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DECORAÇÃO
O retorno das estrelas Na menor edição dos
últimos anos, a vigésima Casa Cor, no Jockey Club, comemora
a volta de profissionais badalados Marcella Centofanti
Fotos
Fernando Moraes
 |  | | Sala/bar,
de Sig Bergamin: ambiente intimista em tons de inverno | Apartamento
do futuro, de João Armentano: casa completa em 6
metros quadrados |
A Casa Cor, a mais importante vitrine de decoração
do país, viveu seu inferno astral nos últimos dois anos. Em 2004,
pendengas judiciais com a prefeitura atrasaram em quatro meses a abertura do evento.
No ano passado, numa espécie de boicote coletivo, pelo menos vinte badalados
profissionais abriram mão do convite e ficaram de fora. Pois agora a Casa
Cor pretende recuperar o brilho do passado. Sua vigésima edição
abre as portas ao público a partir da próxima terça-feira
(30), no Jockey Club. Voltam à mostra algumas de suas principais estrelas,
como Sig Bergamin, João Armentano, Roberto Migotto, Ana Maria Vieira Santos
e Léo Shehtman. Depois de vários anos de ausência, João
Mansur e Jorge Elias também retornaram. Ao todo, haverá 63 ambientes
e 77 arquitetos, decoradores e paisagistas. Trata-se
da menor edição dos últimos cinco anos. "Retomamos o tamanho
clássico e trouxemos de volta nomes tradicionais", diz Roberto Dimbério,
diretor da Casa Cor. A mostra ocupa o prédio de 4 000 metros quadrados
que abrigava a fisioterapia, a sauna e o salão de beleza do Jockey. A área
destinada ao paisagismo terá mais 2 600 metros quadrados. Desta vez, de
modo geral, o evento está mais conservador, a começar pelos nomes
dos ambientes. À diferença de anos anteriores, não há
espaços como loft do jovem publicitário, gazebo balinês ou
luggage room (algo como quarto para guardar malas, em inglês). O mais inesperado
é a suíte do casal, transformada em apartamento do futuro por João
Armentano. Ali, uma surpreendente caixa branca de 6 metros quadrados oculta um
dormitório, uma cozinha, um banheiro, uma sala e um escritório.
Armentano, evidentemente, não espera que ninguém viva num espaço
tão compacto. "É uma crítica", avisa. "Quero provar que as
pessoas não precisam morar em casas com várias salas de estar e
banheiros enormes."  | | Quarto
do bebê, de Maria Antonia Magalhães e Marina Teixeira: proposta para
gêmeos |
Para convencer João
Armentano e demais estrelas a retornar, Roberto Dimbério fez uma peregrinação
ao escritório de cada um, ao longo de vários meses. Ouviu sugestões
e queixas. O tamanho do evento e a entrada de novatos foram as principais reclamações.
Nos últimos tempos, a mostra esteve maior do que muitos decoradores consideram
o ideal. A edição de 2003, no Hospital Matarazzo, recordista com
111 ambientes, causou discórdia. A escolha dos locais também é
motivo de tititi. Participantes antigos acham que a Casa Cor deveria ser promovida
em mansões dos Jardins e do Morumbi. "O evento perdeu o glamour e virou
uma feira", cutuca Oscar Mikail, que participou doze vezes e não entrou
neste ano. Ele jura que foi por decisão própria, mas a organização
garante que o convite simplesmente não foi enviado. "O galpão do
ano passado parecia um trem-fantasma", acredita Mikail.  | | Praça
Skyline, de Gilberto Elkis: 1 300 metros quadrados e 110 lugares
para sentar |
Brunete Fraccaroli,
veterana de dezessete edições, também não foi chamada.
"A Casa Cor sempre foi um laboratório de idéias para mim", diz.
"Eu gostaria de estar lá, mas infelizmente não deixaram." Como sempre
acontece, houve quem desistisse por não ter recebido o ambiente desejado.
Desta vez, foi o caso de Haroldo de Barros Rodrigues, que queria uma das salas.
"Banheirinho é que eu não ia fazer", desdenha ele. Não, agradar
a tantos egos não é tarefa fácil. "Trabalho num olimpo repleto
de deuses e semideuses", suspira Dimbério. Em parte por isso mesmo, a Casa
Cor rende comentários e continua a fazer sucesso.  | | Living,
de Roberto Migotto: inspiração contemporânea
e vista para a pista do hipódromo |
Casa
Cor 2006. Jockey Club. Avenida Lineu de Paula Machado, 775, portão
6-A, Cidade Jardim,
3819-7955. Terça a domingo, 12h às 21h. R$ 30,00 (ter. a sex.) e
R$ 35,00 (sáb., dom. e feriados). Meia-entrada para estudantes e pessoas
com mais de 60 anos. Grátis para menores de 10 anos. Até 9 de
julho. A partir de terça (30). Estac. c/manobr. (R$ 15,00). www.casacor.com.br.
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