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28 de julho de 2004
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Cerca de 1,2 milhão de paulistanos lotam as 3 500 academias da cidade. São adeptos de musculação, esteira, spinning, step, artes marciais, natação, ginástica localizada e muito mais. Evidentemente, o caminho para a conquista de um corpo bonito e saudável não se restringe a modalidades como essas. Para os que sentem um certo friozinho na espinha só ao passar na porta dos grandes templos de malhação e não gostam de correr nem de caminhar, Veja São Paulo selecionou dez atividades que podem ser praticadas em casa ou em escolas não convencionais. Aulas de tango, circo, percussão, sapateado, reeducação do movimento e danças brasileiras divertem e, de quebra, deixam o corpo definido. O balé clássico, por exemplo, desenvolve os músculos das pernas – basta reparar na capa desta edição, com a foto da psicanalista e socialite Eleonora Mendes Caldeira. A percussão fortalece os membros superiores, e a dança indiana trabalha pés, panturrilhas e braços. Sendo exercícios aeróbicos, também ajudam a emagrecer (uma hora e meia de circo consome até 800 calorias). "Como movimentam grupos musculares ligados à postura e à sustentação da coluna, essas atividades têm um papel importante para quem passa a maior parte do dia sentado", explica o fisiologista Turibio Leite de Barros, professor da Universidade Federal de São Paulo. Para tirar o melhor proveito de cada uma, só há duas exigências: praticar com prazer e assiduidade.

 

Pé no chão e requebrado


Aula no Brasílica, na Vila Madalena: frevo, coco, afoxé e samba

Tire os sapatos, coloque uma roupa bem confortável e ouça a música. O ritual começa com uma roda. De mãos dadas, os alunos formam uma ciranda. Depois vão surgindo outros ritmos, todos bem brasileiros, como frevo, coco, xaxado, afoxé e samba. O som das alfaias (tambores pernambucanos) combina com os movimentos do maracatu. É assim a aula de danças brasileiras da escola Brasílica, criada quatro anos atrás pelos bailarinos Ana Catarina Vieira e Ângelo Madureira, ela paulistana, ele recifense. No começo é preciso literalmente suar a camisa para acertar as complexas seqüências, que ajudam a desenvolver a coordenação motora. Bolhas nos pés, nessa fase, são inevitáveis. Com o tempo, o requebrado vai ficando mais fácil. Madureira ministra também um curso de dança contemporânea baseado em sua pesquisa sobre o repertório popular, tema do espetáculo Somtir, apresentado em março na mostra Rumos Itaú Cultural.

"O objetivo é aprender a dançar, e não decorar uma série de passos", afirma Ana Catarina, ex-integrante do grupo Cisne Negro. Para soltar o corpo de verdade, o ideal é fazer uma aula-festa, com música ao vivo – os alunos de percussão da escola se encarregam dos tambores, pandeiros e chocalhos. A próxima está marcada para sexta (30). No Instituto Brincante, fundado pelo multiinstrumentista pernambucano Antonio Nóbrega, há oficinas específicas de alguns ritmos. Nesta segunda (26), o professor Luciano Fagundes inicia um curso de cavalo-marinho e caboclinho, bailados tradicionais do interior de Pernambuco.

Onde praticar
Mensalidade para duas aulas por semana (sem matrícula)
Brasílica Música e Dança, Rua Fradique Coutinho, 1496, Vila Madalena, 3812-0828. A partir de R$ 100,00; Instituto Brincante, Rua Purpurina, 428, Vila Madalena, 3816-0575. A partir de R$ 100,00.

 

A teoria das cadeias musculares


Bertazzo, na escola da Pompéia: tubos de PVC cheios de areia são um dos instrumentos de trabalho

Caixas-d'água, sacos de alpiste, colheres de pau e tubos de PVC cheios de areia. Esses são os intrigantes instrumentos usados pelo professor Ivaldo Bertazzo durante suas divertidas aulas de reeducação do movimento. Nelas, os tais tubos de PVC ajudam a manter a postura dos braços e servem de apoio para torções do tronco. Sacos de alpiste funcionam como almofada para o quadril, e as colheres de pau batucam no corpo. Em determinado momento, é preciso entrar nas caixas-d'água, enormes baldes de plástico. Vez por outra, os alunos caem na gargalhada diante das criativas propostas de Bertazzo. Durante seu curso, gestos inusitados são trabalhados à exaustão, com a intenção de alongar e fortalecer os músculos. Um exercício com uma bola de basquete foi desenvolvido para a palma das mãos, normalmente viciadas na posição usada para teclar no computador. "Os movimentos parecem simples, mas na verdade são cheios de complexidade", diz a atriz Marisa Orth, aluna há mais de dez anos. "Depois de quinze minutos eu já estou suando." Entre os que passaram pelas mãos de Bertazzo figuram a prefeita Marta Suplicy, as atrizes Marília Pêra e Maitê Proença e o apresentador Zeca Camargo.

"Minha técnica é uma síntese de escolas da Indonésia e da Índia, para onde viajo constantemente desde 1976", afirma Bertazzo. Além das danças tradicionais indianas, balinesas e tailandesas que pesquisou, ele inspirou-se na teoria das cadeias musculares das professoras Godelieve Denys-Struyf e Marie-Madeleine Béziers para desenvolver seu método. Um esqueleto e desenhos da anatomia humana ajudam a turma a entender o próprio corpo antes de tentar o alongamento das vértebras e mover as articulações da maneira adequada. O principal objetivo de Bertazzo não é formar bailarinos, mas "cidadãos dançantes", termo criado por ele para designar aqueles que sabem usar adequadamente músculos e ossos.

Onde praticar
Mensalidade para duas aulas por semana
Escola de Reeducação do Movimento Ivaldo Bertazzo, Rua Cotoxó, 1, Pompéia, 3801-3129. A partir de R$ 180,00.

 

Bem-vindo ao picadeiro!


O professor Ricardo Rodrigues: exercícios no tecido elástico

Para o respeitável público, alguns movimentos de malabaristas, trapezistas e equilibristas podem parecer moleza. Grande engano. É preciso muita força e persistência para aprender técnicas de circo. "As aulas têm muito sofrimento", conta o biofísico Fernando Goldenstein Carvalhaes, que pratica os chamados movimentos aéreos (trapézio, tecido e balanço) na escola Central do Circo, na Vila Leopoldina. A mão dói ao segurar a barra de ferro do trapézio por alguns minutos, e o braço queima quando passa muito rápido pelo tecido, um pano elástico que serve de suporte para as acrobacias. Em dois anos de treino, Carvalhaes aprendeu várias manobras. Consegue se prender no trapézio pela cintura, segurar uma companheira pelo pé, ficar de ponta-cabeça... "Sinto que estou evoluindo, e isso me motiva", afirma a bancária Marilandi Pereira, 35 anos, colega dele na aula do professor Ricardo Rodrigues. "As pessoas chegam achando que são pesadas demais para subir no tecido", diz Rodrigues. "Quando conseguem, gritam de alegria."

Outras modalidades ensinadas nas escolas da cidade são malabares, perna-de-pau, cama elástica e corda indiana. Metade dos 220 alunos do Picadeiro Circo Escola, instalado há vinte anos na Avenida Cidade Jardim, tem objetivos profissionais. Os demais querem apenas manter a forma – em uma hora e meia é possível perder até 800 calorias. "É muito mais gostoso do que malhar na academia", acredita Adriana Telg, que se formou em artes plásticas, mas trabalha como atriz circense no grupo Pia Fraus. O resultado no corpo dos praticantes é visível: braços e abdômen firmes e fortes.

Onde praticar
Mensalidade para duas aulas por semana (sem matrícula)
Central do Circo, Avenida Imperatriz Leopoldina, 1248-B fundos, Vila Leopoldina, 3831-1151. A partir de R$ 168,00; Galpão do Circo, Rua Girassol, 323, Vila Madalena, 3812-1676. A partir de R$ 168,00; Oficina Cultural do Brás Amácio Mazzaropi, Avenida Rangel Pestana, 2401, Brás, 6292-7071. Inscrição até sexta (30), R$ 5,00. O curso é gratuito, e os alunos precisam passar por uma seleção; Picadeiro Circo Escola, Avenida Cidade Jardim, 1105, Itaim Bibi, 3078-0944. R$ 130,00.

 

Braços fortes com ritmos brasileiros


Percussão no Brincante: a aula termina com um cortejo pela Vila Madalena

Cada um escolhe seu instrumento. Pode ser o gonguê (grande cone de ferro que marca o ritmo), a alfaia (tambor do maracatu) ou o abê (cabaça recoberta de contas que produz um som parecido com o do chocalho). No comando da aula de percussão do Instituto Brincante está o professor Marcelo Costa, que toca caixa e entoa canções populares dos mais variados ritmos brasileiros. As lições sempre terminam em ritmo de festa – os alunos fazem o chamado cortejo do maracatu, um passeio a pé pela Vila Madalena, batendo em seus tambores por vinte minutos para quem quiser ouvir. No Brincante, fundado em 1992 pelo pernambucano Antonio Nóbrega e sua mulher, Rosane Almeida, há também um curso de pandeiro ministrado por Gabriel, filho do casal. "Fiquei muito mais forte no braço depois que comecei a tocar alfaia", conta a estudante Aurora Gomes Ibri, de 16 anos. "É uma grande curtição."

Na escola Brasílica Música e Dança, é o recifense Ângelo Madureira quem lidera a bateria. Antes de começarem a fazer barulho, os alunos treinam com as baquetas num colchonete. Assim é mais fácil aprender os toques e coordenar os movimentos de cada braço. Os instrumentos foram completamente dispensados na oficina de barbatuques da escola Auê Musical, em Higienópolis. Ali, aprende-se música com a técnica de percussão corporal desenvolvida pelo músico Fernando Barba. Valem palmas, estalos, sapateados e efeitos de voz, além de batidas no peito e no rosto para produzir os sons dos diversos ritmos ensinados – samba, baião, maracatu, afoxé, funk, rock, salsa, reggae...

Onde praticar:
Mensalidade para uma aula por semana (sem matrícula)
Auê Musical, Rua Doutor José Pereira de Queiroz, 37, Higienópolis, 3826-8771. R$ 80,00; Brasílica Música e Dança, Rua Fradique Coutinho, 1496, Vila Madalena, 3812-0828. R$ 100,00; Instituto Brincante, Rua Purpurina, 428, Vila Madalena, 3816-0575. R$ 100,00.

 

O império das sapatilhas

Eleonora: pliés, jetés e adágios em casa

É de sapatilhas, collant e meia-calça que a psicanalista e socialite Eleonora Mendes Caldeira mantém o manequim 38, a elegância dos gestos e a agilidade das pernas bem definidas. Aos 58 anos, ela orgulha-se de seus 56 quilos, distribuídos por 1,66 metro de altura. Para ficar em forma, faz uma hora de balé clássico todas as manhãs, sob a orientação de Maria D'Antonio, sua professora há mais de vinte anos. O cenário das aulas particulares é uma sala conjugada com o quarto de Eleonora, em sua bela casa nos Jardins, com paredes espelhadas, aquecimento central e uma barra de madeira. Pliés, jetés e adágios são seus exercícios preferidos. Depois, anda uma hora na esteira. "Saio com o corpo gostosamente cansado e a cabeça tranqüila", diz ela. "Além de ser muito charmoso, o balé dá músculos duradouros e me ajuda a conhecer melhor meu corpo."

Assim como Eleonora, que nunca pisou num palco, os adultos que não pretendem seguir carreira profissional tornaram-se maioria nas escolas tradicionais. "Apenas 20% dos meus alunos vão ser bailarinos realmente", afirma o argentino Ismael Guiser, um dos pioneiros no ensino de balé clássico em São Paulo. "Para muita gente, a dança funciona como terapia ou ginástica." Em sua academia, no bairro de Pinheiros, as crianças já não são tão numerosas como uma década atrás. O lugar delas foi ocupado por adultos, para os quais há turmas específicas de nível iniciante, intermediário e avançado.

Onde praticar
Mensalidade para duas aulas por semana (sem matrícula)
Ballet Stagium, Rua Sarandi, 98, Jardim Paulista, 3088-6235. R$ 250,00; Cisne Negro, Rua das Tabocas, 55, Vila Beatriz, 3814-0337. R$ 162,00; Escola Ismael Guiser, Rua Arthur de Azevedo, 189, Cerqueira César, 3088-0434 e 3064-9572. A partir de R$ 119,00; Maria D'Antonio, 223-1478 e 9101-8883. Aulas particulares de uma hora a partir de R$ 50,00; Studio 3, Rua Augusta, 2467, conj. 21, Jardim Paulista, 3898-3236. R$ 210,00.

 

Movimentos espontâneos


A professora Erika Moura (de azul), com três alunas: consciência corporal

A aula de contato-improvisação começa com lições de anatomia humana. Um esqueleto de plástico ajuda a turma a conhecer seus ossos e articulações. Depois, é hora de um massagear o outro, com o objetivo de sentir cada vértebra. A proposta é que, em seguida, sejam feitos movimentos a partir das sensações da coluna. De olhos fechados, ao som de jazz, MPB ou música clássica, os alunos começam a mexer braços e pernas de maneira um tanto esquisita. Um desavisado pode pensar que a classe está numa espécie de transe maluco. Aos poucos, no entanto, os gestos espontâneos vão ganhando forma num bonito balé, sem passos previamente combinados.

Além de estimular o improviso, o curso ensina técnicas de dança a dois. Aprende-se, por exemplo, a rolar no chão por cima do parceiro e a carregá-lo (mesmo que seja pesado). "Partindo da consciência corporal, descobre-se que é possível fazer qualquer coisa", acha a professora Erika Moura, formada pela Escola de Artes Dramáticas da USP e discípula de Tica Lemos, a diretora do Estúdio Nova Dança. O curso é muito procurado por atores e bailarinos que querem melhorar sua performance no palco. Mas qualquer pessoa pode freqüentá-lo, já que não oferece grandes dificuldades. "Muitos de nossos alunos pretendem apenas relaxar e mexer o corpo de um jeito diferente", conta Erika.

Onde praticar
Mensalidade para uma aula por semana
Estúdio Nova Dança, Rua 13 de Maio, 240, 2º andar, Bela Vista, 3231-3719. R$ 95,00.

 

Expressividade milenar


Aula de odissi: as mãos simbolizam o deus Krishna

As bailarinas mexem os dedos para formar figuras, as chamadas mudras. Os movimentos parecem impossíveis para mãos menos treinadas. Os olhos vão de um lado para o outro, acompanhando tudo. Num ritmo mais acelerado, os pés batem no chão para marcar a música. A coordenação, o grande segredo da dança indiana, é incrível. "Enquanto um lado faz uma coisa, o outro faz outra", explica Andrea Prior, professora do Espaço Rasa, no Sumaré. "É ideal para quem quer cuidar do corpo de maneira integrada."

Andrea ensina duas danças clássicas surgidas há mais de 2 000 anos na Índia: odissi e kathak. Seus alunos trabalham músculos das mãos, dos braços, das coxas e das panturrilhas. Cada gesto tem um significado, pois para os indianos não há separação entre dança e teatro. "É quase uma linguagem mímica", descreve Andrea. A posição do pavão, com o anular e o dedão dobrados e os demais dedos esticados, simboliza Krishna, uma das mais importantes divindades do hinduísmo. Na escola de Ivaldo Bertazzo, a professora é a bailarina indiana Sawani Mudgal, que está em São Paulo há um ano, desde que veio participar do espetáculo Samwaad, ainda em cartaz no Sesc Belenzinho.

Onde praticar
Mensalidade para duas aulas por semana (sem matrícula)
Escola de Reeducação do Movimento Ivaldo Bertazzo, Rua Cotoxó, 1, Pompéia, 3801-3129. R$ 250,00; Espaço Rasa, Rua Heitor Penteado, 220/236, loja 16, Sumaré, 3868-2612. R$ 140,00.

 

Ao som de Gardel


Brunete Fraccaroli com o professor Vítor Costa: "Emagreci 7 quilos com o tango"

Depois que começou a aprender tango, há três anos, a designer de interiores Brunete Fraccaroli ficou 7 quilos mais magra. Além de aulas particulares com o professor Vítor Costa duas vezes por semana, ela ainda sai para dançar aos domingos e às quintas. "Detestava fazer ginástica", conta Brunete. "Finalmente encontrei uma atividade física que me deixa bem." A trilha sonora é sempre a mesma: o cantor Carlos Gardel. "Quando ouço sua voz, meu coração bate", suspira. Outra cliente de Costa é a antiquária Renée Behar, que em suas viagens a Buenos Aires não deixa de ir às milongas (bailes em que o tango é dançado pelos argentinos). "As torções do tronco movimentam as cadeias musculares e ajudam a emagrecer", afirma o professor, que em agosto se apresenta num festival em Tarbes, na região dos Pireneus, na França. "Sem perceber, o aluno queima calorias e melhora a postura."

Onde praticar
Mensalidade para uma aula por semana (sem matrícula)
Centro de Dança Jaime Arôxa, Avenida Vereador José Diniz, 4014, Campo Belo, 5561-5561. R$ 80,00. Oferece também aulas particulares; Cia. Brasileira de Danças de Salão, Alameda Barros, 376, 5º andar, Santa Cecília, 3662-2946. R$ 40,00; Espaço de Dança Andrei Udiloff, Rua Simão Álvares, 714, Vila Madalena, 3813-6196. R$ 75,00; Vítor Costa e Margareth Kardosh, 9946-6485. Aulas particulares de uma hora a partir de R$ 80,00.

 

Basta um nariz vermelho


Felipe Riquelme (de preto) e João Otávio: aulas de clown

É como um passe de mágica: ao colocar um nariz de plástico vermelho, os atores Felipe Riquelme e João Otávio se transformam. O primeiro encarna o palhaço João Chorão e o segundo passa a ser Dom Pepito. Eles freqüentam aulas de clown do Estúdio das Artes há um ano. São aprendizes de Bete Dorgam, doutora em Artes Cênicas e professora da Escola de Artes Dramáticas da USP. Além de atores, professores, psicólogos e advogados também procuram o curso oferecido por Bete. O que eles pretendem? Melhorar a expressão corporal e verbal. "Como não é necessário nenhum preparo físico anterior, todo mundo pode participar", diz Bete. "Já realizei ótimos trabalhos com pessoas que nunca pisaram no palco." Os exercícios ensinados desenvolvem o reflexo e deixam o corpo mais ágil. É preciso subir em caixas de madeira, correr pela sala, fazer passos de dança e dar pulos, embora o clown não seja um acrobata. Durante o curso, cada aluno apresenta seu número para os demais. Essa relação com a platéia ajuda os inibidos a ganhar desenvoltura. Cada reação do grupo serve de estímulo para que a palhaçada continue. "No final, aprende-se a aceitar que os outros podem rir de você", afirma a palhaça profissional Bete Dorgam. "E isso é muito bom."

Onde praticar
Galpão do Circo, Rua Girassol, 323, Vila Madalena, 3812-1676. R$ 120,00 (mensalidade para uma aula por semana); Estúdio das Artes, Rua Doutor Augusto de Miranda, 786, Pompéia, 3803-9396. R$ 100,00 (oficina semanal com cinco aulas de três horas); Estúdio Nova Dança, Rua 13 de Maio, 240, 2º andar, Bela Vista, 3231-3719. R$ 120,00 (mensalidade para uma aula por semana).

 

Nos passos de Fred Astaire


Flávia Scalzzo com as alunas: coreografias dos grandes musicais

O único momento de silêncio do sapateado é o alongamento, no início. Depois, as chapinhas (placas de ferro colocadas na sola do sapato para produzir o som) começam a bater no chão de maneira frenética. Tanto que mal se consegue ouvir as instruções da professora Flávia Scalzzo, que ensina a técnica no Espaço de Dança Andrei Udiloff. Apesar de as pernas se mexerem muito mais que os braços, o sapateado é considerado um exercício aeróbico e ajuda quem pretende queimar calorias. "Meus alunos saem daqui pingando", diz Flávia. "Além disso, adquirem coordenação, ritmo e um pouco de teoria musical." A advogada Anne Melnikoff, praticante há três anos, está feliz com os resultados da dança. "Gosto do sapateado porque é uma atividade social e movimenta o corpo de maneira equilibrada", diz. Depois das aulas, Anne fica ensaiando com as outras aspirantes a Fred Astaire a coreografia que o grupo vai apresentar em novembro para colegas, pais, namorados e amigos.

Onde praticar
Espaço de Dança Andrei Udiloff, Rua Simão Álvares, 714, Vila Madalena, 3813-6196 e 4612-0351. R$ 93,00 (para uma aula por semana); Gisele Bellot, Rua Cayowaá, 266, Perdizes, 3862-3168. R$ 126,00 (para duas aulas por semana).

         
     
 
 
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