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Vai comprar uma casa nova?

Saiba quais são as vantagens e as desvantagens
das principais modalidades de financiamento


Por Ariel Kostman


Ilustração Atílio

Construir patrimônio e se livrar do aluguel são os principais objetivos de quem compra uma casa financiada. Nessa hora, há um cuidado importante a tomar. A prestação não deve comprometer mais que 20% da renda familiar mensal. É fundamental também verificar o sistema de amortização que será usado para pagar a dívida. Ou seja, a maneira pela qual as prestações serão atualizadas. Existem três opções: Sistema de Amortização Constante (SAC), Sistema de Amortização Crescente (Sacre) e Tabela Price. Nas duas primeiras, mais vantajosas para o mutuário, as parcelas são mais altas no início e vão diminuindo com o tempo. No sistema Price, elas aumentam ao longo do contrato. Quanto mais puder dar de entrada, melhor. Para isso, vale a pena usar o saldo do FGTS e das aplicações financeiras, já que os juros que você vai pagar em um financiamento sempre serão muito maiores do que o rendimento de qualquer aplicação. Outro conselho útil é adiar a compra por um ano e, durante esse período, poupar o valor equivalente ao que pagaria de prestação. Dando esse dinheiro economizado de entrada, é possível reduzir o financiamento em dois anos.

A seguir, as vantagens e desvantagens das quatro principais modalidades para comprar a casa própria a prazo. Com a ajuda do economista Alcides Marini, consultor da Associação Brasileira dos Mutuários da Habitação (ABMH) e especialista em financiamento imobiliário, e da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), Veja São Paulo fez a simulação de como seria comprar um apartamento de 200 000 reais com um financiamento de quinze anos em cada uma das modalidades: SFH, SFI, consórcio e direto com a construtora. A associação fornece orientações gratuitas sobre financiamentos imobiliários pelo telefone 3743-7884.

 

Sistema Financeiro de Habitação (SFH)

Quem estabelece as regras: o banco
Valor que pode ser emprestado: até 100% do preço do imóvel
Prazo médio para quitar a dívida: entre cinco e vinte anos
Sistema de amortização: pelo SAC, Sacre ou Tabela Price
Taxa de juros: 12% ao ano
Indexador: TR (0,21% ao mês)
Vantagens: o mutuário recebe o dinheiro na hora, podendo adquirir o imóvel imediatamente. As taxas de juros são tabeladas em, no máximo, 12% ao ano
Desvantagens: os bancos fazem muitas exigências cadastrais e não costumam financiar mais que 70% do valor total do imóvel


Sistema Financeiro Imobiliário (SFI)

Quem estabelece as regras: o banco
Valor que pode ser emprestado: até 100% do preço do imóvel
Prazo para quitar a dívida: entre cinco e vinte anos
Sistema de amortização: SAC ou Tabela Price
Taxa de juros: de 13 a 15% ao ano
Indexador: TR, INPC ou IGP-M
Vantagens: o financiamento pode ser feito também para a compra de um segundo imóvel ou para um imóvel comercial. Não há limite no valor do financiamento nem no preço do imóvel
Desvantagens: os juros são mais altos e os bancos exigem comprovação de renda


Consórcio

Quem estabelece as regras: a administradora do consórcio
Valor que pode ser emprestado: até 100% do preço do imóvel
Prazo para quitar a dívida: até vinte anos
Sistema de amortização: Tabela Price ou SAC
Taxa de administração: 20%
Indexador: INPC ou IGP-M
Vantagens: não exige pagamento de entrada nem comprovação de renda, até que você seja contemplado
Desvantagens: se demorar a ser sorteado ou não puder fazer um lance, o consorciado poderá esperar muitos anos até poder comprar o imóvel. Há risco de inadimplência do grupo


Construtora

Quem estabelece as regras: a construtora
Valor que pode ser emprestado: até 100% do preço do imóvel
Prazo para quitar a dívida: entre cinco e oito anos
Sistema de amortização: SAC ou Tabela Price
Taxa de juros: 12% ao ano
Indexador: INPC, IGP-M ou INCC (Índice Nacional do Custo da Construção)
Vantagens: os critérios para concessão do crédito são menos rígidos. Em caso de inadimplência, é mais fácil negociar um imóvel de menor valor com a construtora
Desvantagens: o preço final é alto e você só recebe a escritura depois de pagar tudo. Se a construtora quebrar, vai ser difícil recuperar o dinheiro

 

Simulações para a compra de
um imóvel de
R$ 200 000,00


Ilustração Atílio

Entrada
R$ 50 000,00

Financiamento
R$ 150 000,00

Prazo
180 meses

 

Opção 1 ­ SFH

Indexador
TR (0,21% ao mês)

Taxa de juros
12% ao ano

1ª prestação
R$ 2 256,65

Última prestação
R$ 1 227,19

Valor total do imóvel
R$ 379 325,53

Juros
R$ 146 885,81

Amortização
R$ 182 439,72

89% mais caro que à vista


Opção 2 ­ SFI

Indexador
TR (0,21% ao mês)

Taxa de juros
14% ao ano

1ª Prestação
R$ 2 480,16

Última prestação
R$ 1 229,00

Valor total do imóvel
R$ 402 391,53

Juros
R$ 169 951,81

Amortização
R$ 182 439,72

101% mais caro que à vista


Opção 3 ­ Construtora

Indexador
INCC (0,71%) em 60 meses
INPC (0,41%) em 120 meses

Taxa de juros
12% ao ano

Prazo
Cento e oitenta meses, sendo os sessenta primeiros destinados à construção. A primeira prestação após a entrega do imóvel é calculada pela Tabela Price. A cada doze meses a parcela é recalculada pelo saldo devedor remanescente, e este, por sua vez, atualizado mensalmente pelo INPC

Fase da construção
R$ 59 680,99

Após a entrega do imóvel
1ª prestação
R$ 2 251,59

Última prestação
R$ 3 645,46

Valor total do imóvel
R$ 456 894,59

Juros
R$ 135 402,46

Amortização
R$ 211 811,14

128% mais caro que à vista


Opção 4 ­ Consórcio

Imóvel
R$ 200 000,00

Entrada
Não há

Taxa de administração
20%

Indexador
INPC (0,41%)
Normalmente, a cada doze meses a parcela é reajustada monetariamente pela variação anual acumulada do INPC ou de acordo com a alteração do valor de mercado do bem. Não há incidência de juros

1ª parcela
R$ 1 133,33

Última parcela
R$ 2 651,36

Valor total do imóvel
R$ 346 102,13

Juros
Não há

Amortização
Não há

73% mais caro que à vista

Fontes: Abecip e Alcides Marini
*A situação é hipotética e a soma dos valores não tem significado
real porque há oscilação da taxa básica de juros e dos indexadores