Índice
A São Paulo fértil
Tatuapé: a pérola do leste
Meu estilo: Sig Bergamin
A Freguesia de 1580
Meu cantinho preferido
Meu estilo: Fernanda Marques
Lofts: um jeito descolado de morar
Apartamentos menores e melhores
Meu estilo: Ruy Ohtake
Moradias classe AAA
Os endereços de ouro
Meu estilo: Débora Aguiar
O charme de viver no centro
Condomínios: redutos de sossego
Vistas de tirar o fôlego
Meu estilo: Gilberto Elkis
Meu estilo: Isabel Duprat
Fábricas de arranha-céus
Enxame de escritórios
À caça de inquilinos
Investir em flats? Já era
Financiamentos: vai comprar uma casa?
Meu estilo: Roberto Migotto
Piscinas: elas refrescam e enfeitam
Meu estilo: Brunete Fraccaroli
Vida de nômade
Terrenos milionários
Ponto de vista: Romeu Chap Chap
   
 

MEU ESTILO

Débora Aguiar


Por Bianca Fincati

Heudes Régis


É apenas coincidência, mas no escritório dela praticamente só trabalham mulheres – cerca de vinte. A presença masculina fica restrita ao office-boy, ao motorista e à mascote "Hope", um scottish terrier. Quem vê a arquiteta paulistana Débora Aguiar, tranqüila e de fala mansa, não imagina a empresária determinada que toca cerca de cinqüenta projetos ao mesmo tempo. Para não pifar, ela pratica ioga e meditação, além de dar escapadas para sua fazenda no interior de São Paulo, onde faz trilhas ecológicas e anda a cavalo.  

Qual a principal característica de um bom arquiteto?
Não ser limitado. Como a arquitetura é muito ampla, ele tem de romper fronteiras, tanto no estilo e nas tendências quanto na forma de usar os materiais e de projetar.

Qual o segredo de um projeto de sucesso?
É ver o olhinho do cliente brilhando.

A quem é mais difícil agradar: ao cliente famoso ou ao desconhecido que quer chegar lá?
Em geral, as pessoas que estão preocupadas com a aparência, que querem ostentar e mostrar, são as mais difíceis, independentemente de ser famosas ou não. É questão de personalidade mesmo.

O que gera stress na profissão?
Os prazos e a ansiedade do cliente. Eu brinco que o arquiteto mexe com duas coisas muito perigosas: o sonho e o bolso das pessoas.

Quais são os detalhes que fazem a diferença?
É ver que a casa tem a personalidade de quem mora.

Um endereço descolado que pouca gente conhece...
Um depósito em Cotia chamado Namuh. É o lugar ideal para fazer garimpo de produtos asiáticos (Rua Vaticano, 121, Jardim Fontana, Cotia, 4617-5384; só atende aos sábados).

Arquiteto tem estilo?
Tem. E, mesmo que a gente não queira, começa a aparecer.

Qual é o seu?
Contemporâneo, com certeza. Mas gosto de conseguir dar uma certa leveza, uma sofisticação ao projeto, mesclando os materiais.

Quanto você cobra por um projeto?
Um projeto de um imóvel médio custa a partir de 5 000 reais.  

O que estimula sua criatividade?
O desafio.

Você costuma mudar com freqüência a sua casa?
Não tanto quanto gostaria, porque não tenho tempo. Devagarzinho, vou fazendo uma coisinha ou outra.

O que falta para melhorar o visual de São Paulo?
Um planejamento melhor das áreas públicas. Também ajudaria muito padronizar a comunicação visual. A Rua Augusta, por exemplo. Por que tem de ser tão feia? O comerciante já tem de pagar para ter a placa na fachada. Então, por que não padronizar? São medidas simples que fariam a maior diferença.