| |

EXPOSIÇÃO

O
Filho
(1994): ternura sob traços grosseiros
|
GUSTAVO
PAVEL ÉGÜEZ. Reconhecido em seu país
como um artista plástico importante, o equatoriano
Égüez (é assim que assina os trabalhos)
começou como gravurista. Depois, passou ao desenho
e, pouco a pouco, se impôs como pintor. Mais recentemente,
destacou-se também na arte muralista. Égüez
trouxe cerca de 100 obras, mostradas no Rio de Janeiro e em
Brasília. Sob a pífia alegação
de falta de espaço, apenas vinte mereceram lugar numa
pequena sala do Memorial da América Latina. Ele próprio
as selecionou, com a preocupação de oferecer
uma visão abrangente das temáticas que permeiam
sua trajetória. Em O Filho, de 1994, a ternura
da maternidade salta aos olhos por meio de traços grosseiros,
delineados sobre a intensidade do contraste vermelho/preto.
A mesma delicadeza transparece na relação entre
homem e mulher, com certo tom de erotismo, ou em cenas do
cotidiano devotadamente espelhadas por suas pinceladas.
CINEMA

Tim
Maia: curta-metragem
de Flávio Tambellini no Unibanco |
CURTA
MÚSICA. Quatro produções bacanas
foram reunidas no projeto Curta Petrobras às Seis,
em sessões diárias e gratuitas no Espaço
Unibanco, até 15 de março. O enfoque, desta
vez, recai sobre a música popular. Noel Rosa foi biografado
por Ricardo van Steen em Com que Roupa?, de 1996. Os
sambistas Nelson Cavaquinho e Nelson Sargento ganharam, respectivamente,
as lentes cuidadosas de Leon Hirszman e Estevão Pantoja.
O mais surpreendente, porém, é o registro que
Flávio Tambellini fez, em 1987, de Tim Maia. Sem papas
na língua, o "síndico" mostra-se à vontade
em papos-cabeça e, no palco, reclama do som, como sempre
fazia antes de soltar o belo vozeirão.
TEATRO

Atrizes
da Cia. Livre: à vontade com as histórias
de Nelson Rodrigues |
OS
SETE GATINHOS. A Cia. Livre da Cooperativa Paulista de
Teatro tem Nelson Rodrigues na ponta da língua. Quando
encenou Toda Nudez Será Castigada, já
se havia mostrado muito à vontade com o dramaturgo.
Os Sete Gatinhos merece aplausos na mesma intensidade.
A peça esteve em curta temporada no ano passado,
no Teatro Oficina, e voltou para apenas um mês no Projeto
Escada, minúsculo espaço escondido nos labirintos
do TBC. A mudança de palco alterou bastante a montagem
para melhor, confirma o diretor Vadim Nikitin. Bem
aproveitado, o cenário aproxima ao máximo os
ótimos atores do público. A platéia senta-se
na sala do personagem Seu Noronha (Luís Miranda), contínuo
da Câmara Municipal, pai de cinco filhas. As quatro
mais velhas prostituem-se para garantir um futuro digno à
caçula (Tatiana Thomé). Mas os planos da família
desmoronam-se quando a garota é expulsa do colégio.
|