| | O
charme de morar no centro Mais bonita, mais limpa e
com uma farta oferta de serviços e transportes públicos, a região
central oferece imóveis residenciais com áreas amplas
e boa vista a preços acessíveis. É possível
comprar ali um apartamento de 250 metros quadrados por 300 000 reais,
um terço do que se pagaria por um imóvel semelhante em um bairro
como a Vila Olímpia  Por
Carolina Chagas
Fotos
Mario Rodrigues
 | | O
artista plástico Emanoel Araújo em sua cobertura dúplex no Edifício São Luís:
projeto do arquiteto francês Jacques Pilon |
A
atriz Bárbara Paz, o artista plástico Emanoel Araújo, o maestro
Roberto Minczuk, a atriz Mika Lins e o executivo Marco Antonio Ramos de Almeida
engrossam o time dos 70 000 paulistanos que moram no centro da cidade. É
pouco se comparado ao número de pessoas que residem, por exemplo, no Jabaquara
(224 000) ou em Perdizes (144 000). Mas devagarzinho a região vem conquistando
novos fãs. Gente interessada nos prédios com fachadas tombadas,
apartamentos amplos e preços mais acessíveis em relação
a outros bairros. Sem falar na fartura de transporte público são
250 linhas de ônibus, sete estações de metrô e duas
ferroviárias , serviços e patrimônios culturais de primeira
linha, como o Pátio do Colégio, a Estação Júlio
Prestes, com sua magnífica sala de concertos, o Teatro Municipal, a Pinacoteca
do Estado e os mosteiros de São Bento e da Luz.
O presidente executivo da Associação Viva o Centro, Marco Antonio
Ramos de Almeida, decidiu há um ano trocar seu apartamento na Alameda Jaú,
nos Jardins, por um na região central, mais exatamente na Praça
da República. Assim que terminar a trabalhosa reforma que prevê
atualização elétrica e hidráulica , ele deve
se mudar para o apartamento de 135 metros quadrados no Edifício São
Nicolau, cujo metro quadrado custa, em média, 1 200 reais. "A região
voltou a ser procurada", diz ele. "Por isso não é tão fácil
encontrar apartamentos residenciais de qualidade desocupados."  | | O
maestro Roberto Minczuk (acima) mora com a mulher e os
quatro filhos em um apartamento na Praça Roosevelt.
A atriz Mika Lins (abaixo) preferiu um imóvel
de 180 metros quadrados no 28° andar do Edifício Copan:
sonho de infância realizado |  |
A atriz Bárbara Paz teve menos dificuldade que Almeida. Mas começou
sua busca antes, há três anos. Hoje, comemora o investimento em seu
apartamento de 200 metros quadrados no Edifício Santa Rita, na Avenida
São Luís. "A região é charmosa e tem a arquitetura
mais bonita da cidade", acredita. "Acho que o imóvel já se valorizou
perto de 30%." O corretor Carlos Roberto Bomfim calcula que o metro quadrado de
um apartamento na região subiu de 700 para 1 300 reais nos últimos
cinco anos. O centro de São Paulo começou
a perder seu glamour nos anos 1970, quando a cidade ganhou novos pólos
financeiros na região da Avenida Paulista e, mais tarde, nas avenidas Faria
Lima e Luís Carlos Berrini. Como as áreas residenciais costumam
acompanhar os endereços financeiros todos preferem morar perto do
trabalho , o centro foi perdendo sua importância e saiu de moda. "A
região se popularizou", explica Nadia Somekh, diretora da Faculdade de
Arquitetura e Urbanismo da Universidade Mackenzie.
A qualidade do imóvel que namorava "desde criança" e o bom preço
(1 000 reais o metro quadrado) levaram a atriz Mika Lins a adquirir um apartamento
de 180 metros quadrados no Edifício Copan, finalizado em 1966 a partir
de projeto de Oscar Niemeyer. "Não achava nada que fosse compatível
com o que queria e com o dinheiro que eu tinha", afirma. O fato de contar com
apenas uma vaga na garagem, um problema comum na região, não a fez
desistir da idéia. "Quando vi, fiquei apaixonada", diz Mika. A atriz lembrou-se
então de que o Copan havia passado por anos sombrios e resolveu fazer visitas
ao lugar de madrugada, conversar com moradores e checar estatísticas policiais.
Só encontrou boas-novas: "O Copan conseguiu sua própria reabilitação,
os anos barras-pesadas ficaram para trás".  | | Bárbara
Paz em seu apartamento de 200 metros quadrados na Avenida São Luís: valorização
de 30% em três anos |
Ao contrário
do que se imagina, os índices de violência no centro são baixos
em relação aos de outros bairros da cidade. A área tem incidência
média de assaltos e pequena de homicídios. De acordo com uma pesquisa
da Fundação Seade, a taxa de homicídios na Praça da
República é de 33,50 por 100 000 habitantes, abaixo da média
da cidade, de 36,93 por 100 000 habitantes. "Minha mulher já foi assaltada
algumas vezes aqui, mas isso não é exclusividade do centro", afirma
o maestro Roberto Minczuk, que vive com a mulher e os quatro filhos em um apartamento
de 300 metros quadrados na Praça Roosevelt. Foi a comodidade de morar perto
do trabalho que levou Minczuk a buscar o endereço há cerca de dois
anos, quando ainda trabalhava na Osesp. "Sou um apaixonado pela cidade, detesto
dirigir e queria um espaço amplo", conta ele, que, depois de assumir a
direção da Orquestra Sinfônica Brasileira, com sede no Rio
de Janeiro, em agosto, se divide na ponte aérea. Com um projeto arrojado,
que imita um loft, Minczuk acabou transformando sua moradia numa área de
lazer para os filhos. "Eles andam de bicicleta e até jogam futebol aqui."
O artista plástico Emanoel Araújo
diz ter uma relação de amor e ódio com a região. Desde
a primeira vez que veio a São Paulo, em 1964, é freqüentador
e morador da área central. "Vivi a febre da casa de campo nos anos 70,
fui para Taboão da Serra, mas acabei voltando para respirar gás
carbônico", ironiza. Há dois anos vive no Edifício São
Luís, prédio tombado do arquiteto francês Jacques Pilon, com
vista para a Praça da República e o colégio Caetano de Campos.
"Sempre tive paixão por este edifício", diz ele, na sala de sua
cobertura dúplex de 380 metros quadrados e pé-direito de 4 metros.
"De noite, aqui de cima tudo fica lindo." A
força do centro Área 4,4
quilômetros quadrados População 70
000 moradores nos distritos Sé e República e uma população
flutuante de 3 milhões de pessoas Imóveis 1
300 reais é o valor médio do metro quadrado dos apartamentos
residenciais na Avenida São Luís. 1 000 reais é o
valor médio do aluguel de um apartamento de três dormitórios
com garagem Transporte público 250
linhas de ônibus 7 estações de metrô
2 estações de trem Segurança 33,50
homicídios por 100 000 habitantes (a taxa do município é
de 36,93 homicídios por 100 000 habitantes) Prédios
em alta Edifício São Luís Praça da República,
77 Moreira Salles Avenida São Luís, 141 Louvre
Avenida São Luís, 192 Edifício Conde Silvio Penteado
Avenida São Luís, 130/140 Edifício Esther Praça
da República, 76 Copan Avenida Ipiranga, 200
Comércio 9 281 estabelecimentos que empregam
cerca de 65 000 pessoas Hotéis Entre
160 estabelecimentos, o mais novo é o Formule 1, no Largo do Arouche,
que deve ser inaugurado em novembro Restaurantes Cerca
de 580. O mais antigo é a Cantina Capuano. Funciona na Rua Conselheiro
Carrão, 416, na Bela Vista, desde 1907
Fontes: Associação Viva o Centro, SPTrans, Metrô, Secovi,
Associação Comercial de São Paulo, Neves Bomfim Imóveis,
Fundação Seade, Sindicado de Hotéis, Restaurantes, Bares
e Similares de São Paulo |
| |