| |
|
|
 |
|
ARQUITETURA
Beleza
restaurada
Sede
da pós-graduação da FAU-USP,
palacete da
Rua Maranhão tem sua
biblioteca reformada
Valéria
França
Fotos Cristiano Mascaro
 |
 |
 |
| Com
cadeiras assinadas pelos arquitetos Júlio Roberto Katinsky
e Paulo Mendes da Rocha (foto maior), o agradável
espaço de leitura ganhou estantes suspensas, especialmente
desenhadas para o ambiente: conforto e valorização
dos detalhes, como o chão de madeira trabalhada e a pintura
do teto (à direita) |
Os
irmãos Armando e Silvio, filhos do conde Antônio Álvares
Penteado, compartilhavam um sonho: transformar o casarão
onde passaram a infância, na Rua Maranhão, em Higienópolis,
na sede da primeira escola de arquitetura do Estado. Em 1946, eles
doaram a propriedade para a Universidade de São Paulo, que
depois instalou ali a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU).
A faculdade foi para o campus da USP em 1969 e apenas o curso de
pós-graduação ficou na chamada Vila Penteado.
Para este ano, a USP também tinha um sonho. Queria finalizar
as obras de recuperação do majestoso palacete, que
comemora seu centenário. A falta de verbas para alguns serviços
essenciais não permitiu que o desejo se concretizasse. Mas
a universidade tem o que festejar. A biblioteca, primeira etapa
da restauração, será reinaugurada no dia 8
de novembro. Como mostram as fotos do ex-aluno Cristiano Mascaro
que ilustram esta reportagem, o resultado é magnífico.
"As
obras na biblioteca funcionaram como um laboratório", explica
Júlio Roberto Katinsky, ex-diretor da instituição
e responsável pela reforma. "Ali aprendemos quais seriam
os critérios a seguir no restauro de todo o prédio."
As obras contaram com uma verba especial da Fundação
de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp),
no valor de 377.000 reais. "Foram necessários
quatro anos de discussão para conseguirmos o dinheiro", diz
Eliana de Azevedo Marques, diretora da biblioteca. O ex-aluno José
Armênio de Brito Cruz assinou o projeto e cuidou pessoalmente
de todos os detalhes. As estantes, por exemplo, são suspensas
para deixar à vista o chão de tábuas de ipê
e peroba. No topo, trazem luminárias para destacar os desenhos
de ramos de café, flores e leques do teto. Antes, todos esses
adornos estavam escondidos sob várias camadas de tinta branca.
Técnicos do Estúdio Sarasá, que trabalharam
no restauro do Teatro São Pedro, descobriram as imagens ao
desgastar cuidadosamente as camadas de argamassa com removedores
químicos e uma espécie de bisturi.
Fotos Cristiano Mascaro
 |
aro
 |
| Registro
do casarão em dois períodos: no início do século, em aquarela
de Carlos Ekman, e em 1976, pelo fotógrafo Cristiano Mascaro,
ex-aluno da faculdade |
Até
agora, a universidade gastou 1,5 milhão de reais na reforma
e busca ajuda da iniciativa privada para conseguir outros 2,2 milhões.
Os problemas mais graves, como infiltrações e vazamentos,
já estão solucionados. O telhado e as calhas foram
trocados. O salão principal, alguns corredores e uma sala
de aula parecem novos. Na fachada, continuam a ser dados os últimos
retoques antes de uma pintura geral. Prevê-se um gasto de
2.000 litros de tinta.
A
Vila Penteado foi uma das residências mais imponentes da cidade.
Projetada pelo arquiteto sueco Carlos Ekman, a construção
art nouveau tem proporções impressionantes. O térreo
era dividido em vários salões. Três escadas
levam ao 1º andar. Todas desembocam em um corredor de acesso
a catorze quartos. No total, são 1.350
metros quadrados, fora o porão. "É a última
casa em estilo art nouveau de São Paulo", afirma o professor
de história da arquitetura da FAU Benedito Lima de Toledo,
que lança no dia 8 o livro Vila Penteado: Registros.
"Por isso, restaurá-la é preservar um pouco da história
de São Paulo."
|