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Piscinas: elas refrescam e enfeitam
Meu estilo: Brunete Fraccaroli
Vida de nômade
Terrenos milionários
Ponto de vista: Romeu Chap Chap
   
 

MEU ESTILO

Sig Bergamin


Por Bianca Fincati

Heudes Régis


Já se passaram 35 anos desde que o arquiteto Sig Bergamin deixou a cidade de Mirassol, no interior paulista, e se transformou em um dos mais estrelados decoradores de interior do Brasil. Um projeto que leva sua assinatura pode chegar a 200 000 reais. Responsável pelas residências de nomes como Nizan Guanaes, Emerson Fittipaldi e José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, hoje Sig se dá ao luxo de não aceitar trabalhos que o façam sofrer. "Não tem jeito. Eu não consigo ver um espelho pintado de colorjet prateado ou dourado e falar que é lindo."  

Onde você busca inspiração para realizar o desejo do cliente?
Em livros, viagens e no meu mundo. Tento misturar as minhas aspirações com as do cliente.  

E quando elas não coincidem?
Aí é mais difícil e eu viro só um profissional, como um médico, um dentista. Deixo de colocar a emoção, o coração.  

É bom um cliente sincero?
Eu adoro. Prefiro que fale: "Olha, Sig, vou acabar o projeto sozinho porque eu estou feliz, mas minha mulher não". Aconteceu isso recentemente. Um cliente com móveis maravilhosos, que ele gostava e a mulher odiava. Ela acabou com outro decoradorzinho, mas ficou feliz porque fala a mesma língua desse profissional.  

Você já chegou a recusar trabalho?
Sim. Quando percebo que vou sofrer muito, me prostituir.  

Como assim?
Quando uma casa é falsa em todos os sentidos e vou ter de ser simpático durante seis meses. Não consigo ser falso, mentir. Não consigo ver um espelho pintado de colorjet prateado ou dourado e falar que é lindo.

Uma das suas funções é comprar para os outros. É gostoso?
Eu adoro, porque sou consumista, e nada como comprar com o dinheiro dos outros. E acabo sempre levando alguma coisinha para mim também.  

Você acha que as pessoas conseguem identificar o seu trabalho?
Sim. Meus projetos têm cor, são meio misturados. Eu não tenho medo de combinar. É o estilo Sig.  

Dizem que cores distintas proporcionam estados de ânimo específicos. Você acredita nisso?
Não, acho que todas as cores podem estar em todos os lados, pode tudo. Veja os ingleses, que têm quartos coloridos, escuros, com lilás, roxo, marrom, bordô... É cultura.  

Projeto que mais gostou de fazer...
A minha residência, superaconchegante, onde tenho paz. Parece a casa dos espíritos, porque o que está num lugar hoje amanhã está em outro. Tudo ali pode estar em todos os lugares. Amo aproveitar o espaço com a África, a Ásia e a América, minhas três cachorras.  

E o mais difícil...
Uma casa que durante um ano eu fiquei dizendo que tinha de ser demolida e refeita porque estava na posição errada no terreno. Depois desse tempo e oito projetos, nós nos separamos. Eu paguei a multa e o cliente, depois, acabou demolindo a casa para colocar no meio do terreno, como eu queria fazer.  

Qual a sensação de ser um arquiteto de sucesso numa cidade que coleciona tantos profissionais?
Prefiro não ter essa sensação. Fico com vergonha, sem graça, quando as pessoas me encontram e pedem autógrafo. O aeroporto é o meu termômetro.