| | Fábricas
de arranha-céus Num mercado cada vez mais disputado, as
1 200 construtoras da cidade fazem de tudo para conquistar os paulistanos.
As ferramentas vão desde a oferta de café-da-manhã em estandes de vendas
até shows de grupos famosos  Por
Carlos Lo Prete e Isabela Barros
Mário
Rodrigues
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| Residencial Club Tuiuti, da Rossi: 600
unidades vendidas em sessenta dias |
Elas
erguem os empreendimentos que dão à capital paulista o título
de maior mercado imobiliário do país. Do chão, fazem surgir
projetos residenciais e comerciais de todos os quilates. As 1 200 construtoras
que atuam em São Paulo são a ponta mais poderosa de uma cadeia formada
por muitos agentes. Juntas, empregam diretamente mais de 500 000 pessoas. Só
as quatro maiores empresas do segmento gastam mais de 215 000 metros cúbicos
de concreto por ano o que daria para encher 113 piscinas olímpicas.
Neste momento, Cyrela, Tenda, Setin e Rossi Residencial tocam noventa obras na
metrópole. A concorrência entre elas se dá sob as mais variadas
táticas. Para conquistar os clientes, as ferramentas vão desde a
oferta de café-da-manhã em estandes de vendas até shows de
grupos famosos. Os esforços se justificam: somente em 2004 foram lançados
408 empreendimentos residenciais e catorze edifícios de escritórios
na cidade. Diante da oferta, o consumidor ganha mais poder de escolha e exige
preços menores, o que torna ainda mais dinâmico o trabalho dessa
turma. "Em dez anos, o mercado passou de muito
arcaico para muito moderno", afirma Antonio Setin, presidente da
incorporadora e construtora Setin. O empresário afirma que,
há duas décadas, três meses eram suficientes
para comprar um terreno e lançar um projeto imobiliário,
etapas que agora levam, em média, um ano. As margens de lucro
chegavam a 50% do valor da obra, porcentual hoje em torno de 10%.
"Não eram feitos ajustes de acordo com a vontade do cliente",
diz. O resultado é que agora as grandes empresas do segmento
cuidam da incorporação e da construção.
Na divisão das tarefas, o incorporador é uma espécie
de "pai da criança". Por correr mais riscos, esse agente
pode embolsar uma lucratividade de 20%. A ele cabe a tarefa de comprar
a área, elaborar e aprovar o projeto do empreendimento, registrá-lo
em cartório e controlar o trabalho do construtor para que
o imóvel seja entregue dentro do prazo e dos padrões
estabelecidos.
Mário
Rodrigues
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| Obra da Setin, na Vila Mascote: margem
de lucro em torno de 10% |
Para
supervisionar tudo de perto, as líderes de mercado têm em suas equipes
profissionais especializados em cada etapa de produção. Há
o engenheiro de planejamento que passa o dia calculando os custos dos projetos
(e todas as formas de reduzi-los), o executivo encarregado de pesquisar os melhores
terrenos para compra, a equipe de marketing que desenvolve os panfletos que bombardeiam
os motoristas nos faróis. A especialização veio acompanhada
da queda no número de empregos. Há uma década, as construtoras
de São Paulo empregavam diretamente quase 1 milhão de pessoas. Hoje,
apenas pouco mais da metade. A mudança está ligada a um novo modelo
de produção: estruturas que antes eram feitas na obra agora saem
prontas da fábrica. E isso vai desde a base de ferro para a concretagem
até o acabamento dos interiores. "A evolução tecnológica
reduziu muito a relação homem/hora por metro quadrado", afirma Maurício
Bianchi, dono da construtora BKO. Outra preocupação
é a descoberta de áreas da cidade ainda não exploradas pela
concorrência. Foi o caso do Residencial Club Tuiuti, da Rossi Residencial,
lançado no ano passado. O projeto consiste em seis torres instaladas num
terreno de 27 000 metros quadrados. Por fazer parte do chamado "Tatuapé
de baixo", a área era deixada de lado. "Descobrimos que o local era bem
visto por estar ao lado do Parque do Piqueri, onde os moradores do 'Tatuapé
de cima' praticavam esportes", conta Marcelo Dadian, diretor comercial da regional
São Paulo da Rossi. "Vendemos as 600 unidades disponíveis em sessenta
dias."
Além dos orçamentos sob controle,
dos bons profissionais na equipe e da habilidade na escolha dos
terrenos, é preciso chamar a atenção do consumidor.
Detalhes como a oferta de cinco ou seis opções de
planta já não são novidade. "Diferentemente
das roupas, os nossos produtos não vêm com etiqueta
exibindo o nome da construtora e a maior parte dos clientes prioriza
mesmo o fator preço", diz Antonio Setin. As armas variam
de acordo com a empresa. A Setin chegou a organizar shows de grupos
como Barão Vermelho e da dupla sertaneja Chitãozinho
& Xororó para os compradores de seus apartamentos no
próprio local da obra. A Rossi Residencial oferece café-da-manhã
para que os futuros moradores visitem as construções.
Mário
Rodrigues
 | Mário
Rodrigues
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| Bombardeio de propaganda: apenas uma empresa
distribui 10 000 folhetos por fim de semana |
Promotores da Tenda: capacete de engenheiro
para chamar atenção |
Sozinha no segmento
de imóveis para a população de baixa renda entre as dez maiores
construtoras da cidade, a Tenda desenvolve ações de fidelização
que transformam clientes em vendedores informais. O Programa de Indicações
é a mais popular delas. A cada compra de apartamento fechada dessa forma,
o consumidor ganha 150 reais em dinheiro ou 300 reais em descontos nas parcelas
de seu financiamento. Todos os anos, o campeão de indicações
ganha um imóvel. "A vencedora de 2004 foi responsável pela venda
de quarenta unidades em Itaquera", diz Henrique Alves Pinto, presidente da Tenda.
"E avisou que quer ganhar de novo neste ano." A empresa é conhecida ainda
pelos promotores de vendas com capacete de engenheiro que distribuem panfletos
de ofertas no Viaduto do Chá. Entre as pequenas
e médias construtoras, a principal tática adotada para conviver
com as grandes é a oferta de imóveis customizados, com maior possibilidade
de personalização. Além de apartamentos com até cinco
suítes, também fazem parte desse grupo unidades dúplex, tríplex,
lofts e condomínios voltados para o público de terceira idade, entre
outros. Com esses projetos, o ganho em escala pode até ser menor, mas as
empresas trabalham com uma margem mais folgada, valorizando seus diferenciais.
Todos os cuidados com marketing e atendimento são
necessários. As construtoras hoje precisam de volume de vendas para engordar
o caixa e driblar uma carga tributária pesada sem mexer tanto no preço.
O Secovi-SP estima que os impostos levem 38,28 reais de cada 100 investidos na
atividade imobiliária. As crises econômicas e a política de
juros são outras dificuldades do segmento. Os juros são altos e
as linhas de crédito, escassas. "Nos Estados Unidos, por exemplo, metade
do produto interno bruto gira em torno de hipotecas imobiliárias", diz
Ely Flávio Wertheim, diretor da construtora Luciano Wertheim S/A e do Sinduscon.
"O governo brasileiro tem de fazer com que os bancos soltem mais crédito."
As
campeãs do concreto O ranking das maiores incorporadoras
e construtoras da regiãometropolitana segundo o número
de lançamentos residenciais e comerciais em 2004 Construtoras
• Cyrela
• Tenda
• Setin
• Rossi
• Company
• Bancoop
• Gafisa
• MRV
• Schahin
• Hochtief
| Incorporadoras
• Cyrela/Brasil
Realty
• Tenda
• Rossi/America Properties
• Setin
• Redevco
• Helbor
• Fal 2
• EZ Tec
• MRV
• Gafisa |
Fonte: Embraesp |
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