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Fotos álbum de família

Sandra,
com seu cavalo "Oceano", no haras onde foi morta no domingo,
o revólver calibre 38 e Pimenta: sexo, ciúme e
assassinato |
Veja
também |
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A trágica história do poderoso
jornalista
metódico e reprimido que
se tornou um homem obcecado
e matou a namorada
Caco
de Paula*
Ele era metódico,
certinho e muito sério. Sempre foi também um pouco
mitômano, ciclotímico e dado a fazer intrigas entre
os amigos. De alguns anos para cá, o jornalista Antonio Marcos
Pimenta Neves, 63 anos, diretor de redação de O
Estado de S. Paulo, um dos maiores e mais influentes jornais
do país, já dava sinais de alteração.
Mas nada nem de longe comparável ao estado de obsessão
que o acometeu nos últimos meses. Alugou um apartamento defronte
ao da namorada, para vigiá-la pelo vão da janela.
Mantinha motoristas seguindo-a onde quer que fosse. Depois de uma
briga, invadia a casa dela e se escondia, só de pijama, atrás
da cortina. Mandou-lhe um e-mail dizendo que já sabia tudo
sobre o amante que, na sua cabeça, tinha certeza de existir.
Quando rompia o namoro, dava tapas e pedia os presentes de volta.
Se alguém quisesse ajudá-la, tentava se vingar dessa
pessoa. Falava de suas questões pessoais com qualquer estranho
que surgisse. Pimenta Neves chegou ao ponto mais crítico
e assustador de suas obsessões no domingo passado, ao assassinar
com dois tiros a jornalista Sandra Florentino Gomide, 32 anos, que
ele demitira do jornal cinco semanas antes. Deu-lhe dois tiros,
um nas costas e outro, à queima-roupa, no ouvido. Puxou o
gatilho a uma distância de 20 centímetros da cabeça
da moça.
Desde 1996 mantinham
um romance conturbado, cheio de idas e vindas. Nas últimas
semanas, depois que ela rompeu definitivamente com ele e recusou
todos os seus pedidos para voltar, Pimenta mostrou-se um homem descontrolado.
Do homem refinado e gentil, como é definido pelos amigos,
aflorou um impulsivo que nem os mais próximos reconheceriam.
Pimenta Neves
impressionava pelo currículo imponente e era o tipo do sujeito
que ninguém imaginaria com um revólver na mão
dando dois tiros na namorada. Em alguns pontos, o casal parecia
unir-se mais pelas diferenças do que pelas afinidades. A
começar pela idade, um fosso de 31 anos. No início,
eles pertenciam a dois mundos distintos. Sandra, filha de
um mecânico de automóveis da Vila Mariana, rodava pela
cidade em um Fusquinha mais velho que ela no começo dos anos
90. Na mesma época, Pimenta morava com a mulher, a americana
Carol, funcionária da Smithsonian Institution, e as filhas
gêmeas, hoje com 28 anos, em uma bela casa nos arredores de
Washington. Sandra estudava jornalismo na Cásper Líbero.
Pimenta, então com mais de trinta anos de profissão,
era assessor do Banco Mundial e interlocutor de autoridades econômicas.
Ele criava cavalos. Ela, vira-latas.
Álbum de família
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"Cometi
uma insensatez pela qual tenho de pagar. Destruí duas
vidas, a de Sandra e a minha, num momento de pânico."
Antonio Pimenta Neves, em bilhete para suas filhas |
Seus mundos
ainda eram distantes em 1995, quando Pimenta voltou ao Brasil para
dirigir a Gazeta Mercantil, onde Sandra era repórter.
Ele providenciaria a aproximação com Sandra e, em
seguida, daria início à separação de
Carol. Ex-colegas lembram que os dois começaram a namorar
e, logo depois, Pimenta a promoveu a repórter especial. Romperam,
ele a transferiu para uma função destinada a aprendizes.
Ela se recusou e pediu férias. Ele não deu. Reataram.
Ela então pôde entrar em férias, das quais voltou
já promovida a editora de um caderno de empresas. Se um caso
entre chefe e subordinada já é complicado, esse namoro
se mostraria ainda mais delicado em razão do ciúme
de Pimenta. Ninguém duvida de que os dois se gostavam. Brigavam
e reatavam. Ele a manipulava com a hierarquia da redação.
Ela, nos intervalos, explorava o tal fosso de 31 anos, aproximando-se
de colegas de sua própria idade. Isso o desesperava. Ela
mesma dizia a amigos: "Só duas pessoas têm influência
sobre o Pimenta. A irmã, que tem muita, e eu, que tenho pouca".
Os freqüentes rompantes de Pimenta contribuíam para
dar um clima mórbido à relação. Na Gazeta
tornaram-se folclóricas algumas histórias da obsessão
do jornalista. Certa vez, com a ajuda de um policial rodoviário,
Sandra flagrou um motorista do jornal que, a mando do diretor, a
seguia durante uma viagem a Santos.
O garoto que
cresceu em Araraquara, no interior do Estado, ao lado de amigos
que também se tornariam famosos, como o escritor Ignácio
de Loyola Brandão e o dramaturgo José Celso Martinez
Corrêa, carregou durante toda a adolescência o apelido
de "Peru". Tímido, corava por qualquer motivo. "Ele sempre
foi o certinho da turma, começou a carreira cedo e nunca
tomou um porre ou passou a noite na rua", conta Zé Celso.
"Talvez por isso não tenha sabido lidar com a paixão
depois de velho." Características próximas ao "certinho
da turma", como "calvinista", "puritano" e "intransigente", são
apontadas por certos colegas para definir o comportamento ciclotímico
de Pimenta ora um diretor competente, um cavalheiro bem-humorado,
ora alguém com dificuldade de perceber que não é
exatamente o centro do universo. Esse traço de ególatra
que, no limite, parece incapaz de perder, ceder, negociar ajuda
a explicar alguns de seus desacertos. Tanto na vida profissional
quanto na pessoal tragicamente embaralhadas.
Na vida profissional,
tome-se o caso de sua última passagem pela própria
Gazeta Mercantil, jornal que tem uma feição
gráfica tão ortodoxa e aparentemente imutável
quanto a embalagem de Maizena. Pois, em 1997, Pimenta resolveu mudar
esse estilo, sozinho, sem consultar ninguém abaixo ou acima
dele. No dia seguinte, o diretor-presidente do jornal, Luiz Fernando
Levy, obrigou-o a voltar atrás. Foi apenas uma gota d'água
em uma relação que transbordava de tropeços.
Pimenta levou a uma reunião com a presença de integrantes
da família que controla a empresa um pedido exótico.
Sugeriu nada menos que o afastamento de Luiz Fernando o que
equivaleria a um executivo da Globo ir a Roberto Marinho pedir a
cabeça de um de seus filhos.
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"Eu
não casaria mais com ele, pois estou cansada de suas
maluquices."
Sandra Gomide, falando a seu pai, na véspera de sua
morte
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Álbum de família

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Quem saiu foi
o próprio Pimenta. Transferiu-se para a direção
de redação de O Estado de S. Paulo, trocando
a família Levy pela Mesquita, o bairro de Santo Amaro por
uma sala no 6º andar do prédio do Estadão,
na Marginal Tietê. No final de 1997, Antonio Marcos Pimenta
Neves assumiu como diretor adjunto de redação e, no
início de 1999, com a saída de Aluízio Maranhão,
foi efetivado como diretor. Passava a ser seu um dos postos mais
importantes e bem pagos da imprensa brasileira. Ironicamente, o
astrólogo Oscar Quiroga não pôde prever que
seria o primeiro demitido de uma lista de dezenas, uma das primeiras
providências do novo diretor. O jornalista Moisés Rabinovici,
amigo antigo, teria igualmente sua cabeça cortada e, em retribuição,
cunharia o epíteto "O abominável pimenta das neves".
A cada demissão de peso, o diretor repetiria que quem saía
não faria falta, pois ele poderia fazer o jornal sozinho.
Jayme de Carvalho Jr//Folha Imagem

O
pai da jornalista chora no enterro: dois tiros pelas costas
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Chegou-se a criar no Estadão uma espécie de
bolsa de apostas para saber quando Sandra seria trazida para a redação.
Ele a definia como uma das melhores jornalistas brasileiras especialistas
em economia. "Com grande capacidade para entender tanto o micro
quanto o macro", recitou repetidas vezes. Em meados de 1998 ela
desembarcou na redação como repórter especial,
e depois foi promovida a editora. Em maio deste ano, Sandra, quando
fazia reportagens sobre as empresas de Wagner Canhedo na América
Latina, viajou para Quito, capital do Equador. Lá conheceu
Jaime Mantilla Anderson, proprietário do jornal Hoy,
um aristocrata local, bem vestido, com aproximadamente 50 anos,
loiro, olhos claros. Segundo revelam um amigo muito próximo
de Sandra e também o irmão dela, Nilton, os dois se
apaixonaram. De volta ao Brasil, ela passou a trocar e-mails com
o equatoriano. Segundo seu relato, "rolou um clima" entre eles.
Nada além disso. Mantilla, membro do comitê executivo
da Sociedade Interamericana de Imprensa, confirma ter se encontrado
com Sandra, mas apenas para ajudá-la a conseguir algumas
entrevistas, negando a existência de qualquer envolvimento
amoroso.
Seja qual tenha
sido a intensidade da relação entre Jaime e Sandra,
ela chegou ao conhecimento de Pimenta. Os e-mails estariam no computador
recolhido da casa da jornalista, que já começaram
a ser analisados pelo Instituto de Criminalística. Os laudos
estão prometidos para esta semana. A polícia trabalha
ainda com a possibilidade de que Pimenta tenha tido acesso a gravações
de telefonemas, nos quais ela fala de Jaime.
Nilton, o irmão
da moça assassinada, conta que um dos e-mails que estão
com a polícia é uma ameaça, na qual Pimenta
Neves pede de volta presentes que deu a ela e faz uma referência
velada à relação com o equatoriano: "Faltam
algumas peças de lã, lingerie, e você não
hesite em me dar essas peças, pois eu não tenho limites",
diz a mensagem, segundo Nilton. "Você pode continuar fazendo
suas viagens turísticas com o equatoriano, porque continuará
na posição de p... barata na qual sempre esteve."
De acordo com
um amigo próximo, ela procurou Pimenta e propôs a enésima
separação, dizendo que não queria mais se relacionar
com ele. "Vamos dar um tempo e a gente volta a qualquer hora", pediu.
Desde o início de maio, Pimenta andava muito transtornado.
Pouco tempo antes, sofrera em ferimento no nervo ótico do
olho direito, ao bater o rosto na cabeça de um cavalo durante
uma cavalgada. Lia tudo com muita dificuldade, pois era preciso
aproximar o papel a 5 centímetros do olho. Na redação,
todos percebiam que ele estava mais tenso e mal-humorado que de
costume. Sandra foi demitida do jornal em 7 de julho. No dia 10,
fez o chamado exame demissional, no qual os funcionários
que saem da empresa respondem a um questionário. Duas semanas
depois, todos os executivos e editores do jornal foram convocados
por Pimenta para uma reunião no auditório do prédio.
"Estão circulando muitos boatos a meu respeito", disse. Afirmou
que era um homem transparente e começou a ler o relatório
demissional no qual Sandra afirmava ter sido mandada embora em virtude
do rompimento do relacionamento que tinha com ele. Não disse
claramente, mas insinuou que a jornalista estaria recebendo propina
da Vasp. Em seguida, exibiu à audiência uma folha de
papel. Afirmou tratar-se de uma carta assinada por ele próprio
e por Ruy Mesquita, diretor do jornal, acrescentando que Sandra
fora incompetente como repórter especial e como editora e
que, portanto, não poderia ocupar nenhum cargo no Grupo Estado.
Pimenta
em Ibiúna: com a mãe da vítima
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Fernão
Mesquita, filho de Ruy, nega que seu pai tenha assinado a carta
e chega a duvidar de sua existência. Quem acompanhava a trajetória
de Pimenta em O Estado sabe que, por mais de uma vez, ele
já havia pedido demissão. A última foi em 28
de julho, quando, segundo Ruy Mesquita, o jornalista já vivia
"sua crise trágica de desintegração mental".
Diante dos problemas de saúde, Pimenta disse a Ruy:
Estou
te enganando, pois já não tenho as especificações
técnicas para o exercício da função.
Você
precisa se tratar respondeu Ruy, sugerindo que procurasse
um psiquiatra.
Segundo Ruy
Mesquita, Pimenta aceitou a sugestão e pediu a indicação
de um terapeuta. Ligaram para ele e a consulta foi marcada para
o dia seguinte. Na quarta-feira passada, Mesquita telefonou para
o médico e soube que Pimenta havia comparecido a dez sessões.
Isso não impediu que passasse os dias seguintes movendo uma
espécie de cruzada contra sua ex-namorada, ex-repórter
e ex-editora. Naquela mesma semana, quando circulou nos meios jornalísticos
que ele havia pedido demissão e voltado atrás, um
amigo antigo, que dirige outra redação, ligou para
parabenizá-lo e dizer que a decisão fora acertada.
Pimenta agradeceu e, para surpresa de seu interlocutor, se disse
muito decepcionado com Sandra e pediu que o amigo não lhe
desse emprego.
Na noite de
5 de agosto, ao chegar em casa, perto das 21 horas, Sandra surpreendeu-se
ao encontrar seu apartamento todo revirado. Chegou a pensar em assalto,
mas acabou encontrando Pimenta escondido atrás de um armário,
no seu pequeno escritório. Ele sacou uma arma calibre 38
e a apontou para a cabeça dela. Levou-a ao outro quarto,
jogou-a na cama e, sob uma saraivada de palavrões, estapeou-a
duas vezes com as costas da mão. O telefone tocou e Sandra
correu para atendê-lo. Era seu pai. Pimenta, assustado, foi
embora. Ela registrou essa queixa na polícia, mas deixou
um pedido para que as investigações não prosseguissem,
talvez acreditando que apenas o boletim de ocorrência fosse
suficiente para assustar o ex-namorado. Esse erro lhe custaria a
vida. A polícia não foi adiante na investigação.
No jornal, Pimenta começaria a fazer de tudo não só
para evitar que Sandra conseguisse outro emprego como também
para vetar a publicação de notícias que eventualmente
pudessem partir de amigos dela. Entre vários outros casos,
mandou jogar no lixo uma reportagem sobre o festival de música
da TV Globo, que seria capa do suplemento Telejornal do último
dia 20, apenas porque uma funcionária da emissora se mostrara
solidária a Sandra.
Mário Rodrigues
O
apartamento de Sandra: ele se escondeu atrás do armário
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Muito tensa
e preocupada, Sandra procurou relaxar no último final de
semana com a sua diversão preferida, os cavalos. Ela tinha
uma égua na hípica em São Paulo e o manga-larga
Oceano num haras em Ibiúna, que havia tempos freqüentava
junto com Pimenta. Perto dali, seu pai tem uma pequena chácara,
que ela ajudou a comprar. Curiosamente, por mais tensas que estivessem
as relações, Pimenta foi à casa da família
dela e todos almoçaram juntos, no sábado. Na manhã
seguinte, Pimenta levou pães para a casa de Sandra logo cedo.
Depois foi ao haras, onde cavalgou até perto das 11 horas.
Chegou a despedir-se do dono do haras e saiu em seu Renault Clio,
mas voltou um tempo depois. Por volta das 2 horas Sandra chegou
em sua caminhonete S-10, junto com duas sobrinhas. As meninas foram
para a horta. Sandra, para a selaria. Pimenta subiu uma rampa e
a encontrou. Segundo disse o próprio jornalista em seu depoimento
à polícia, na última quinta-feira, ele a pegou
pelo braço, pedindo que entrasse no carro. Explicou que queria
entender por que ela não estava querendo conversar com ele.
Conforme Antônio Cláudio Mariz de Oliveira, advogado
dele, Pimenta queria saber o motivo da falta de interesse de Sandra
pelo estado de saúde de uma de suas filhas, que teve recente
diagnóstico de câncer. Ainda segundo Mariz, ela teria
dito que isso não lhe interessava. Foi nesse momento
de acordo com a versão do advogado que ele sacou o
revólver e atirou.
Quando os funcionários
chegaram, encontraram Sandra morta, com dois tiros pelas costas:
no ombro direito e na região do ouvido esquerdo. Pimenta
foi visto saindo com o Renault Clio.
Perto das 15
horas, ligou para a redação do jornal e travou o seguinte
diálogo com um editor:
Eu atirei
na Sandra.
O quê?
Não brinca.
Verdade,
ela estava falando mal do jornal.
Poucas pessoas
encontram amigos numa situação como a de Pimenta Neves,
depois do assassinato. Ao contrário do que faria a maioria,
o publicitário Enio Mainardi o acolheu em um apartamento
que tem no Morumbi. Dormiram. Na segunda-feira, de acordo com Mainardi,
as conversas do jornalista alternavam-se entre lucidez e choro.
Na terça, Mainardi encontrou Pimenta Neves desacordado. No
chão, havia um bilhete de suicida que o jornalista endereçara
às filhas: "Quero que compreendam o que estou prestes a fazer
como um ato de amor por vocês, uma reparação
pelo mal que lhes causei". Tomara uma cartela com dez comprimidos
de Frontal (1 mg) e duas de Lexotan (3 mg), cada qual com dez comprimidos
também. "Há uma suspeita generalizada de que essa
internação foi um artifício, e não uma
verdadeira tentativa de suicídio", disse Luiz Flávio
Gomes, advogado da família da moça assassinada. Na
quinta-feira, Pimenta prestou depoimento no próprio hospital.
Disse que Sandra o traiu profissional e pessoalmente. Parecia estar
bem recuperado, pois no seu bom e velho estilo imperial deu uma
bronca nos policiais, como se fossem seus subordinados.
*
Com reportagem de Ana Paula Dutra, Luísa Alcalde,
Lúcia Monteiro, Pedro Biondi e Raul Juste Lores

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