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Você
é quem vai decidir
Depois
do desastre Pitta, é hora de
escolher o novo prefeito de São Paulo.
Veja quais são os maiores problemas
da cidade e como é possível resolvê-los
Caco
de Paula, Alessandro Duarte e Ariel Kostman*
Gal Oppido/Imagem Data
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10
milhões
de
habitantes
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R$
7,6 bilhões
orçamento
anual
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R$
16,5 bilhões
dívida
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15000
toneladas
de lixo por dia
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294000
>294000
crianças
fora de escolas e creches
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120
quilômetros
de
congestionamento por dia
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O
paulistano tem um mês e meio para decidir quem será
seu novo prefeito. Muita gente talvez não se tenha dado conta
da extrema importância desta eleição municipal.
É até compreensível. Nunca, como nos últimos
três anos, as palavras "vereador" e "prefeito" estiveram tão
perto de se tornar sinônimos de "suspeito", "culpado", "corrupto"
e "incompetente". Vereadores, funcionários graduados, fiscais
e muita gente mais da prefeitura se meteram num lamaçal de
propinas que já envolve cerca de 600 pessoas investigadas
e 49 condenadas. Isolado no Palácio das Indústrias,
Celso Pitta é a personificação da mais desastrosa
gestão municipal da história recente.
São
justamente essas circunstâncias que dão maior valor
às próximas eleições. Os escândalos,
a incúria e a leniência, que atingiram o amor do paulistano
por sua cidade, poderão agora provocar um choque cívico
no eleitor, despertando-o de sua apatia. Veja São Paulo
preparou um roteiro em que mostra que há saídas para
a maior metrópole brasileira e que é possível
começar a consertá-la por meio da arma do voto. Para
isso, foram ouvidos sessenta especialistas em temas urbanos. Suas
análises e opiniões permitiram que se chegasse aos
principais problemas e a suas soluções. Em seguida,
são apresentadas as propostas dos cinco candidatos mais bem
colocados nas pesquisas. O resultado, que se vê nas próximas
25 páginas, é um guia para a escolha do prefeito que
administrará São Paulo de 2001 a 2004. Ao ler, leve
em conta o seguinte:
O breve perfil dos quinze candidatos, sejam os favoritos, sejam
os chamados nanicos, pode ajudar a refrescar a memória em
relação a fatos quase esquecidos. Todos também
já participaram dos chats promovidos por Veja São
Paulo na internet (www.vejinha.com.br) ou confirmaram sua participação.
A exceção é o ex-presidente Fernando Collor,
que não chegou a responder às questões que
lhe foram encaminhadas. Sua candidatura havia sido indeferida pela
1ª Zona Eleitoral. Na última quinta-feira, após
o encerramento desta edição, o Tribunal Regional Eleitoral
acatou o recurso que ele apresentou e o autorizou a concorrer à
prefeitura.
Observe como, pela resposta do candidato, é possível
ver como ele enxerga, ou deixa de enxergar, cada um dos problemas
que lhe foram expostos.
Além das indispensáveis qualidades exigidas de quem
entra na vida pública, como honestidade e competência,
um bom prefeito é aquele que demonstra interesse público,
visão, criatividade e vontade política. Tente analisá-lo
sob esses aspectos.
Há candidatos que querem fazer o eleitor de bobo, abraçando
propostas que não poderão cumprir. Até o Obelisco
do Ibirapuera sabe que os assuntos que mais afligem os paulistanos
são o desemprego e a falta de segurança pública.
Em ambos os casos, as soluções estão muito
longe da esfera de ação dos prefeitos. Entre os candidatos
à direita fala-se em combater a criminalidade colocando a
polícia na rua e os bandidos na cadeia, quiçá
em prisão perpétua. Pura falácia. O município
não tem poder de polícia. Isso é atribuição
do Estado. Prisão perpétua não existe no Brasil.
É assunto de reforma constitucional, o que se resolve no
Congresso Nacional, não na Câmara Municipal. Da mesma
forma, há embuste quando candidatos à esquerda afirmam
que vão resolver problemas sociais, como se, de uma penada,
ali no Parque Dom Pedro, pudessem fazer mudanças institucionais
e iniciar uma revolução que levará a felicidade
aos pobres e excluídos. Má distribuição
de renda, desemprego e baixo crescimento econômico são
questões complexas que dependem de políticas do governo
federal e de ações da sociedade como um todo. Entrar
nessa discussão é uma cômoda forma de fugir
das verdadeiras atribuições de um prefeito.
No extremo oposto, o bom candidato não é o que se
propõe a tapar buracos de rua ou multar pessoalmente motoristas
infratores, como fazia o ex-prefeito Jânio Quadros. Essas
são áreas de atuação da prefeitura,
é certo. São Paulo, no entanto, mais do que um zelador,
precisa de alguém que pense nela em toda a sua complexidade,
enxergue o conjunto e defina prioridades. Ele deve preocupar-se
com educação, transporte público, habitação,
a administração da colossal dívida municipal
que irá herdar, programas de prevenção contra
enchentes, atividades culturais, esportivas e de lazer para toda
a população, atendimento de saúde, recuperação
do centro, defesa do meio ambiente, combate à corrupção
na máquina municipal enfim, com as vastas e precisas
responsabilidades que são não do governador, do presidente
ou do papa, mas do prefeito da cidade de São Paulo.
Embora sejam conceitos muito usados na propaganda eleitoral, a impressão
de simpatia e antipatia não é referência segura
para saber se um administrador é bom ou ruim. É preciso
analisar o que ele já fez na vida pública e o que
declara que fará.
Duvide de quem, seja de esquerda, centro ou direita, homem ou mulher,
pretende usar a prefeitura como trampolim para cargos mais altos.
Você não vai eleger o próximo ocupante do Palácio
do Planalto nem participar de um plebiscito sobre os rumos da globalização.
Vai fazer uma escolha sobre algo que afetará sua rua, seu
bairro, sua cidade, sua qualidade de vida, seus concidadãos.
Cabe a você decidir, no dia 1º de outubro, quem poderá
dar um jeito em São Paulo.
*
Colaboraram Lúcia Monteiro e Ana Paula Dutra
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