Índice
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Piscinas: elas refrescam e enfeitam
Meu estilo: Brunete Fraccaroli
Vida de nômade
Terrenos milionários
Ponto de vista: Romeu Chap Chap
   
 

A São Paulo fértil

Sessenta imóveis novos são vendidos por dia na cidade.
Do pedreiro ao decorador, o mercado imobiliário
emprega diretamente cerca de 600 000 pessoas


Por Isabela Barros


Montagem sobre fotos de Mario Rodrigues, Heudes Regis e Renato Ferreira

Da próxima vez que sair de casa, observe com mais atenção a paisagem. Mas não exatamente o céu, os outdoors ou as árvores que possam existir no caminho. Rodeados de concreto, os moradores de São Paulo não imaginam que, por trás do mar de prédios e construções que faz da metrópole a maior cidade do país, há um mercado exigente, dinâmico e capaz de empregar milhares de pessoas: do corretor de imóveis ao decorador encarregado de arrumar a casa nova. O setor imobiliário paulistano é palco de construções como a mansão de cinco andares do ex-banqueiro Edemar Cid Ferreira no Morumbi, avaliada em 80 milhões de reais, e a casa de dois quartos no bairro de Ermelino Matarazzo lançada ao preço de 35 000 reais no ano passado. Do luxo ao superbásico, há empresas dispostas a investir em todos os segmentos. Nesse caso, as desigualdades revelam oportunidades. Até mesmo para a classe média, que deve voltar a ocupar o centro das atenções dos lançamentos de imóveis nos próximos anos. E com direito a empreendimentos caprichados. Mesmo com áreas internas menores, os apartamentos terão cada vez mais opções de lazer e espaços livres. Sinal dos tempos, a mesma indústria que trouxe a demanda por novos escritórios e habitações agora cede seus galpões para a construção de megacondomínios.

Mario Rodrigues
R$ 20 milhões
é o valor da cobertura mais cara da cidade, no edifício L'Essence, na Vila Nova Conceição. Tem 1 380 metros quadrados e doze vagas de garagem


Nos últimos doze anos foram construídos 5 270 empreendimentos residenciais (436 067 unidades de casas e apartamentos) em 59,4 milhões de metros quadrados na região metropolitana, o que gerou negócios de 33,9 bilhões de dólares. Na média, sessenta imóveis novos são vendidos todos os dias na cidade, conforme estimativa do Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis Residenciais e Comerciais de São Paulo (Secovi). As demandas dos paulistanos mudaram muito nos últimos anos no que se refere à moradia. Se há quatro décadas o item garagem não era o mais importante na decisão de compra de um apartamento, hoje é condição mínima para a venda. O mesmo vale para a infra-estrutura do condomínio, seja de apartamentos, seja de casas. O jardim e a área de lazer são fundamentais para alimentar a sensação de propriedade.

O resultado dessa evolução é um setor formado por mais de 8 400 incorporadoras, construtoras e empreiteiras. Em 2004 foram lançados 479 prédios de apartamentos e condomínios horizontais na cidade. No primeiro semestre deste ano foram vendidas 11 156 unidades habitacionais, numa conta de 3,4 bilhões de reais. Para ganharem espaço num mercado tão amplo, incorporadoras, construtoras e imobiliárias têm lá as suas estratégias. Duas delas são particularmente importantes: a pesquisa das melhores oportunidades e o trabalho duro no fim de semana. "Pelo menos 50% das vendas de imóveis são acertadas aos sábados e domingos, com o fechamento do negócio durante a semana", afirma Alberto Du Plessis, vice-presidente de tecnologia e relações de mercado do Secovi.

Primeira colocada no ranking da Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio (Embraesp) das maiores imobiliárias em vendas de lançamentos residenciais e de escritórios da região metropolitana, a Lopes tem funcionários encarregados de percorrer ao menos uma vez por semana todos os plantões da empresa e da concorrência. A imobiliária conta com 800 corretores e é parceira de 200 incorporadoras e construtoras para a oferta de lançamentos. "Fazemos pesquisas com base nas demandas dos clientes", afirma o diretor-geral de atendimento da empresa, Tomás Salles. Além do acompanhamento do mercado, a prestação de serviços à clientela de altíssimo poder aquisitivo foi a aposta da Coelho da Fonseca, a terceira colocada entre as imobiliárias. Desde 2003 a empresa possui um departamento especializado nesse público, o Private Brokers. A iniciativa inclui uma loja de 50 metros quadrados dentro da Daslu e já responde por 25% da receita da empresa. Na unidade instalada dentro da butique, maquetes e vídeos exibidos em televisores de plasma apresentam as novidades de alto padrão. Há sempre dois funcionários no local. "Nós nos inspiramos nos serviços private dos bancos", diz o empresário Álvaro Coelho da Fonseca.

No topo da lista da Embraesp nos quesitos construtora e incorporadora com o maior número de lançamentos, a Cyrela investe 3 milhões de reais por ano em pesquisas de mercado. "Conhecemos os resultados de todos os lançamentos realizados. Em São Paulo não se tem o direito de errar", diz o diretor de incorporação da Cyrela, Ubirajara Spessotto de Camargo Freitas. Já a Setin, a quarta maior incorporadora e a terceira maior construtora da Grande São Paulo, investe nos contatos com corretores independentes e na avaliação dos terrenos disponíveis. "Em 2003 avaliamos em torno de 1 000 terrenos. Apenas cinco foram comprados", afirma o presidente da empresa, Antonio Setin.

A Tenda, a segunda colocada na relação da Embraesp nos itens incorporação e construção, adotou como estratégia o investimento nos bairros da periferia. A empresa tem empreendimentos populares em regiões como Guaianases, Itaim Paulista e Itaquera. "Somos uma indústria de apartamentos", diz o presidente da Tenda, Henrique Alves Pinto. Ele negocia sobretudo imóveis entre 34 000 e 60 000 reais, a maior parte com dois dormitórios e entregues sem elevador. Tais limitações não impedem que os clientes desejem morar em áreas com lazer e infra-estrutura mínima. "O nosso espaço gourmet é a churrasqueira", diz Pinto.

Os empreendimentos de luxo foram as estrelas do mercado nos últimos três anos. De 2002 a 2004, a produção de imóveis de quatro quartos foi de 17 000 unidades, quase o dobro do total registrado entre 1998 e 2001. No primeiro trimestre de 2005 o segmento de quatro ou mais dormitórios foi responsável por 25% dos lançamentos. Depois de tanta sofisticação, a aposta agora é no segmento de dois e três dormitórios. "A maior oferta de crédito imobiliário e os financiamentos a juros menores pelos bancos vão aumentar a produção e as vendas de imóveis para a classe média", acredita Alberto Du Plessis, do Secovi. Os apartamentos de dois ou três dormitórios serão oferecidos em condomínios com quadras de tênis, trilhas para caminhadas e lan houses para as crianças, por exemplo. Detalhes como piscina e sala de ginástica já viraram itens básicos. "A procura é por conforto, lazer e segurança", afirma Antonio Setin.

Além da infra-estrutura externa, a classe média paulistana está preocupada com o layout interno da casa. O lar doce lar repaginado abre espaço para profissionais como os arquitetos de interiores e decoradores, ou, na nomenclatura da moda, designers de interiores – são 2 300 atuando hoje em São Paulo. A hora de trabalho desses profissionais normalmente varia entre 100 e 500 reais. "As pessoas têm ficado mais tempo em casa e querem esclarecer dúvidas como que cortina usar ou qual a melhor cor para a parede da sala", diz a presidente da Associação Brasileira de Designers de Interiores (ABD), Brunete Fraccaroli.

 

 

60 000
engenheiros, arquitetos, designers de interiores e corretores de imóveis trabalham por aqui

25%
dos prédios lançados no primeiro trimestre têm quatro ou mais dormitórios

60
imóveis novos são vendidos por dia na cidade de São Paulo

527 000
pessoas estão empregadas hoje na construção civil na cidade

7,28%
é a participação da construção civil no PIB nacional

11 156
unidades habitacionais foram vendidas na capital no primeiro semestre, num total de 3,4 bilhões de reais

8 416
incorporadoras, construtoras e empreiteiras com mais de cinco empregados atuam no estado

50%
das vendas de imóveis são acertadas aos sábados e domingos

27 000
é o número de condomínios na Grande São Paulo. Eles são supervisionados por 4 500 administradoras

Fontes: IBGE, Sinduscon, Secovi-SP, Embraesp, Creci-SP, CREA-SP, ABD