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MÚSICA
Surpresas
na noite
Duas
jovens bandas de axé e pagode
fazem
sucesso no Itaim e na Vila Olímpia
Silvana
Azevedo
Julio Vilela
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| Batom
na Cueca: 25 apresentações por mês, sem tocar no rádio nem aparecer
em programas de TV |
As
filas chegam a dobrar o quarteirão. Aglomerados na porta
da danceteria, garotões de camiseta regata e meninas de barriguinha
de fora fazem de tudo para entrar. Alguns procuram o nome na lista
de convidados. Outros tentam emplacar o manjado golpe "sou amigo
do empresário da banda". Quase sempre precisam encarar a
espera, torcendo para que o lugar não atinja a capacidade
máxima antes que consigam cruzar a entrada. Show de algum
pop star? Nada disso. Os responsáveis por essa agitação,
que se repete de quinta a domingo em bares e casas noturnas da Vila
Olímpia e do Itaim Bibi, são dois grupos com nomes
esquisitos que misturam axé e pagode: o Batom na Cueca e
os Inimigos da HP. Sem música nas rádios nem aparições
em programas de televisão, eles levam milhares de pessoas
por onde passam. "Nunca pensei que esse tipo de som explodiria aqui
na região", diz Cláudio Kimio, sócio da Image
Club, no Itaim.
Julio Vilela
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| Anna
Paula (à esq.) e Roberta, no Santa Aldeia: "Não perdemos
um show" |
Radicado há dois anos em São Paulo, o Batom na Cueca
é um fenômeno de público. Aos sábados
à tarde, no Santa Aldeia, na Vila Olímpia, o grupo
reúne em média 1.500 pessoas.
Os integrantes Alexandre, Mamê, Adib, Maroca, Rodrigo,
Marcelo e Darlan se conheceram em um clube de Brasília
freqüentado por seus pais. Eles foram os primeiros a se surpreender
com o próprio sucesso. "Não tínhamos nada em
vista", lembra Rodrigo. "Batíamos de porta em porta pedindo
para deixarem a gente tocar." No repertório da banda estão
hits baianos, como Festa, de Ivete Sangalo, e Manivela,
do Asa de Águia, ao lado de algumas composições
próprias. Hoje, ela faz cerca de 25 apresentações
por mês. Normalmente lotadas. Com idade entre 26 e 30 anos,
corpo definido e muita simpatia, os músicos têm um
público jovem, fiel e com pique para dançar horas
seguidas. "Não perco o Batom por nada", afirma a contadora
Anna Paula Paixão, 28 anos, que já foi a um de seus
shows com a perna engessada. "O som deles é ótimo",
diz a professora Roberta Pereira Fernandes, 26 anos, freqüentadora
assídua do Santa Aldeia.
Julio Vilela
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| A
brincadeira que deu certo dos Inimigos da HP: da faculdade para
o palco |
Os
Inimigos da HP apresentam-se em média quatro vezes por semana
e são os donos das noites mais concorridas do Image, no Itaim.
Para os oito paulistanos boas-pintas, tudo começou como uma
brincadeira, três anos atrás. Alemão, Léo,
Bruno, Bonilha, Sebá, Tocha, Gui e Cebola, que eram colegas
de faculdade no Mackenzie, onde a maioria estudou engenharia, tocavam
pagode informalmente em bares e restaurantes de amigos. Tomaram
gosto pelo negócio e resolveram trocar a calculadora científica
por reco-reco, banjo e cavaquinho. Daí o nome. "No início,
tínhamos medo de subir ao palco e até cantávamos
sentados", conta Cebola, que, além de tocar pandeiro, é
sócio de Bonilha em uma construtora. No domingo passado (13),
sem nenhuma timidez, eles abriram um show do Chiclete com Banana,
em São Bernardo do Campo, e sacudiram 8.000
pessoas.
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