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Enxame de escritórios

Há pelo menos 25 000 salas só nos principais
corredores comerciais da cidade. A superoferta de
espaços pressiona o valor dos aluguéis para baixo


Por Maurício Moraes

Mario Rodrigues


Com a multiplicação de empresas de internet em bairros como Vila Olímpia e Vila Nova Conceição, em 2000, o mercado de locação de escritórios viveu um de seus melhores momentos. A procura por salas comerciais atingiu o nível mais alto da história. Mas a alegria para quem investiu nesse tipo de negócio durou pouco. A bolha das pontocom estourou e deixou muitos investidores na mão. A Vila Olímpia, que havia se tornado a "Vila do Silício" – numa referência ao Vale do Silício, na Califórnia, reduto dos gênios dos computadores –, transformou-se, segundo definição dos corretores, na "Vila do Silêncio". Nos últimos quatro anos, a cidade ganhou cerca de 1 milhão de metros quadrados de espaços novos, o equivalente a 13% do total disponível atualmente. Mas a quantidade de espaços vagos – a chamada taxa de vacância geral – subiu de 11% para 22,5%.

São Paulo conta com 24 919 salas em 606 edifícios nos principais corredores comerciais – Paulista, Itaim, Faria Lima, Vila Olímpia e Berrini. Pesquisa realizada no primeiro semestre deste ano pela empresa Descritor, especializada em análises de investimentos nessa área, mostra que o maior número de salas de escritórios para alugar encontra-se na região da Paulista (1040 salas) e o menor, em Moema (315 salas). No mesmo período, o corredor que apresentou a maior quantidade de escritórios vazios com até 50 metros quadrados foi a Berrini (22%). A Faria Lima, com 7,96%, registrou a menor taxa de vacância (veja quadro).

Dependendo do tamanho da área útil, a chance de uma sala ser alugada pode variar até dentro do mesmo bairro. "A compra de um imóvel de tamanho inadequado em relação à demanda da região pode trazer perdas para o investidor, pois há o risco de o proprietário ter de pagar as despesas de condomínio e outras taxas enquanto o local estiver desocupado e sem rentabilidade", explica a arquiteta e urbanista Denise de Camargo Ghiu, diretora da Descritor.

Quem resolver partir para esse tipo de negócio deve procurar locais já alugados por bons inquilinos, que tragam boas perspectivas também na renovação do contrato. É importante analisar ainda qual será o interesse no imóvel dentro de dez, quinze anos. Um edifício considerado moderno hoje pode virar relíquia em pouco tempo. Conversar com um consultor especializado no mercado imobiliário que não tenha vínculo com incorporadores é o primeiro passo para escapar de armadilhas. A relação entre o tamanho do escritório e o bairro onde está localizado conta muito, sem falar na infra-estrutura disponível nas proximidades e até na decoração do prédio e no atendimento dos recepcionistas. Embora a Zona Sul tenha atraído o maior número de lançamentos nos últimos anos, comprar salas para locação nos novos edifícios está longe de significar retorno garantido de investimento.

 

Tire suas dúvidas

Quanto rende o aluguel de escritórios?
O valor equivale a algo entre 0,5% e 0,8% do preço do imóvel. Imagine uma sala de 100 metros quadrados com ótima localização que você tenha comprado por 250 000 reais. Em média, você poderá cobrar 1 600 reais mensais de aluguel. É preciso considerar o serviço de uma corretora, que cobra entre 6% e 8% do valor do aluguel, e que a correção dos aluguéis ocorre uma vez por ano e é definida por contrato – os índices mais usados são IGP-DI e IPCA. O imposto de renda varia de 15% a 27,5%, dependendo do total de sua renda no ano. Ou seja, descontando tudo isso, são quase vinte anos para ter o retorno do capital investido. Por isso, esse é um investimento conservador e de longo prazo.

Que tamanhos de escritórios são mais rentáveis?
Isso varia de acordo com as regiões da cidade e as características do imóvel. Enquanto no segundo semestre do ano passado o eixo Vila Mariana–Santa Cruz teve a menor taxa de vacância para imóveis de até 50 metros quadrados, a Vila Olímpia liderou a ocupação na faixa de 50,1 a 100 metros quadrados. A Vila Mariana também registrou o menor índice de espaços vazios entre 100,1 e 200 metros quadrados, e a Avenida Paulista teve o maior para as salas de 200,1 a 400 metros quadrados.

Quais as características mais importantes para atrair interessados?
O prédio precisa ter infra-estrutura moderna, boa administradora e taxas de condomínio razoáveis. A localização e os serviços disponíveis nos arredores também contam muito. Normalmente, cada 35 metros quadrados de área útil do escritório equivalem a uma vaga de garagem.