Goles coletivos

Moda em bares e danceterias, os drinques
comunitários dão para até cinco pessoas

Otávio Canecchio

 
Fotos Heudes Régis

Mark (acima) bebe com amigos no The Red Lion. Abaixo, Paula, Alessandra e Erika na Boogie: balde de gelo com 800 mililitros facilita na hora da paquera

O cliente no balcão de um bar, bebericando solitariamente um drinque até a última gota, é uma cena cada vez mais rara em algumas casas noturnas da cidade. Nesses bares e danceterias, a moda são os coquetéis coletivos compartilhados por três, quatro ou até cinco pessoas. Servem a turma toda e chegam à mesa em taças, jarras ou baldes de gelo. Há pelo menos quatro estabelecimentos que oferecem a novidade, a preços entre 15 e 25 reais.

A danceteria Boogie Disco, na Vila Olímpia, foi uma das pioneiras a incluir a bebida no cardápio. Seus sócios, Fernando Montini e Olavo Guerreiro, conheceram o drinque comunitário durante uma viagem de férias, em 1994, pela República Dominicana. Em março deste ano, a dupla voltou para lá em busca do barman autor da receita, chamada de "bomba" pelos caribenhos. "Depois de muita conversa e negociação, pagamos 16 dólares pela fórmula secreta", brinca Montini. A mistura de vodca, rum, triple sec, Coca-Cola, vinho branco, vinho tinto e grenadine é servida em baldes de 800 mililitros.

No recém-inaugurado The Red Lion, em Moema, o four season's dá para quatro pessoas e tem composição bem diferente: suco de laranja, licor de pêssego, vodca, curaçao blue e groselha. "Vale pela farra que se faz quando bebemos com uma turma de amigos", diz o diretor financeiro Mark Hemingway. No Salamandra, em Pinheiros, o drinque tamanho-família tem vodca, energético, groselha e limão. Já no restaurante Era uma Vez um Chalezinho..., no Morumbi, leva vinho tinto, abacaxi e leite condensado. "Essas invenções surgem principalmente em ambientes jovens e da moda. Em casas tradicionais, os clássicos são insuperáveis", afirma o barman Francisco Celio de Freitas, do Baretto.

Mas é bom tomar cuidado. O médico Antônio Carlos Lopes, professor-chefe da disciplina de clínica médica da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), alerta sobre a necessidade de cada pessoa bebericar com um canudinho diferente para epessoa bebericar com um canudinho diferente para evitar a transmissão de doenças. "Se todos usarem o mesmo canudo, o risco de passar algum vírus pela saliva é grande", afirma. Com as devidas precauções, o drinque coletivo acaba servindo de pretexto para uma paquera. "Como é diferente e chamativo, as pessoas se aproximam para experimentá-lo e começam a puxar conversa", diz a psicóloga Erika Migliano, que aprovou a dupla função da bebida comunitária.

 

ENDEREÇOS

Boogie Disco – Rua Alvorada, 515, Vila Olímpia, 3044-9669; Era uma Vez um Chalezinho... – Rua Itapimirum, 738, Morumbi, 3501-9322; Salamandra – Rua Cardeal Arcoverde, 563, Pinheiros, 3082-9111; The Red Lion – Avenida Cotovia, 327, Moema, 5049-3727.

 

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