| |
À caça de inquilinos
Estima-se que São Paulo tenha 420000
casas
e apartamentos para locação. Cerca de 80000
se encontram vazios. A taxa de rentabilidade
mensal não chega a ser animadora: entre
0,6% e 0,9% do valor dos imóveis

Por Maurício Moraes
Foto Renato Ferreira
 |
Manter imóveis residenciais
para locação virou um desafio e tanto. Alguns dos
problemas antigos que afligiam os proprietários, como leis
que favoreciam demais os inquilinos, planos econômicos mirabolantes
e hiperinflação, foram resolvidos. Mas acabaram substituídos
por outros. A superoferta de imóveis corroeu o rendimento
que se obtém com uma casa ou um apartamento alugados. Calcula-se
que hoje seja difícil conseguir mais do que 0,8% do valor
do imóvel com uma locação mensal o que
representaria um aluguel de 1 200 reais para um apartamento de 150
000 reais. Descontados os 7% que uma corretora cobra em média
para administrar a locação e o imposto de renda, que
varia de 15% a 27,5%, esse valor cai para 809 reais mensais. Ou
seja, trata-se de um investimento conservador e de longo prazo.
Estima-se que São Paulo
tenha 420 000 imóveis para locação, segundo
levantamento realizado pelo IBGE no Censo de 2000. "Cerca de 80
000 se encontram vazios", afirma Cícero Yagi, consultor do
Secovi. "Mas nem todos esses estão em boas condições
de uso." Yagi coordenou um levantamento em agosto que traz um indicador
animador. A espera para alugar um imóvel caiu de 42 dias,
índice registrado no ano passado, para 35. "Parece pouco,
mas é uma queda expressiva, já que há muitos
anos esse número não baixava."
Uma das vantagens de ter um imóvel
para alugar está na sua possível valorização
no longo prazo. Identificar isso, entretanto, é tarefa para
especialistas e consultores. "Os imóveis residenciais de
alto luxo estão sujeitos a modismos", explica Mauro Halfeld,
autor do livro Seu Imóvel Como Comprar Bem.
A conta é simples. Quanto maior a probabilidade de a moda
passar, menor será o preço no futuro em caso de revenda.
Feita essa análise, vale a pena examinar se há boas
perspectivas de que o bairro da cidade onde está a casa ou
o apartamento em vista se desenvolva no futuro. "Os grandes ganhos
estão nas regiões que crescem muito e, no Brasil,
infelizmente, as áreas que mais crescem são as pobres",
lembra Halfeld.
Nos endereços mais carentes,
existe grande demanda e pouca oferta. Com isso, os aluguéis
chegam a render a impressionante taxa de 1,5% do valor do imóvel
por mês. Não é incomum, por exemplo, um apartamento
de 30 000 reais ter inquilinos pagando 450 reais mensais. Pesquisa
de locação realizada pelo Secovi em agosto mostra
que apartamentos de um e dois dormitórios registram a menor
taxa de vacância (16,5%), enquanto apartamentos de quatro
dormitórios ou mais tiveram o maior porcentual (30%). As
principais desvantagens dos imóveis de baixo padrão
são a maior inadimplência e os atrasos no pagamento.
A falta de cuidado na conservação aparece como outro
ponto negativo.
"Só vale a pena apostar
em imóveis com algum diferencial, como casas de vila", destaca
Eduardo Gentil, sócio da Trust Gestão Patrimonial.
"Investir na periferia pode ser lucrativo, mas é necessário
conhecer muito bem a região." Com tantos percalços
pela frente, o número de pessoas que procuram obter renda
com aluguéis diminuiu nos últimos anos. Um cenário
muito diferente do das décadas de 50 e 60, quando São
Paulo crescia vertiginosamente. Famílias tradicionais como
os Matarazzo e os Jafet investiam parte do lucro obtido com suas
indústrias na compra de imóveis residenciais e comerciais
para locação. Ao mesmo tempo em que a cidade se expandia,
aumentava a demanda e o negócio tornava-se muito lucrativo.
Os terrenos também se valorizavam. Uma área de 360
metros quadrados localizada no Brooklin, por exemplo, custava o
equivalente a 17 000 reais em janeiro de 1960. Hoje, o mesmo local
está avaliado em 288 000 reais, o que representa um aumento
de aproximadamente 1 600%. Bons tempos que dificilmente vão
voltar.
|
Na ponta do lápis
Quanto rende um imóvel
residencial alugado?
A renda bruta mensal obtida costuma ficar entre 0,6% e 0,7%
do valor dos imóveis usados e entre 0,8% e 0,9% dos
imóveis novos. Isso sem descontar o imposto de renda
e as despesas com uma corretora (que cobra entre 6% e 8% do
valor do aluguel).
Quanto tempo leva para
conseguir um inquilino?
Pesquisa do Secovi com informações de 150 imobiliárias
indica que o índice de velocidade de locação
caiu de 42 dias no último trimestre de 2004 para 35
dias no segundo trimestre de 2005.
Que tipo de imóvel
é alugado com maior facilidade?
Quanto menor o apartamento ou a casa, maior o número
de interessados. É recomendável procurar imóveis
que estejam sendo vendidos abaixo do preço de mercado
e que custem no máximo 200 000 reais.
Existem bairros melhores
para esse tipo de investimento?
Geralmente o que influencia a lucratividade é um conjunto
de fatores: valor do imóvel, tamanho da área
útil, número de vagas de garagem e infra-estrutura
de serviços e transportes nas proximidades. Logo, um
mesmo bairro pode ter oportunidades ótimas ou péssimas.
Levantamento do Secovi realizado em agosto mostra que Jardins,
Moema e Vila Mariana registraram os valores mais elevados
por metro quadrado em apartamentos de dois dormitórios.
|
| |