Índice
A São Paulo fértil
Tatuapé: a pérola do leste
Meu estilo: Sig Bergamin
A Freguesia de 1580
Meu cantinho preferido
Meu estilo: Fernanda Marques
Lofts: um jeito descolado de morar
Apartamentos menores e melhores
Meu estilo: Ruy Ohtake
Moradias classe AAA
Os endereços de ouro
Meu estilo: Débora Aguiar
O charme de viver no centro
Condomínios: redutos de sossego
Vistas de tirar o fôlego
Meu estilo: Gilberto Elkis
Meu estilo: Isabel Duprat
Fábricas de arranha-céus
Enxame de escritórios
À caça de inquilinos
Investir em flats? Já era
Financiamentos: vai comprar uma casa?
Meu estilo: Roberto Migotto
Piscinas: elas refrescam e enfeitam
Meu estilo: Brunete Fraccaroli
Vida de nômade
Terrenos milionários
Ponto de vista: Romeu Chap Chap
   
 
Divulgação

PONTO DE VISTA

Viver em São Paulo:
nem CRIME, nem CASTIGO

Por Romeu Chap Chap*

Trânsito insuportável, violência, poluição de toda ordem, vilas pacatas, avenidas infernais, barracos, favelas, mansões, sobradinhos, arranha-céus, uma arquitetura "desarquitetada"... e o menino com seus malabares busca o equilíbrio na paisagem ora disforme, ora precisa.

Sob essa ótica restrita, São Paulo é o caos. Viver aqui não é vida. Mas, quando removemos os antolhos, tudo muda de figura. São Paulo é a própria vida. Desafiadora, coloca-nos cara a cara com a diferença e, dessa maneira, nos traz para a igualdade. Convivemos com tudo e com todos, trabalhando para diminuir o preconceito e ampliar a solidariedade. É por isso que viver nesta cidade não é crime nem castigo, é um privilégio.

O mercado imobiliário paulistano – que representa algo em torno de 30% a 40% do setor no estado – traduz São Paulo em todas as suas facetas. Embora com menor intensidade, a cidade não parou de crescer e continua a demandar soluções imobiliárias. Daí o aparecimento de novas formas de viver e trabalhar. Ex-favelados em Cingapuras, famílias em casas dentro de condomínios fechados, com direito a cachorro e churrasco no fim de semana – ou em condomínios tipo clube, dos quais não é preciso sair para nada, pois até o supermercado vem à porta de casa.

Casais em flats ou residence services ou long stay, onde têm mais espaço sem abrir mão de facilidades que vão de arrumadeira a concièrge. Há, ainda, sozinhos descolados em lofts com home office no meio da sala. E, ao lado disso tudo, sobrevivem as vilas de casinhas geminadas – inspirando até outros novos empreendimentos, como as townhouses nova-iorquinas (espécie de mansão do século passado), que começam a pipocar na cena paulistana.

Tudo se renova e se recicla. Temos uma Avenida Luís Carlos Berrini, com o que há de mais moderno em prédios comerciais, já se repensando (um bulevar, mais residências, mais vida). E temos o velho centro – com seu charme, nostalgia e ampla infra-estrutura instalada – sendo redescoberto e revitalizado. Em breve, haverá uma Nova Luz onde antes morava a abominável "cracolândia". A proposta é transformar a região mais degradada da cidade em novo pólo tecnológico. Demolir o irrecuperável, fazer um plano urbanístico, construir moradias, escritórios, escolas, centros culturais. Um novo lugar para viver – e bem – na cidade. E existem vários outros locais que merecem recuperação, havendo inclusive instrumentos legais para tanto, como as operações urbanas.

Essa fascinante dinâmica justifica o fato de, anualmente, serem aprovados em São Paulo quase 7 milhões de metros quadrados de novas edificações, apenas para suprir as necessidades da população. O mercado imobiliário investe a cada ano pelo menos 7 bilhões de reais na produção de unidades, cuja comercialização movimenta cerca de 8 bilhões de reais. Acrescente-se que tais números respondem pela geração de 267 000 novos postos de trabalho em termos de empregos diretos e indiretos.

O mercado imobiliário paulistano não tem comparação. Ele é único e tende a ficar ainda mais forte com a recente retomada dos financiamentos à produção e à aquisição de imóveis, com juros menores e prazos mais longos, fazendo a prestação caber no bolso dos cidadãos.

E há demanda para todo tipo de produto. O paulistano tem emoção por imóvel. Gosta de comprar, de investir em ativos reais, de fazer patrimônio. Está no sangue. O mesmo sangue que corre nas artérias dessa cidade, fazendo-a pulsar freneticamente e obrigando-nos a concluir: já que é impossível parar, vamos fazer o melhor em termos urbanísticos e aperfeiçoar as condições daqueles que têm o privilégio de viver nesta doce e louca megalópole.

* Romeu Chap Chap é presidente do Secovi-SP