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31 de maio de 2006
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DECORAÇÃO

O retorno das estrelas

Na menor edição dos últimos
anos, a vigésima Casa Cor, no
Jockey Club, comemora a volta
de profissionais badalados

Marcella Centofanti

Fotos Fernando Moraes
Sala/bar, de Sig Bergamin: ambiente intimista em tons de inverno Apartamento do futuro, de João Armentano: casa completa em 6 metros quadrados


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A Casa Cor, a mais importante vitrine de decoração do país, viveu seu inferno astral nos últimos dois anos. Em 2004, pendengas judiciais com a prefeitura atrasaram em quatro meses a abertura do evento. No ano passado, numa espécie de boicote coletivo, pelo menos vinte badalados profissionais abriram mão do convite e ficaram de fora. Pois agora a Casa Cor pretende recuperar o brilho do passado. Sua vigésima edição abre as portas ao público a partir da próxima terça-feira (30), no Jockey Club. Voltam à mostra algumas de suas principais estrelas, como Sig Bergamin, João Armentano, Roberto Migotto, Ana Maria Vieira Santos e Léo Shehtman. Depois de vários anos de ausência, João Mansur e Jorge Elias também retornaram. Ao todo, haverá 63 ambientes e 77 arquitetos, decoradores e paisagistas.

Trata-se da menor edição dos últimos cinco anos. "Retomamos o tamanho clássico e trouxemos de volta nomes tradicionais", diz Roberto Dimbério, diretor da Casa Cor. A mostra ocupa o prédio de 4 000 metros quadrados que abrigava a fisioterapia, a sauna e o salão de beleza do Jockey. A área destinada ao paisagismo terá mais 2 600 metros quadrados. Desta vez, de modo geral, o evento está mais conservador, a começar pelos nomes dos ambientes. À diferença de anos anteriores, não há espaços como loft do jovem publicitário, gazebo balinês ou luggage room (algo como quarto para guardar malas, em inglês). O mais inesperado é a suíte do casal, transformada em apartamento do futuro por João Armentano. Ali, uma surpreendente caixa branca de 6 metros quadrados oculta um dormitório, uma cozinha, um banheiro, uma sala e um escritório. Armentano, evidentemente, não espera que ninguém viva num espaço tão compacto. "É uma crítica", avisa. "Quero provar que as pessoas não precisam morar em casas com várias salas de estar e banheiros enormes."

 
Quarto do bebê, de Maria Antonia Magalhães e Marina Teixeira: proposta para gêmeos

Para convencer João Armentano e demais estrelas a retornar, Roberto Dimbério fez uma peregrinação ao escritório de cada um, ao longo de vários meses. Ouviu sugestões e queixas. O tamanho do evento e a entrada de novatos foram as principais reclamações. Nos últimos tempos, a mostra esteve maior do que muitos decoradores consideram o ideal. A edição de 2003, no Hospital Matarazzo, recordista com 111 ambientes, causou discórdia. A escolha dos locais também é motivo de tititi. Participantes antigos acham que a Casa Cor deveria ser promovida em mansões dos Jardins e do Morumbi. "O evento perdeu o glamour e virou uma feira", cutuca Oscar Mikail, que participou doze vezes e não entrou neste ano. Ele jura que foi por decisão própria, mas a organização garante que o convite simplesmente não foi enviado. "O galpão do ano passado parecia um trem-fantasma", acredita Mikail.

 

Praça Skyline, de Gilberto Elkis: 1 300 metros quadrados e 110 lugares para sentar

Brunete Fraccaroli, veterana de dezessete edições, também não foi chamada. "A Casa Cor sempre foi um laboratório de idéias para mim", diz. "Eu gostaria de estar lá, mas infelizmente não deixaram." Como sempre acontece, houve quem desistisse por não ter recebido o ambiente desejado. Desta vez, foi o caso de Haroldo de Barros Rodrigues, que queria uma das salas. "Banheirinho é que eu não ia fazer", desdenha ele. Não, agradar a tantos egos não é tarefa fácil. "Trabalho num olimpo repleto de deuses e semideuses", suspira Dimbério. Em parte por isso mesmo, a Casa Cor rende comentários e continua a fazer sucesso.

 

Living, de Roberto Migotto: inspiração contemporânea e vista para a pista do hipódromo

Casa Cor 2006. Jockey Club. Avenida Lineu de Paula Machado, 775, portão 6-A, Cidade Jardim, 3819-7955. Terça a domingo, 12h às 21h. R$ 30,00 (ter. a sex.) e R$ 35,00 (sáb., dom. e feriados). Meia-entrada para estudantes e pessoas com mais de 60 anos. Grátis para menores de 10 anos. Até 9 de julho. A partir de terça (30). Estac. c/manobr. (R$ 15,00). www.casacor.com.br.

     
   
 
 
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