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23 de outubro de 2002
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Surpresas na noite

Duas jovens bandas de axé e pagode
fazem sucesso no Itaim e na Vila Olímpia

Silvana Azevedo


Julio Vilela
Batom na Cueca: 25 apresentações por mês, sem tocar no rádio nem aparecer em programas de TV



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Programação dos shows das bandas
Ouça músicas de Batom na Cueca
Ouça músicas dos Inimigos da HP

As filas chegam a dobrar o quarteirão. Aglomerados na porta da danceteria, garotões de camiseta regata e meninas de barriguinha de fora fazem de tudo para entrar. Alguns procuram o nome na lista de convidados. Outros tentam emplacar o manjado golpe "sou amigo do empresário da banda". Quase sempre precisam encarar a espera, torcendo para que o lugar não atinja a capacidade máxima antes que consigam cruzar a entrada. Show de algum pop star? Nada disso. Os responsáveis por essa agitação, que se repete de quinta a domingo em bares e casas noturnas da Vila Olímpia e do Itaim Bibi, são dois grupos com nomes esquisitos que misturam axé e pagode: o Batom na Cueca e os Inimigos da HP. Sem música nas rádios nem aparições em programas de televisão, eles levam milhares de pessoas por onde passam. "Nunca pensei que esse tipo de som explodiria aqui na região", diz Cláudio Kimio, sócio da Image Club, no Itaim.


Julio Vilela
Anna Paula (à esq.) e Roberta, no Santa Aldeia: "Não perdemos um show"


Radicado há dois anos em São Paulo, o Batom na Cueca é um fenômeno de público. Aos sábados à tarde, no Santa Aldeia, na Vila Olímpia, o grupo reúne em média 1.500 pessoas. Os integrantes – Alexandre, Mamê, Adib, Maroca, Rodrigo, Marcelo e Darlan – se conheceram em um clube de Brasília freqüentado por seus pais. Eles foram os primeiros a se surpreender com o próprio sucesso. "Não tínhamos nada em vista", lembra Rodrigo. "Batíamos de porta em porta pedindo para deixarem a gente tocar." No repertório da banda estão hits baianos, como Festa, de Ivete Sangalo, e Manivela, do Asa de Águia, ao lado de algumas composições próprias. Hoje, ela faz cerca de 25 apresentações por mês. Normalmente lotadas. Com idade entre 26 e 30 anos, corpo definido e muita simpatia, os músicos têm um público jovem, fiel e com pique para dançar horas seguidas. "Não perco o Batom por nada", afirma a contadora Anna Paula Paixão, 28 anos, que já foi a um de seus shows com a perna engessada. "O som deles é ótimo", diz a professora Roberta Pereira Fernandes, 26 anos, freqüentadora assídua do Santa Aldeia.



Julio Vilela
A brincadeira que deu certo dos Inimigos da HP: da faculdade para o palco

Os Inimigos da HP apresentam-se em média quatro vezes por semana e são os donos das noites mais concorridas do Image, no Itaim. Para os oito paulistanos boas-pintas, tudo começou como uma brincadeira, três anos atrás. Alemão, Léo, Bruno, Bonilha, Sebá, Tocha, Gui e Cebola, que eram colegas de faculdade no Mackenzie, onde a maioria estudou engenharia, tocavam pagode informalmente em bares e restaurantes de amigos. Tomaram gosto pelo negócio e resolveram trocar a calculadora científica por reco-reco, banjo e cavaquinho. Daí o nome. "No início, tínhamos medo de subir ao palco e até cantávamos sentados", conta Cebola, que, além de tocar pandeiro, é sócio de Bonilha em uma construtora. No domingo passado (13), sem nenhuma timidez, eles abriram um show do Chiclete com Banana, em São Bernardo do Campo, e sacudiram 8.000 pessoas.

         
     
 
 
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