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22 de maio de 2002
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FUTEBOL

Campeão dos campeões

Corinthians conquista dois títulos em
quatro dias e volta a enlouquecer
a maior torcida da cidade

Eduardo Lima

Domingo (12), Morumbi
Quarta (15), Taguatinga
Ricardo Correa
José Paulo Lacerda/AE
Comemoração em dobro: festa no torneio Rio-São Paulo (à esq.) e na Copa do Brasil

Os fiéis corintianos estão em estado de graça. No espaço de quatro dias, o time de maior torcida em São Paulo conquistou dois campeonatos importantes. O primeiro foi no domingo passado, no Estádio do Morumbi, quando o Timão empatou com o arqui-rival São Paulo em 1 a 1. Como havia vencido o primeiro jogo da final por 3 a 2, uma semana antes, levou o título do torneio Rio-São Paulo. Na quarta-feira, outra decisão. Agora contra o Brasiliense, em Taguatinga (DF), pela Copa do Brasil. Novo empate em 1 a 1. A vitória por 2 a 1 na semana anterior garantiu a taça da Copa do Brasil e uma vaga na próxima Taça Libertadores das Américas. Trata-se de um feito histórico. Em 1995, o Corinthians obteve desempenho semelhante ao vencer a Copa do Brasil e o Campeonato Paulista no mesmo semestre, mas as finais aconteceram num intervalo de 45 dias. As festas espalharam-se por toda a cidade e culminaram na quinta à tarde no Parque São Jorge, sede do clube. Ricardinho, Dida, Vampeta e seus companheiros foram saudados por centenas de torcedores. Antes, os campeões desfilaram pelas ruas em dois carros do Corpo de Bombeiros.

Além de uma equipe que o técnico Carlos Alberto Parreira tornou altamente competitiva, o Corinthians é um grande clube esportivo e social que só seus 25.000 associados conhecem de perto. Em 160.000 metros quadrados, estão espalhados dois ginásios (um deles com capacidade para 10.000 pessoas), dezenas de quadras poliesportivas e um conjunto aquático de oito piscinas. Uma vistosa sede social está em fase final de construção. Esse complexo fica no bairro do Tatuapé, entre a Avenida Celso Garcia e a Marginal Tietê, na Zona Leste, em um terreno comprado em 1926. Ali, dois anos depois, foi construído o Estádio Alfredo Schuring, conhecido como Fazendinha, com seus 18.000 lugares. "O nome Fazendinha vem daquela época porque aqui era um descampado", conta o conselheiro vitalício Serafim Ruiz.

 
Fotos Mario Rodrigues
rigues
Chegada dos jogadores ao Parque São Jorge: euforia Sala com as 5 000 taças: coleção não pára de crescer

Para os que não têm a carteira de sócio, a sede do Corinthians, com seus enormes escudos nos muros, é apenas um ponto de referência ao trafegar pela Marginal Tietê a caminho do Aeroporto de Cumbica ou da Rodovia Ayrton Senna. Entrar e passear por suas alamedas permite conhecer na intimidade uma instituição paulista. A sirene, que costumava anunciar a chegada de alguma contratação de peso, anda em desuso, mas continua no alto da antiga caixa-d'água. Nos jardins, esculturas homenageiam ídolos do passado, como o craque Cláudio e o goleador Baltazar, estrelas dos anos 50. Um lugar de destaque é reservado ao busto erguido em 1929 em honra ao artilheiro Neco. As lembranças das glórias alvinegras estendem-se à sala de troféus. Quase 5.000 taças – metade de futebol, metade de outros esportes – estão distribuídas pelas prateleiras. As do Campeonato Mundial de 2000 e do Campeonato Paulista de 1977 merecem destaque especial. Pena que faltem informações precisas sobre cada troféu.

De segunda a sexta, mesmo às vésperas de decisão, o movimento é restrito a atletas amadores, aposentados e funcionários. Os jogadores passam tranqüilamente pelos jardins para ir ao banco ou a outra dependência fora da área reservada ao futebol profissional. Nos fins de semana há muita agitação. Mais de 3.000 pessoas atravessam as catracas para nadar, bater bola ou simplesmente conversar sobre a situação da equipe. O ponto de encontro mais tradicional dos conselheiros e sócios antigos é o Senadinho, um conjunto de bancos e cadeiras colocado sob árvores frondosas. Aos sábados, a partir das 10 da manhã, transforma-se em palco de uma reunião informal. Participar dessa roda significa estar bem informado sobre os bastidores do transforma-se em palco de uma reunião informal. Participar dessa roda significa estar bem informado sobre os bastidores do clube. "Aqui, derruba-se até o treinador", brinca o vice-presidente, Antonio Roque Citadini. Mais tarde, o papo continua no Bar da Esquina, na beira da piscina. Nesses dias, fala-se apenas de uma coisa: mais do que nunca, como diz seu hino, o Sport Club Corinthians Paulista é o campeão dos campeões.

         
     
 
 
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