| |
|
|
 |
|
FUTEBOL
Campeão
dos campeões
Corinthians
conquista dois títulos em
quatro dias e volta a enlouquecer
a maior torcida da cidade
Eduardo
Lima
|
Domingo
(12), Morumbi
|
Quarta
(15), Taguatinga
|
Ricardo Correa
 |
José Paulo Lacerda/AE
 |
| Comemoração
em dobro: festa no torneio Rio-São Paulo (à
esq.) e na Copa do Brasil |
Os
fiéis corintianos estão em estado de graça.
No espaço de quatro dias, o time de maior torcida em São
Paulo conquistou dois campeonatos importantes. O primeiro foi no
domingo passado, no Estádio do Morumbi, quando o Timão
empatou com o arqui-rival São Paulo em 1 a 1. Como havia
vencido o primeiro jogo da final por 3 a 2, uma semana antes, levou
o título do torneio Rio-São Paulo. Na quarta-feira,
outra decisão. Agora contra o Brasiliense, em Taguatinga
(DF), pela Copa do Brasil. Novo empate em 1 a 1. A vitória
por 2 a 1 na semana anterior garantiu a taça da Copa do Brasil
e uma vaga na próxima Taça Libertadores das Américas.
Trata-se de um feito histórico. Em 1995, o Corinthians obteve
desempenho semelhante ao vencer a Copa do Brasil e o Campeonato
Paulista no mesmo semestre, mas as finais aconteceram num intervalo
de 45 dias. As festas espalharam-se por toda a cidade e culminaram
na quinta à tarde no Parque São Jorge, sede do clube.
Ricardinho, Dida, Vampeta e seus companheiros foram saudados por
centenas de torcedores. Antes, os campeões desfilaram pelas
ruas em dois carros do Corpo de Bombeiros.
Além
de uma equipe que o técnico Carlos Alberto Parreira tornou
altamente competitiva, o Corinthians é um grande clube esportivo
e social que só seus 25.000 associados
conhecem de perto. Em 160.000 metros
quadrados, estão espalhados dois ginásios (um deles
com capacidade para 10.000 pessoas),
dezenas de quadras poliesportivas e um conjunto aquático
de oito piscinas. Uma vistosa sede social está em fase final
de construção. Esse complexo fica no bairro do Tatuapé,
entre a Avenida Celso Garcia e a Marginal Tietê, na Zona Leste,
em um terreno comprado em 1926. Ali, dois anos depois, foi construído
o Estádio Alfredo Schuring, conhecido como Fazendinha, com
seus 18.000 lugares. "O nome Fazendinha
vem daquela época porque aqui era um descampado", conta o
conselheiro vitalício Serafim Ruiz.
Fotos Mario Rodrigues
 |
rigues
 |
| Chegada
dos jogadores ao Parque São Jorge: euforia |
Sala
com as 5 000 taças: coleção não
pára de crescer |
Para
os que não têm a carteira de sócio, a sede do
Corinthians, com seus enormes escudos nos muros, é apenas
um ponto de referência ao trafegar pela Marginal Tietê
a caminho do Aeroporto de Cumbica ou da Rodovia Ayrton Senna. Entrar
e passear por suas alamedas permite conhecer na intimidade uma instituição
paulista. A sirene, que costumava anunciar a chegada de alguma contratação
de peso, anda em desuso, mas continua no alto da antiga caixa-d'água.
Nos jardins, esculturas homenageiam ídolos do passado, como
o craque Cláudio e o goleador Baltazar, estrelas dos anos
50. Um lugar de destaque é reservado ao busto erguido em
1929 em honra ao artilheiro Neco. As lembranças das glórias
alvinegras estendem-se à sala de troféus. Quase 5.000
taças metade de futebol, metade de outros esportes
estão distribuídas pelas prateleiras. As do
Campeonato Mundial de 2000 e do Campeonato Paulista de 1977 merecem
destaque especial. Pena que faltem informações precisas
sobre cada troféu.
De
segunda a sexta, mesmo às vésperas de decisão,
o movimento é restrito a atletas amadores, aposentados e
funcionários. Os jogadores passam tranqüilamente pelos
jardins para ir ao banco ou a outra dependência fora da área
reservada ao futebol profissional. Nos fins de semana há
muita agitação. Mais de 3.000
pessoas atravessam as catracas para nadar, bater bola ou simplesmente
conversar sobre a situação da equipe. O ponto de encontro
mais tradicional dos conselheiros e sócios antigos é
o Senadinho, um conjunto de bancos e cadeiras colocado sob árvores
frondosas. Aos sábados, a partir das 10 da manhã,
transforma-se em palco de uma reunião informal. Participar
dessa roda significa estar bem informado sobre os bastidores do
transforma-se em palco de uma reunião informal. Participar
dessa roda significa estar bem informado sobre os bastidores do
clube. "Aqui, derruba-se até o treinador", brinca o vice-presidente,
Antonio Roque Citadini. Mais tarde, o papo continua no Bar da Esquina,
na beira da piscina. Nesses dias, fala-se apenas de uma coisa: mais
do que nunca, como diz seu hino, o Sport Club Corinthians Paulista
é o campeão dos campeões.
|