MEU
ESTILO Débora Aguiar  Por
Bianca Fincati
Heudes
Régis
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É
apenas coincidência, mas no escritório dela praticamente só
trabalham mulheres cerca de vinte. A presença masculina fica restrita
ao office-boy, ao motorista e à mascote "Hope", um scottish terrier. Quem
vê a arquiteta paulistana Débora Aguiar, tranqüila e de fala
mansa, não imagina a empresária determinada que toca cerca de cinqüenta
projetos ao mesmo tempo. Para não pifar, ela pratica ioga e meditação,
além de dar escapadas para sua fazenda no interior de São Paulo,
onde faz trilhas ecológicas e anda a cavalo.
Qual
a principal característica de um bom arquiteto? Não ser limitado.
Como a arquitetura é muito ampla, ele tem de romper fronteiras, tanto no
estilo e nas tendências quanto na forma de usar os materiais e de projetar.
Qual o segredo de um projeto de sucesso? É
ver o olhinho do cliente brilhando. A quem é
mais difícil agradar: ao cliente famoso ou ao desconhecido que quer chegar
lá? Em geral, as pessoas que estão preocupadas com a aparência,
que querem ostentar e mostrar, são as mais difíceis, independentemente
de ser famosas ou não. É questão de personalidade mesmo.
O que gera stress na profissão? Os
prazos e a ansiedade do cliente. Eu brinco que o arquiteto mexe com duas coisas
muito perigosas: o sonho e o bolso das pessoas. Quais
são os detalhes que fazem a diferença? É ver que a
casa tem a personalidade de quem mora. Um endereço
descolado que pouca gente conhece... Um depósito em Cotia chamado
Namuh. É o lugar ideal para fazer garimpo de produtos asiáticos
(Rua Vaticano, 121, Jardim Fontana, Cotia,
4617-5384; só atende aos sábados). Arquiteto
tem estilo? Tem. E, mesmo que a gente não queira, começa
a aparecer. Qual é o seu? Contemporâneo,
com certeza. Mas gosto de conseguir dar uma certa leveza, uma sofisticação
ao projeto, mesclando os materiais. Quanto você
cobra por um projeto? Um projeto de um imóvel médio custa
a partir de 5 000 reais. O que
estimula sua criatividade? O desafio. Você
costuma mudar com freqüência a sua casa? Não tanto quanto
gostaria, porque não tenho tempo. Devagarzinho, vou fazendo uma coisinha
ou outra. O que falta para melhorar o visual
de São Paulo? Um planejamento melhor das áreas públicas.
Também ajudaria muito padronizar a comunicação visual. A
Rua Augusta, por exemplo. Por que tem de ser tão feia? O comerciante já
tem de pagar para ter a placa na fachada. Então, por que não padronizar?
São medidas simples que fariam a maior diferença. |