso tudo, sobrevivem as vilas de casinhas geminadas
inspirando até outros novos empreendimentos, como as townhouses
nova-iorquinas (espécie de mansão do século passado), que
começam a pipocar na cena paulistana. Tudo
se renova e se recicla. Temos uma Avenida Luís Carlos Berrini, com o que
há de mais moderno em prédios comerciais, já se repensando
(um bulevar, mais residências, mais vida). E temos o velho centro
com seu charme, nostalgia e ampla infra-estrutura instalada sendo redescoberto
e revitalizado. Em breve, haverá uma Nova Luz onde antes morava a abominável
"cracolândia". A proposta é transformar a região mais degradada
da cidade em novo pólo tecnológico. Demolir o irrecuperável,
fazer um plano urbanístico, construir moradias, escritórios, escolas,
centros culturais. Um novo lugar para viver e bem na cidade. E existem
vários outros locais que merecem recuperação, havendo inclusive
instrumentos legais para tanto, como as operações urbanas.
Essa fascinante dinâmica justifica o fato de, anualmente, serem aprovados
em São Paulo quase 7 milhões de metros quadrados de novas edificações,
apenas para suprir as necessidades da população. O mercado imobiliário
investe a cada ano pelo menos 7 bilhões de reais na produção
de unidades, cuja comercialização movimenta cerca de 8 bilhões
de reais. Acrescente-se que tais números respondem pela geração
de 267 000 novos postos de trabalho em termos de empregos diretos e indiretos.
O mercado imobiliário paulistano não
tem comparação. Ele é único e tende a ficar ainda
mais forte com a recente retomada dos financiamentos à produção
e à aquisição de imóveis, com juros menores e prazos
mais longos, fazendo a prestação caber no bolso dos cidadãos.
E há demanda para todo tipo de produto.
O paulistano tem emoção por imóvel. Gosta de comprar, de
investir em ativos reais, de fazer patrimônio. Está no sangue. O
mesmo sangue que corre nas artérias dessa cidade, fazendo-a pulsar freneticamente
e obrigando-nos a concluir: já que é impossível parar, vamos
fazer o melhor em termos urbanísticos e aperfeiçoar as condições
daqueles que têm o privilégio de viver nesta doce e louca megalópole.
* Romeu Chap Chap é
presidente do Secovi-SP | |