| | Redutos
de sossego Nos primeiros oito meses deste ano, foram lançados
56 condomínios horizontais na cidade, num total de 987 casas. Contratar
arquitetos badalados para assinar os projetos é a nova estratégia
das incorporadoras  Por
Juliana Mariz Fotos
Mario Rodrigues
 | | O
requintado Maison du Parc, no Ibirapuera: dez casas de 1 300 metros quadrados
cada uma |
Quando a residência
não agrada mais ao morador, uma das saídas é contratar um
arquiteto ou um decorador para repaginá-la. Foi mais ou menos isso que
o mercado imobiliário fez para atualizar e valorizar o segmento de condomínios
horizontais na capital. A maioria dos empreendimentos lançados neste ano
tem projeto assinado por arquitetos badalados, como João Armentano, Arthur
de Mattos Casas, Roberto Migotto, Fernanda Marques e Clarissa Strauss. De janeiro
a agosto, 56 condomínios horizontais surgiram na cidade, num total de 987
casas. Houve um boom dos condomínios horizontais
urbanos em São Paulo a partir de 2000. A grande oferta desses imóveis,
no entanto, elevou o preço dos terrenos. Com isso, os empreendimentos foram
adensados, ou seja, mais residências passaram a ser construídas no
mesmo terreno para viabilizar financeiramente os projetos. Para amenizar reclamações
como padronização dos imóveis, falta de privacidade e barulho
da vizinhança, os incorporadores dessa nova geração de conjuntos
residenciais passaram a dar maior autonomia ao comprador na hora da definição
da planta.  | | O
AlphaVille Conde: 99 casas em área de 324 000 metros quadrados |
É o caso do supercondomínio Chácara Europa,
no Alto da Boa Vista. Quatro arquitetos foram contratados para conceber fachadas
diferenciadas o futuro morador tem 35 estilos de projeto a sua escolha.
Os imóveis, espalhados por uma área de 63 000 metros quadrados,
custam 3,5 milhões de reais e possuem de 875 a 1 200 metros quadrados de
área construída, quatro suítes e sete vagas na garagem. A
distância entre uma mansão e outra é de 6 metros. Além
disso, o condomínio dispõe de salão de festas, piscina semi-olímpica,
sala de ginástica e quadra de tênis. Os
especialistas dizem que vender para o público classe AAA é o maior
desafio. Segundo Ricardo Yazbek, da R. Yazbek, ainda é necessário
conquistar esse potencial morador. "Trata-se de um produto relativamente novo
e há a tendência de acharem que as casas são muito próximas,
que há barulho", afirma. A empresa está construindo o Bothannica,
condomínio de oito residências projetadas por João Armentano
na região do Parque do Ibirapuera. "A distância entre elas é
maior do que a existente entre as de rua, mas há sempre o fator psicológico
de você sentir que está dividindo o mesmo terreno com alguém.
Portanto, é uma venda que exige mais explicações", diz Stefan
Neuding, diretor da Stan Desenvolvimento Imobiliário. Apesar disso, a Stan
não teve dificuldade em vender três das quatro casas do condomínio
Greenfield, no Jardim Paulistano.  | | Bothannica,
na região do Ibirapuera: projeto de João Armentano |
Até
mesmo o clássico dos condomínios horizontais tratou de aquecer suas
vendas lançando mão de parcerias com nomes importantes da arquitetura.
O AlphaVille Urbanismo apresentou em abril o AlphaVille Burle Marx, um conjunto
que ocupará cerca de 1,3 milhão de metros quadrados, 70% dos quais
de área verde. "Serão 513 lotes particulares de 478 metros quadrados
e 72 comerciais distribuídos em um paraíso ecológico", conta
Marcelo Puntel, diretor de marketing da AlphaVille Urbanismo. O projeto da Club
House, um espaço de lazer, é assinado por Königsberger Vannucchi,
traz o paisagismo do Escritório Burle Marx e design de interiores de Arthur
Casas. "O trabalho em conjunto com grandes profissionais atrai ainda mais o público
e valoriza o projeto", aposta Puntel. 
Vale
a pena morar em condomínio? Vantagens
• Segurança. Os muros que cercam o condomínio
e os guardas rondando as ruas internas 24 horas por dia são uma garantia
de tranqüilidade aos moradores • A maioria
dos condomínios dispõe de infra-estrutura de lazer: quadras esportivas,
salão de festas, piscinas, churrasqueira e academia de ginástica
• Vizinhança com perfil semelhante. Boa
parte dos moradores de condomínios é casada, tem entre 35 e 45 anos
e de dois a três filhos menores de 15 anos •
A taxa de condomínio é baixa se comparada à cobrada nos edifícios
do mesmo padrão Desvantagens •
Devem-se cumprir regras de conduta, muitas vezes passíveis de multas
• Como as áreas comuns são usadas constantemente,
manter os limites de cada morador não é fácil
• Falta de privacidade. Muitas casas são geminadas
ou têm janelas de frente umas para as outras •
Barulho dos vizinhos |
| |