Recuperação do centro

 

 

Mário Rodrigues

Da sacada da Sala São Paulo, inaugurada em 1999, vê-se um cortiço na Rua Santa Ifigênia: revitalizações localizadas são bem-vindas, mas a região precisa de intervenções mais abrangentes

Problema: Durante o dia, o centro de São Paulo é um formigueiro. A área de 4,4 quilômetros quadrados formada pelos distritos da Sé e República recebe diariamente 2,8 milhões de pessoas. Depois que o sol se põe, menos de 3% delas ficam na região. São 70.000 moradores – número muito reduzido, que mostra quanto é desequilibrada sua ocupação. A Operação Urbana Centro, criada em 1997, é um avanço que permite melhor uso do solo. Mas ainda não atraiu novos empreendimentos, como se esperava. São três os principais motivos que levam pessoas físicas e empresas a torcer o nariz para o centro: os camelôs que tomam conta dos calçadões, a insegurança e a dificuldade de acesso. Algumas áreas estão extremamente degradadas, como a zona cerealista e a cracolândia. Embora conte com sete estações de metrô, uma linha de trem e pontos finais de numerosas linhas de ônibus, o sistema de transportes está sobrecarregado. O trânsito de automóveis é precário.



"Em parceria com a iniciativa privada,faremos a recuperação do equilíbrio paisagístico, patrimonial e ambiental da região"

Soluções: O centro precisa de soluções integradas, que promovam o uso misto (residencial e comercial). No front residencial a prefeitura pode estimular a construção de conjuntos residenciais, articulando a formação de áreas que possam servir a novos empreendimentos ou mesmo promovendo desapropriações. Com incentivos, como diminuição do ISS e isenção de IPTU, poderia atrair mais empresas. Outra medida necessária é a transferência de sedes do poder público para o centro. O governo estadual planeja sua mudança para a região. A prefeitura precisa negociar com o Estado e providenciar meios para que a proposta se concretize. Ali, a simples diminuição da presença excessiva de camelôs foi determinante para reduzir a criminalidade (veja na pág. 28). Para facilitar o acesso, deve-se investir na malha ferroviária já existente e integrar às estações um sistema de microônibus. Os terminais de ônibus podem ser deslocados para o entorno da região central. Além de aliviar o trânsito, a medida tiraria do centro 800 000 pessoas que só vão até lá para fazer baldeação.

 

Veja as propostas dos candidatos:

Marta
Maluf
Erundina
Alckmin
Tuma

 

VEJA on-line | Veja São Paulo | Veja Rio