Show de horrores

Barulho, sujeira e multiplicação de camelôs
castigam o Ibirapuera nos megaeventos

Alessandro Duarte

 
Fotos Leo Feltran

Domingo 21
Freqüentadores dividem espaço com marreteiros

A prefeitura de São Paulo preparou em março um estudo sobre os principais problemas dos 31 parques municipais. Em relação ao Ibirapuera, o maior e mais visitado de todos eles, o diagnóstico foi claro: os megaeventos que levam milhares de pessoas à Praça da Paz são incompatíveis com o sossego que se espera encontrar por ali. Lixo, barulho, flanelinhas e excesso de público incomodam os usuários e estragam a área verde. A prefeitura até ensaiou cancelar os shows depois que 150.000 pessoas assistiram à apresentação de Roberto Carlos, em janeiro, e deixaram para trás 20 toneladas de lixo. Em abril, no entanto, os grandes shows voltaram. Além das dificuldades usuais, trouxeram mais um contratempo. Os vendedores ambulantes – que nunca foram poucos – estão se multiplicando. Atraídos por centenas de milhares de consumidores, eles levam para o parque tabuleiros com óculos, chapéus, peças de artesanato, comidas e bebidas. "Está impossível caminhar aqui", afirma a arquiteta Lúcia Manzano. "Quando não topamos com os camelôs, temos de desviar dos que ficam olhando os produtos."

 

Domingo 14
Sindicato e rádio reúnem 200 000 pessoas

No domingo passado (21), quando o Skank levou 90.000 pessoas ao parque, mais de 300 ambulantes ocupavam as alamedas do Ibirapuera. E ninguém tem autorização para isso. De acordo com um estudo do Departamento de Parques e Áreas Verdes (Depave), que prepara uma proposta de decreto para liberar os marreteiros em alguns parques da cidade, o Ibirapuera comportaria no máximo 93 vendedores. A situação piora de acordo com o público de cada evento. No dia 14, chegou ao limite. Mais de 200.000 fãs acotovelaram-se para conferir dois espetáculos. O primeiro, com KLB, Família Lima, Vinny, Salgadinho e Alexandre Pires, foi promovido pela Rádio Nativa FM, e o segundo, com Martinho da Vila, pelo Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp). Canteiros, torneiras e vasos sanitários sp). Canteiros, torneiras e vasos sanitários foram destruídos e 24 toneladas de lixo ficaram espalhadas pelos gramados e no lago.

 

Mais de 20 toneladas de lixo no dia 14

Limpeza após a exibição do Skank

Dentro da própria prefeitura há divergências sobre a continuidade desses shows. "A cidade precisa de megaeventos, mas em outros lugares", diz Caio Boucinhas, diretor do Depave. "O Ibirapuera é o melhor espaço para esse tipo de atração", discorda a chefe de gabinete da Secretaria de Cultura, Vera Soares. "É claro que no dia 14 houve excessos, mas não vamos acabar com os espetáculos." Na segunda-feira passada, preocupado com os estragos, o promotor de Justiça do Meio Ambiente Roberto Carramenha enviou um pedido de explicações a diversos órgãos municipais sobre o caso. No Parque do Carmo, os espetáculos para mais de 20.000 pessoas estão proibidos pela Justiça desde outubro de 1998, como resultado dos incidentes ocorridos num show da apresentadora Xuxa com cerca de 200.000 espectadores.

 

VEJA on-line | Veja São Paulo | Veja Rio | Veja Curitiba
Veja BH | Veja Fortaleza | Veja Porto Alegre | Veja Recife
Edições Especiais | Especiais on-line | Estação Veja