Passeio a pedaladas

Testamos um roteiro ciclístico sugerido
no
site do Sesc. Acredite: foi muito legal

Lúcia Monteiro

Fotos Renato Chaui
Sumarezinho, 17h05: poucos carros nas ruas arborizadas e... íngremes


É dura e perigosa a vida dos ciclistas em São Paulo. Como não há faixas exclusivas para bicicleta e os míseros 27 quilômetros de ciclovias estão sempre tomados pela turma do cooper, é preciso disputar o asfalto com motos ziguezagueando, ônibus e carros apressados. Aí, o ciclista está em desvantagem de tamanho, velocidade e proteção. Mas, dependendo do trajeto e do horário, pedalar na cidade pode ser muito legal. A calmaria do feriadão de Carnaval é uma boa oportunidade para começar. Quem quiser passear também em outras épocas do ano pode usar os quatro mapas elaborados pelo Sesc. Desde o mês passado, o site da entidade divulga percursos de 20 a 30 quilômetros, passando por parques, praças e avenidas de vários bairros. "Indicamos caminhos seguros e agradáveis que poucos conhecem", diz Maria Luiza Dias, gerente de esportes do Sesc.



19h15: hora de esvaziar todas as garrafas d´água e preparar a volta
19h50: à noite, o calor diminui e o trajeto fica mais plano. De agora em diante é bico
16h30: depois da ladeira da Paraguaçu, nos esprememos entre ônibus, caminhões e o meio-fio

O fotógrafo Renato Chauí e eu testamos o trajeto da Zona Oeste, saindo da Rua Turiassu, perto do Parque da Água Branca. Sua vantagem é que a maioria das ruas tem pouco movimento. Demos a largada às 15h30 de sexta-feira (16). Foram conosco Jonadabe Ferreira Silva e Fernando Fialho, responsáveis pela programação do Sesc Ipiranga e membros do Clube do Pedal. Logo na Turiassu, tive de me equilibrar em um espaço de menos de 1 metro de largura, espremida entre um ônibus e um carro estacionado. Na Avenida Pacaembu, depois de descer a ladeira da íngreme Rua Paraguaçu – a pé, confesso –, eu me rendi à calçada. Em alguns trechos havia lixo e buracos junto ao meio-fio. Ônibus e caminhões zuniam pela esquerda.

Cruzada a Avenida Sumaré, enfrentamos rampas acentuadas até o finalzinho da Doutor Arnaldo. Ali as ruas acompanham o relevo do terreno e os quarteirões, sem ângulos retos, parecem intermináveis. O mapa do Sesc não é superdetalhado e, até chegar à Praça do Pôr-do-Sol, ficamos meio confusos. "De bicicleta podemos improvisar e descobrir caminhos novos", diz Jonadabe. Momentos de tensão na Heitor Penteado: Chauí, por distração – falha que nenhum ciclista pode cometer –, passou no sinal vermelho para virar à esquerda, e o motorista de uma Kombi quase quebrou a buzina tentando avisá-lo. O chato são essas buzinadas que o ciclista ouve, esteja certo ou errado. Mas não é tão arriscado quanto imaginávamos. Chegamos sãos e salvos, e já combinamos a próxima aventura: 30 quilômetros, de Santana ao Parque do Ibirapuera.

 

Pela direita

Dicas de segurança para se dar bem com a magrela no trânsito

Use capacete

Não pedale pela contramão. Transite pela direita e ultrapasse pela esquerda

Seja previsível. Mantenha uma linha reta e sinalize ao virar ou mudar de faixa

Não avance sinais

Não ande pela calçada. Se for inevitável, desça e empurre

Evite ficar lado a lado com outra bicicleta, pois atrapalha o trânsito

Em descida de ruas tranqüilas, não ultrapasse 40 quilômetros por hora

Dê uma olhada no guia de ruas ou vá de carro antes para conhecer o trajeto e não ficar perdido

Use roupas leves e de cores chamativas

Preste atenção nos veículos estacionados, pois uma porta pode ser aberta de repente

Cuidado com as grades de respiro e os bueiros. Quando o espaço entre as barras é grande, há risco de cair

 

 

Veja este e outros mapas no site www.sescsp.com.br

 

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