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Funk
na folia
Ritmo
carioca chega às casas noturnas
e ao Carnaval mas ainda não aos quadris
Pedro
Biondi
Fotos Dorival
Elze
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Quem
já levou um tapinha?
Para
surpresa da Mãe Loura, pouquíssimas paulistanas
dançaram à vontade. Ficaram mais nas beiradas,
e muitas reclamaram dos
excessos masculinos |
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Nos
bailes do São Paulo Futebol Clube vai rolar. Nos do
Corinthians também. Até os sócios do
quatrocentão Club Atlético Paulistano poderão
dançar ao som de hits do gênero. Os planos para
o Carnaval confirmam: o funk carioca está em todas.
Ele desceu o morro, virou febre na Zona Sul, pegou a ponte
aérea e começa a invadir as casas noturnas da
Paulicéia. Chega com o pacote completo: letras maliciosas
e referências machistas às mulheres, ora chamadas
de "popozudas" (as que se destacam quando vistas de costas),
ora de "cachorras" (as mais ousadas). O funk produz barulho,
filas quilométricas e disputas de bastidores. Gugu
Liberato, sócio da Fabbrica 5, na Mooca, e Alexandre
Frota, responsável pelo baile na A1 São Paulo,
na Vila Olímpia, engalfinharam-se pelas apresentações
da equipe mais famosa, a Furacão 2000. A melô
do tapinha ("...um tapinha não dói, só
um tapinha...") já toca em Maresias e em Campos
do Jordão. Mas São Paulo não é
o Rio de Janeiro.
Dorival Elze
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Dorival Elze
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"Cachorra,
não!"
As amigas Melanie Cavallaro, Roberta Silveira e Petsy
Regine treinam juntas as coreografias. "Não vou gostar
se um cara me chamar de cachorra", avisa Petsy. Raquel
Berti desaprovou o público da Fabbrica 5: com medo dos
"maloqueiros" |
Muita
gente foi barrada no portão, no primeiro grande evento
do gênero na cidade, na Fabbrica 5, no dia 15. Quem
entrou pôde conhecer a vereadora e funkeira carioca
Verônica Costa, uma guru do movimento: "Boa-noite, São
Paulooo! Levante a mão quem aí nunca levou um
tapinha!" Poucas paulistanas se manifestam. "Agora, quem já
levou um tapinha!" Uma, duas, três... Para surpresa
da anfitriã, o número é ainda menor.
"Mãe Loura" soltou um "Ixe, São Paulo" e o pancadão
(apelido do ritmo) seguiu adiante. No entanto, ficou evidente
o descompasso talvez temporário de uma
cultura transplantada. Quanto os paulistanos e paulistanas
vão assumir da cultura funkeira?
Dorival Elze
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Olhar
estrangeiro
A carioca Isabelle (à dir.), com a paulista
Bruna, no A1: "No Rio o pessoal se solta mais, principalmente
os homens" |
Vai ser difícil ver por aqui a mistura de classes que
o funk promove no Rio. A estudante Raquel Berti, de 18 anos,
estava morrendo de medo de que os "maloqueiros" que tentavam
arrombar o portão conseguissem entrar na Fabbrica.
"Deviam cobrar mais caro, para selecionar o público",
sugeriu. A consumação mínima era 20 reais
para homens e 10 reais para mulheres. No Brancaleone, em Pinheiros,
o DJ carioca Beto Araújo deu-se conta de que os paulistanos
ainda não se acostumaram à repetição
característica desse estilo musical. Depois de esgotar
os hits, viu a pista murchar e botou pop rock, axé
e forró antes de voltar a sua especialidade. Percebeu
ainda uma diferença no jeito de dançar: "As
garotas são mais acanhadas". Percepção
parecida teve seu conterrâneo Bruno França, na
Fabbrica 5: "Tá todo mundo muito vestido, e as meninas
não sabem mexer o joelho nem o bumbum". Havia excesso
de homens na pista. Meio ressabiadas, as mulheres ficavam
nos cantos. "Os caras são muito abusados, parece que
nunca viram mulher", disse a estudante Paula Patrícia
de Mello.
Várias casas embarcaram na onda. O Brancaleone trocou
o axé pelo pancadão nas noites de quinta. Tradicional
reduto do pagode, o Consulado da Cerveja, em Santana, inseriu
amostras de funk nas noites de quarta. Outra a aderir foi
a danceteria patricinha A1 (antiga América). Na noite
inaugural, a animação era maior que na Fabbrica
5. Ainda assim, quem conhece o fenômeno em sua versão
original sabe que não é a mesma coisa. "No Rio
é mais misturado, há gente rica da Barra da
Tijuca e gente da favela no mesmo baile", afirma a carioca
Isabelle Fernandes, que mora em São Paulo. Ela viu,
com surpresa, alguns rapazes vestirem de novo a camiseta assim
que terminou a faixa Tira a Camisa. Bem, ou a moda
ainda não pegou de vez ou a distância entre "as
mina" e "as gatas" não é tão peq
uena
quanto diz aquela propaganda de uma empresa de telefonia.
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