MEU
ESTILO Isabel Duprat  Por
Bianca Fincati
Heudes
Régis
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Ela
cresceu em fazenda, cultiva rosas em casa e sente um grande prazer ao plantar
uma árvore. A arquiteta e paisagista Isabel Duprat transformou seu hobby
em profissão. No currículo, exibe um estágio com o paulistano
Roberto Burle Marx (1909-1994), considerado um dos paisagistas mais importantes
do mundo. Isabel orgulha-se de já ter restaurado jardins desenvolvidos
pelo mestre, como o Instituto Moreira Salles e a mansão do jornalista Roberto
Marinho, ambos no Rio de Janeiro. "É um privilégio mexer em um projeto
do Burle Marx", diz. "Sempre faço isso de maneira muito respeitosa."
Paisagista
tem estilo? Morro de medo de "tendências" em jardim: estilo contemporâneo,
tropical, formal... Não aceito isso dentro do trabalho. É
arriscado projetar um jardim em cima dessas tendências? Quando se
copia um jardim japonês, por exemplo, se perde a alma. Você está
simplesmente transferindo uma estética completamente fora da cultura, do
momento histórico, da paisagem. Existe
um tempo para o jardim "amadurecer", ficar realmente pronto? Leva uns
três, quatro anos, dependendo do tamanho, do clima e do lugar. A função
do jardim é resgatar a natureza, trazê-la de volta para o cotidiano
de cada um. É difícil encontrar
mão-de-obra especializada nessa área? Sim. E o jardim exige
manutenção, tem de ser para a vida toda. Por que os gramados ingleses
são os mais lindos do mundo? Porque são gerações cuidando,
conhecendo, desenvolvendo, aprendendo. Qual a
flor mais bonita? Eu adoro rosa, que cultivo em casa. Qual
é um bom lugar para comprá-las? A Ceasa. Para quem gosta,
é um programa imperdível. A produção de flores se
desenvolveu mais do que a de plantas ornamentais. Qual
o trabalho de que mais gostou de fazer? O BankBoston, na Avenida Paulista,
há dois anos e meio. A grande alegria é que ele é usado,
as pessoas gostam, sentem-se bem ali. Como baratear
um projeto? Trocar o porte da planta é uma maneira. Mas eu não
economizo no preparo do solo. Existem coisas que não são negociáveis.
Qual é o valor mínimo que cobra
por um projeto? A maneira de calcular varia em função da
área e de possíveis dificuldades. E tem o trabalho da gente, trinta
anos de experiência, né? O metro quadrado custa, no máximo,
200 reais. Um endereço descolado que pouca
gente conhece... O Jardim Botânico, na Água Funda, é
o máximo. A Fundação Maria Luisa e Oscar Americano, no Morumbi,
também. É difícil trabalhar
com o clima de São Paulo? Muito. A alteração de temperatura
é grande. Num mesmo dia faz calor, chove, faz frio. Às vezes, as
árvores estão brotando e o frio forte retarda esse processo. E tem
também a poluição, que afeta o desenvolvimento da vegetação.
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