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Terrenos milionários
Ponto de vista: Romeu Chap Chap
   
 

MEU ESTILO

Gilberto Elkis


Por Bianca Fincati

Heudes Régis


Há quase vinte anos no mercado, o paisagista Gilberto Elkis é o responsável pelos jardins da apresentadora Eliana, do empresário João Dória Junior, da atriz Malu Mader e da socialite Carin Mofarrej, entre os de outros clientes estrelados. Em seus projetos cheios de efeitos cinematográficos, Elkis usa água sempre que pode – ele adora um espelho-d'água. "O movimento e o barulho da água me encantam", diz. "É um elemento vital."  

Dá muito trabalho ter um jardim?
O que não se pode deixar de fazer é regar. E tem de gostar das plantas porque elas são sensitivas. Existem estudos que comprovam isso.  

Você acredita que as flores "falam"?
Todas. Esta principalmente (mostra a tatuagem de rosa no braço direito).  

Qual a principal característica de um bom paisagista?
Ele deve ser um observador do paisagismo de Deus: a natureza. É preciso isso para conseguir um equilíbrio perfeito.  

E o segredo de um jardim bonito?
Conseguir atingir os cinco sentidos. Ou seja, o jardim precisa ter visual bonito, cheiro gostoso, um barulho agradável, algo para pegar e ainda uma erva ou planta que se possa provar.  

É difícil para o cliente imaginar um jardim pronto?
Muito. Vendo um sonho. Para isso, faço um anteprojeto colorido, em perspectiva, a mão, com nanquim.  

Jardim é uma tradição européia?
Sim. O brasileiro gasta com seu jardim 1 dólar per capita a cada ano. O inglês, mais ou menos 160 dólares. Ainda estamos engatinhando.

Qual a sua flor preferida?
Sempre prefiro a flor da estação.  

Como funciona esse mercado de plantas e flores?
Quando você compra uma caneta, um mármore, uma pia ou um sofá, é tudo plausível de cotação. Planta não tem padrão. Uma jabuticabeira de 5 metros de altura, por exemplo, pode ter uma copa de 1 ou 3 metros, cinco ou quinze ramificações de galhos principais... O preço depende de tudo isso.

O que nunca cai da moda?
Um canto aconchegante em um jardim. É um abraço da mãe natureza.  

Qual foi o projeto que mais gostou de fazer?
O Hotel Unique foi um grande desafio. A piscina vermelha foi uma audácia.  

Gosta de arriscar?
É muito bom. Por causa do Unique e de mostras como Casa Cor e Artefacto, fui trabalhar no exterior. Já fiz Suíça, Estados Unidos e Angola. Foram as ousadias que me proporcionaram isso.  

Qual é a sensação de ser um paisagista de sucesso numa cidade do tamanho de São Paulo, que concentra tantos profissionais?
Qualquer profissional bem-sucedido em São Paulo é feliz e respeitado. É como a música New York, New York, cantada pelo Frank Sinatra: "If I can make it there, I'll make it anywhere". Se faz aqui, faz em qualquer lugar.  

O melhor e o pior na sua profissão...
O melhor é trazer a natureza para mais perto das pessoas, dar qualidade de vida. O pior é ver o cliente não tratar uma planta como ser vivo e ela morrer.