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28 de setembro de 2005
CARTA AO LEITOR
RESTAURANTES
BARES
COMIDINHAS
CRÔNICA
  

BARES

LAPA/POMPÉIA
BROOKLIN/CAMPO BELO MOEMA
CANTAREIRA/SANTANA MOOCA/TATUAPÉ
CIDADE JARDIM/JAGUARÉ MORUMBI/SANTO AMARO
PACAEMBU/PERDIZES
IPIRANGA/VILA MARIANA PINHEIROS/VILA MADALENA
ITAIM BIBI VILA OLÍMPIA

 

IPIRANGA/VILA MARIANA

Bar da Vila – Foi um dos primeiros a surgir no mais agitado quarteirão da Joaquim Távora, que hoje abriga outros cinco bares. Mesmo sem grandes diferenciais, mantém um público cativo. O escurinho ambiente interno é o predileto dos casaizinhos, enquanto as turmas concentram–se nas mesinhas da calçada. Prepara um saboroso sanduíche de carne louca na baguete (R$ 11,00), temperado com tomate, cebola, pimentão, azeitona e ervas. De quinta a sábado, MPB ao vivo.
Rua Joaquim Távora, 1322, Vila Mariana, 5539–4887. 17h/1h (sáb. a partir das 12h; dom. 12h/0h). Cc.: todos. Cd.: M, R e V. Cr.: T. T.: todos. Couvert art.: R$ 3,50 (qui. a sáb. a partir das 20h). Estac. c/manobr. (R$ 7,00). www.bardavila.com.br.

Bar do Luiz Nozoie – Quando abriu o boteco, em 1962, Luiz Nozoie preparava sorvetes atrás do balcão. A experiência serviu para que ele transformasse sua antiga máquina de fazer gelados num tanque para resfriar as cervejas. As garrafas são mergulhadas numa solução de água e sal grosso, numa temperatura de até 20 graus negativos, e saem trincando de lá quinze minutos depois. Para acompanhar, há deliciosas frituras vendidas por unidade, como os rissoles de massa fina e crocante (carne, queijo e camarão com catupiry; R$ 1,20 cada um) e os espetinhos empanados de peixe–espada (R$ 2,50 a unidade), pescados pelo próprio Luiz, às segundas–feiras, no Guarujá.
Avenida do Cursino, 1210, Jardim da Saúde, 5061–4554. 18h/23h (sáb. 12h/19h; fecha dom.). Cc.: todos. Cd.: M, R e V. Estac. no nº 1274 (R$ 1,00 a primeira hora). www.bardoluiznozoie.com.br.

Bar do Magrão – Os clientes foram levando objetos de todo tipo: luvas de boxe, um par de sapatos de palhaço, relógios de parede e brinquedos. Magrão, o dono, dava um jeito de encaixá–los na decoração. Até uma imitação de múmia, resquício de uma festa de Halloween, entrou na dança. Compôs–se, assim, o pitoresco visual do boteco. De um ano para cá, o cardápio passou a contar com uma boa oferta de cervejas belgas, como a Triple Karmeliet (R$ 25,00, 330 mililitros) e a Maredsous 8 (R$ 22,00, 330 mililitros). Anexo ao local, funciona uma tratoria, que pertence à mulher do proprietário.
Rua Agostinho Gomes, 2988, Ipiranga, 6161–6649. 17h/0h (sáb., dom. e feriados a partir das 12h; fecha seg.). Cc.: D, M e V. Cd.: M, R e V. www.bardomagrao.com.br.

Bar do Nico – Ex–gerente do célebre Léo, Milton Di Francesco divide a sociedade da casa com o delegado Oswaldo Gonçalves, o Nico (aquele que deu voz de prisão ao zagueiro argentino Leandro Desábato no Morumbi, acusado de racismo contra o são–paulino Grafite). Num casarão de esquina, eles montaram em 2000 um dos melhores bares do Ipiranga. Brilham no cardápio os bolinhos de bacalhau (R$ 4,30 a unidade) e de arroz recheado com provolone (R$ 3,50), além de canapés como o de patê de fígado com salsichão (R$ 15,00 a porção). Na última visita, o cremoso chope (Brahma) melhorou bastante em relação ao ano passado.
Rua Moreira e Costa, 538, Ipiranga, 273–4811. 12h/0h (dom. e feriados até 17h; seg. a partir das 16h). Cc.: V. Cd.: V. Cr.: S e V. T.: todos. Manobr. (R$ 7,00).

Barxaréu – Um autêntico boteco, foi aberto há catorze anos pelo ex–representante comercial Paulo Meirelles, o simpático Paulinho. Próximo dali, o prédio de pós–graduação da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) abastece boa parte das mesas de clientes, não raro com livros e cadernos embaixo do braço. Especialidade da cozinha, os bolinhos de abóbora com carne–seca (R$ 12,00 a porção) fazem dupla de ataque com cervejas em garrafa de 600 mililitros.
Rua Joaquim Távora, 1150, Vila Mariana, 5539–2444. 17h/1h (sáb. até 0h; dom. até 23h). Cc.: D, M e V. Cd.: M, R e V.

Genuíno – Acolhe estudantes, casais e turmas de variadas idades. Nas noites quentes, acirra–se a disputa pelas mesinhas externas, posicionadas no arborizado quintal dos fundos. O caprichado chope (Brahma) chega com regulamentares três dedos de colarinho. Nas tardes de sábado, o pessoal pode avançar no bufê de feijoada (R$ 27,50 por pessoa) e ouvir chorinho ao vivo.
Rua Joaquim Távora, 1217, Vila Mariana, 5083–4040. 17h/1h (sáb. a partir das 12h; dom. a partir das 16h). Cc.: D, M e V. Cd.: M, R e V. Cr.: T e V. T.: todos. Manobr. (R$ 8,00). www.genuinochopp.com.br.

Jabuti – Vizinha do imponente prédio do Instituto Biológico, a choperia aberta na década de 60 parece avessa à passagem dos anos. O salão de grandes janelas, os garçons veteranos e os frutos do mar expostos numa vitrine refrigerada compõem sua quase imutável atmosfera. Para acompanhar o chope geladinho (Brahma), há uma extensa lista de tira–gostos, como bolinho de bacalhau (R$ 3,00 a unidade), casquinha de siri (R$ 6,00) e patinhas de caranguejo empanadas (R$ 30,00 a porção).
Avenida Conselheiro Rodrigues Alves, 1315, Vila Mariana, 5549–8304. 10h/1h (dom. até 17h). Cc.: todos. Cd.: M, R e V. Cr.: S e V. T.: todos.

A Juriti – É um botequim de verdade, não uma imitação. Tem balcão de padaria, ambiente para lá de simples e senhores bebendo em pé enquanto discutem futebol. Inaugurado há quase cinqüenta anos numa travessinha da Avenida Lins de Vasconcelos, prepara a famosa calabresa joana d'arc (R$ 10,00), assada num fogareiro a álcool e servida com molho inglês e vinagrete. Outra especialidade da casa é a batida de amendoim (R$ 5,00).
Rua Amarante, 31, Cambuci, 3207–3908. 8h/0h (dom. e feriados até 16h; fecha seg.). Cc.: V. Cd.: V. Estac. na Avenida Lins de Vasconcelos, 1048 (R$ 4,00 por três horas).

Olinda Prudência – Isolado numa rua residencial do Cambuci, o amigável boteco ocupa uma casa de esquina construída em 1913. Na reforma, os proprietários mantiveram o piso de ladrilho hidráulico, os janelões de madeira e outros vestígios da época. Descobriram ainda, sob camadas de tinta nas paredes, pinturas decorativas atribuídas a Alfredo Volpi, que morava próximo dali. A generosa caipirinha, servida em caneca de ágata, é boa pedida. Aos sábados, faz feijoada na cumbuca (R$ 25,00, para dois) com roda de samba ou MPB ao vivo – às vezes em volume além do ideal.
Rua Gama Cerqueira, 86, Cambuci, 3277–6536. 17h/23h (sáb. 12h/20h; fecha dom. e seg.). Cd.: V. Couvert art.: R$ 3,00 a R$ 5,00 (sex. a partir das 18h; sáb. a partir das 14h).

Paralelo 12:27 – Chegou ao quarteirão mais agitado da Vila Mariana no início do ano. Seu principal chamariz é servir o bom chope artesanal Eisenbahn, fabricado em Blumenau (SC) e difícil de ser encontrado na cidade. Além das opções pilsen (clara) e dunkel (escura), oferece também a versão à base de malte de trigo (R$ 3,90, copo de 400 mililitros), ainda melhor. Para bebericá–lo, prefira a varanda da entrada, menos barulhenta que os dois salões internos. Cerca de noventa rótulos de cachaça completam o menu etílico. O curioso nome do bar não passa de uma brincadeira com o número do sobrado que ocupa, 1227.
Rua Joaquim Távora, 1227, Vila Mariana, 5579–1227. 17h/1h (sáb. a partir das 12h; fecha seg.). Cc.: D, M e V. Cd.: M, R e V. Estac. c/manobr. (R$ 8,00). www.paralelo1227.com.br.

Paróquia – Foi aberto no ano passado por sócios do Genuíno e do Barxaréu, ambos na mesma rua. O imóvel de esquina, com teto sem forro e pé–direito alto, pertencia a uma antiga mercearia. No cardápio destacam–se as porções à base de frutos do mar, entre elas marisco lambe–lambe (R$ 15,00), iscas de badejo empanadas (R$ 22,00), lula à provençal (R$ 19,00) e camarão médio ao alho e óleo (R$ 25,00). Serve um chopinho correto (Brahma), de colarinho generoso.
Rua Joaquim Távora, 1139, Vila Mariana, 5572–7071. 17h/0h (qui. a sáb. até 1h; sáb. a partir das 12h). Cc.: todos. Cd.: M, R e V. Cr.: V. T.: todos. Estac. no nº 1151 (R$ 8,00).

Porto–Brazil – Na rua da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) e da Faculdade de Belas–Artes, o boteco atrai universitários e também um público mais adulto, que mora ou trabalha no pedaço. Um chopinho razoável (Brahma) embala o bate–papo da moçada. Na última visita realizada, porém, a cozinha derrapou. A porção de chawarma de frango (R$ 9,90), feita naquele forno elétrico giratório do popular churrasquinho grego, estava seca e engordurada. Vinte tipos de pimenta caseira ficam disponíveis para incrementar os bolinhos, entre elas a perfumada cumari e a poderosa malagueta.
Rua Doutor Álvaro Alvim, 210, Vila Mariana, 5549–3442. 17h/último cliente (sáb. e feriados a partir das 11h; dom. 11h/17h; fecha seg.). Cc.: D, M e V. Cd.: M, R e V. www.portobrazil.com.br.

Santa Clara Batataria – Típica da cozinha suíça, a batata rösti brilha no cardápio dessa nova casa, aberta em abril. O menu oferece dezesseis opções de recheio, entre elas requeijão com bacon (R$ 14,00, a pequena; R$ 15,50, a média) e tomate com mussarela e manjericão (R$ 11,50 e R$ 13,00), ambas saborosas. Nas noites de quinta a domingo, duos e trios de jazz e bossa nova instrumental embalam o ambiente. Os garçons, um tanto desatentos, abastecem as mesas com cervejas em garrafa de 600 mililitros.
Rua Áurea, 361, Vila Mariana, 5575–9504. 18h/0h (sex. e sáb. até 1h; fecha seg.). Cc.: D, M e V. Cd.: M, R e V. Couvert art. (qui. a dom. a partir das 20h30): R$ 2,50.

Veloso – Vizinho à conhecida caixa–d'água da Vila Mariana, o novo e simpático boteco tem localização privilegiada. Suas mesinhas dão vista para um largo de paralelepípedos com aspecto interiorano e lugares de sobra para estacionar o carro. Atrás do balcão, o solícito Souza prepara coquetéis como poucos na cidade. Prove seu bloody mary ou sua caipirinha e tente não pedir repeteco. Os caseiros bolinhos de carne (R$ 8,50, a porção) e as coxinhas de frango (R$ 8,50, seis unidades) são os hits da cozinha. Levinho, o chope (Brahma) chega à mesa em tulipa de espessura fina.
Rua Conceição Veloso, 56, Vila Mariana, 5572–0254, Metrô Ana Rosa. 17h30/1h (sáb. a partir das 13h; dom. 15h/22h; fecha seg.). Cc.: D, M e V. Cd.: M, R e V.

 

O BARMAN DO ANO


Souza, do Veloso: coquetéis equilibrados e uma impecável caipirinha

Souza – O piauiense Deusdete Neres de Souza teve um início de carreira de fazer inveja a qualquer barman. Entre 1995 e 2001, no saudoso Bistrô, foi o braço–direito do consagrado Derivan Ferreira de Souza. Bom aluno, soube lapidar sua técnica com o tempo e colher dicas preciosas do mestre. Entre elas, a discrição atrás do balcão e uma memória incrível para se lembrar do nome dos clientes e de seus drinques preferidos. Depois de transitar por endereços requintados, Souza assumiu há seis meses as coqueteleiras do Veloso, novo e concorrido boteco na Vila Mariana. Ali, executa clássicos como o bloody mary e o dry martini, mas conquistou os fregueses com sua impecável caipirinha. Num copo francês de 250 mililitros, ele mistura com precisão metade de um limão taiti, uma dose de cachaça, quatro pedras de gelo e duas colheres pequenas de açúcar. E saiba: a versão com jabuticaba faz um tremendo sucesso com as mulheres.

 

 

     
   
 
 
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