Terrenos
milionário$ Aqui estão seis das
mais cobiçadas áreas que restam nas melhores regiões paulistanas.
Elas têm até 251 000 metros quadrados e chegam a valer mais de 100
milhões de reais  Por
Isabela Barros
Um terreno pode ser considerado cobiçado
em São Paulo basicamente por dois critérios: localização
e tamanho. Quando os dois requisitos vêm juntos, caso da famosa área
dos Matarazzo na Avenida Paulista, as cifras podem passar dos 100 milhões
de reais. Nos bastidores da compra e venda dessas jóias raras, não
faltam histórias de anos e anos de negociações, num jogo
de interesses em que o sigilo é a palavra de ordem.
Mesmo fora de áreas supernobres como a Paulista, alguns pontos se valorizam
pela grande quantidade de metros quadrados. Terrenos gigantes, como o de 251 000
metros quadrados da Telefônica na Barra Funda, são ideais para a
construção de condomínios residenciais com bastante área
livre para lazer e serviços, uma tendência no mercado. Nas próximas
páginas, seis exemplos de terrenos cobiçados e caríssimos
na metrópole. Paulista 12
000 m2 R$ 113 milhões Fotos
Mario Rodrigues
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A área que abrigou a mansão dos Matarazzo na Avenida Paulista está
à venda há cerca de uma década. Até então,
o negócio estava emperrado sobretudo por divergências entre os herdeiros
do conde Francisco. "Houve discussões em torno de valores", diz o advogado
da família, Carlos Francisco Magalhães. As negociações
do terreno na esquina da Rua Pamplona, onde atualmente funciona um estacionamento,
envolvem três netos do conde, além dos espólios de dois bisnetos.
Batido o martelo em torno de uma média de preço, a família
intensificou o processo de venda no último ano. Magalhães diz apenas
que há grupos "nacionais e estrangeiros" analisando a área. O IPTU
do terreno dos Matarazzo é de 1,7 milhão de reais por ano. O melhor
uso na opinião de incorporadores e especialistas envolve a construção
de um prédio de escritórios, que pode ser acompanhado por lojas
e por um hotel. Santo
Amaro 39 687 m2 R$ 35 milhões O
terreno do Bradesco entre a Avenida das Nações Unidas e as ruas
Luís Correia de Melo e Luís Seraphico Jr. é um forte candidato
a virar condomínio residencial. E com muita área de lazer, na linha
dos empreendimentos para moradia erguidos hoje na cidade. O local, no qual funciona
um complexo esportivo do banco, está à venda desde 2000 e se situa
numa região muito promissora do ponto de vista dos novos empreendimentos
imobiliários. O Bradesco paga anualmente 153 000 reais de IPTU pela área
e confirma que o local está disponível para venda. Nos bastidores
da negociação, há pelo menos uma incorporadora de grande
porte em contato com o banco. Itaim Bibi 10
000 m2 R$ 70 milhões
À primeira vista nem parece um terreno só. A
área que envolve o número 9 da Rua Iguatemi e o 202 da Horácio
Lafer e se situa na altura do número 3 400 da Avenida Brigadeiro Faria
Lima tem, conforme estimativa da Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio
(Embraesp), em torno de 10 000 metros quadrados. O local é ocupado por
um estacionamento dividido ao meio e com entradas diferentes, passando a impressão
de que não se trata de uma única área. A propriedade do terreno,
localizado numa das regiões mais nobres da cidade, é atribuída
à família do investidor Naji Nahas. No centro dessa área
estão ruínas do que teria sido um sítio no passado. O local
é alvo da cobiça das incorporadoras para a construção
de escritórios. Barra Funda 251
000 m2 R$ 100 milhões O
terreno gigante que vai da Avenida Marquês de São Vicente à
Avenida Nicolas Boer pertence à Telefônica. A empresa paga 515 000
reais de IPTU por ano. O espaço deve ter as suas chances de venda ampliadas
com a decisão da prefeitura de criar um novo bairro na região. Conhecido
como Bairro Novo, o projeto será localizado entre a Barra Funda e a Água
Branca. A idéia é construir um conjunto de habitações
planejadas nesse trecho. Se o plano vingar, o terreno pode ser adquirido para
a construção de parques residenciais com grandes áreas de
lazer e até atividades de comércio, de acordo com o formato escolhido.
A Telefônica comenta apenas que está sendo procurada por interessados
no negócio. Vai encarar? Moema 5
203 m2 R$ 11,7 milhões Um
casarão cercado de árvores típicas da flora brasileira é
uma das poucas oportunidades disponíveis na Avenida República do
Líbano, em Moema. O terreno pertence à empresa de serviços
de navegação Hamburg Süd e à incorporadora e construtora
Cyrela. Para ser dono dos 5203 metros quadrados de terreno e 1384 metros quadrados
de área construída, é preciso pagar 11,7 milhões de
reais. A vegetação plantada ao redor da casa, que inclui até
exemplares de pau-brasil, é tombada pelo Conselho Municipal de Preservação
do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São
Paulo (Conpresp). Como é proibida a construção de prédios
no local, a casa pode ser arrematada por escritórios de advocacia, clínicas
ou bancos. "Estamos em negociações avançadas com um grupo
internacional da área de siderurgia", diz Paulo Roberto de Almeida, diretor
da Bamberg, corretora responsável pela venda. Vila
Olímpia 4 802 m2 R$ 29 milhões  |
Antes
procurada por paulistanos interessados em perder calorias fazendo ginástica
na piscina, a casa em que funcionava a academia Projeto Acqua, no número
4400 da Faria Lima, agora é disputada por empresários do setor imobiliário
e consultores de negócios. A área está à venda desde
agosto e é cobiçada pela localização numa das vias
comerciais mais importantes da cidade. Quem quiser fechar a compra terá
de desembolsar 29 milhões de reais. O terreno pertence a um grupo de investidores
mantidos em segredo pela consultoria imobiliária Jones Lang LaSalle, responsável
pela operação. "Estamos sendo procurados por interessados de diversos
setores", afirma Pedro Luiz Candreva, diretor de vendas da Jones Lang LaSalle.
O executivo diz que o local tem potencial para receber empreendimentos como supermercados,
escolas ou edifícios residenciais. Aos saudosos do Projeto Acqua, as chances
de o local voltar a receber uma academia são pequenas. Na opinião
dos consultores, o valor cobrado seria alto demais para investimentos nessa linha.
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