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18 de dezembro de 2002
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Arte com tempero

O acervo é melhor que a cozinha,
mas os
restaurantes de museu
firmam-se como boa opção

Erika Sallum

Mario Rodrigues
Restaurante do instituto: almoço ao lado de esculturas de Tomie Ohtake

Não faz muito tempo, passar o dia em algum museu ou centro cultural da cidade exigia certo sacrifício. Depois de horas percorrendo uma exposição, o visitante que ficava com fome tinha como única opção lanchar em um pequeno café, onde se servia, no máximo, um pão de queijo ou uma quiche fria. Felizmente, a situação mudou – e para bem melhor. Em alguns endereços culturais da capital, comer virou uma atração à parte. Os cafés deram lugar a restaurantes com cardápios caprichadinhos, que atraem uma clientela de descolados, intelectuais, estudantes e amantes da arte em geral. Estão longe de ser templos da gastronomia. Mas em geral têm decoração de bom gosto e um menu que sacia a fome com competência. "São, acima de tudo, lugares privilegiados, a poucos metros da cultura", diz Armando Coelho Borges, crítico de restaurantes de Veja São Paulo. "Comida e arte são uma combinação perfeita."

Heudes Regis
Café da Pinacoteca: oásis refrescante na Luz

Uma das opções mais recentes e criativas é o restaurante do Instituto Tomie Ohtake, em Pinheiros. Inaugurado em abril, traz receitas inventivas, feitas pela chef Leila Pires (dona do bufê Panella Bonita), como o guioza de frango aos três molhos e o medalhão com risoto de abóbora, chips de alho-poró e compota de cebola caramelada. "Por estar dentro de um espaço de arte, tinha de fazer um menu mais moderno e arrojado", diz Leila. Aos domingos, é servido um brunch (35 reais) com pães, panquecas, saladas, sucos e vinho. Outra boa dica é o Trio, instalado no Itaú Cultural, na Avenida Paulista. Se o bufê de saladas e pratos quentes não é tão empolgante, o ambiente vale a visita. Em algumas mesas, há um sistema de som que permite que o cliente escolha as músicas preferidas.

Depois de quase três anos sem contar com um restaurante, o Centro Cultural São Paulo inaugurou o Graffiti, do mesmo dono do Restaurante do Masp, aberto em 1987. Localizado em frente de um agradável jardim, serve um almoço simples, mas barato (6,80 reais o bufê completo). "Enquanto no Masp recebo muitos executivos, no Centro Cultural São Paulo a clientela é mais jovem. Por isso, faço pratos básicos a um custo menor", diz o proprietário, Adolfo Gorenstein. No Centro Cultural Banco do Brasil, na região central da cidade, dá para experimentar saborosas receitas e admirar detalhes do imponente prédio. Como na maioria dos outros endereços, o almoço é servido das 12 às 15 horas. Os lanches, até as 18 horas. "O ideal é fazer a refeição e depois dar um giro para conferir a programação cultural de cada lugar", sugere Coelho Borges. "É um passeio e tanto."

 

Menu cultural

Como são e o que servem sete dos melhores restaurantes de museus e institutos culturais da cidade

Bistrô Lyon
Rua Álvares Penteado, 112 (Centro Cultural Banco do Brasil), centro, 3113-3666. 12h/15h (fecha seg.)

Ambiente – Funciona no mezanino, com vista para um elegante átrio. A decoração é, digamos, meio fora de moda, mas a bela arquitetura do edifício faz com que o passeio valha a pena. Não deixe de conhecer o imponente prédio.

Cardápio – Para receber os executivos que trabalham na vizinhança, conta com receitas elaboradas. Mas são um tanto pesadas. Na visita, o salmão chegou seco à mesa. Prefira carnes, como o escalope ao molho gruyère com fettuccine (R$ 20,00).

Graffiti
Rua Vergueiro, 1000 (Centro Cultural São Paulo), Paraíso, 3277-6800. 12h/15h

Ambiente – Simples e despretensioso, com mesas de madeira sem toalha. Jovens ripongas são os principais freqüentadores. Nos dias de calor, refresque-se sentando perto do agradável jardim.

Cardápio – Há várias opções, de sanduíches a grelhados, mas fique com o bufê de saladas e pratos quentes (R$ 6,80 reais). Sem nada de muito especial, é barato, honesto e com jeitão de comida caseira.

Trio
Avenida Paulista, 149 (Itaú Cultural), 3268-1875. 12h/15h

Ambiente – A filial do restaurante Trio, da Vila Olímpia, é ideal para quem quer comer rápido sem perder a pose. Com decoração clean, vive repleto de descolados e engravatados. Uma ótima passarela para ver o que está na moda.

Cardápio – Bufê de saladas e pratos quentes bem-feito, embora um tanto caro (R$ 18,50). Não há opções à la carte. São poucas as sobremesas servidas, incluindo um petit gâteau com recheio gelado que mais parece um bolo Pullman.

Restaurante do MAM
Parque do Ibirapuera, portão 3 (Museu de Arte Moderna), Ibirapuera, 5572-9593. 12h/16h (fecha seg.)

Ambiente – Cercado por paredes de vidro, com vista para a Oca e para o museu, é um dos pedaços mais agradáveis do parque. Durante a semana, visitas de escolas, muitas vezes barulhentas, podem atrapalhar o programa dos adultos.

Cardápio – Pule o bufê de saladas murchas e sem graça. Custa R$ 15,00 e perde para a maioria dos restaurantes por quilo. Os pratos à la carte, que mudam diariamente, são mais convidativos, principalmente os risotos (R$ 16,00, em média).

Restaurante do Masp
Avenida Paulista, 1578 (Museu de Arte de São Paulo), Cerqueira César, 3253-2829. 11h30/15h (sáb. e dom. até 16h30)

Ambiente – Apesar de belas, as cadeiras desenhadas pela arquiteta Lina Bo Bardi mantêm o desconforto característico de seus móveis. Só que comer no museu de arte mais importante da América Latina, a poucos metros de Renoirs e Degas, compensa o sacrifício.

Cardápio – Bandejão caprichado e um menu que muda todos os dias, com grelhados, saladas, massas e sushis. As atendentes quase jogam a comida no prato dos clientes, mas ainda assim o restaurante conserva grande charme.

Café da Pinacoteca
Praça da Luz, 2 (Pinacoteca do Estado), Luz, 3326-0350. 10h/18h (fecha seg.)

Ambiente – Um oásis no meio da árida região da Avenida Tiradentes, com mesinhas ao ar livre próximas do Jardim da Luz. Exposições de fotos adornam as paredes. Peça um chá e ouça os pássaros cantar.

Cardápio – Por causa da gordura que estava se espalhando pelo museu, pratos quentes mais elaborados foram proibidos. O menu traz boas opções de saladas e bruschettas, como a de tomate com aliche (R$ 12,00).

Restaurante do Instituto
Rua dos Coropés, 88 (Instituto Tomie Ohtake), Pinheiros, 6844-1918. 12h/15h (dom. 13h/17h; fecha seg.).

Ambiente – Localizado no fundo do salão de entrada, é um ponto de encontro dos modernos da região, que pagam caro para almoçar ao lado das esculturas de Tomie. A frieza do saguão é quebrada por uma linda parede repleta de vasos de flores.

Cardápio – Pratos criativos acompanham um bufê de saladas. Entre as vedetes está o frango com mel, cuscuz e cenourinhas (R$ 16,10). Pena que os preços sejam salgados: dificilmente uma pessoa gasta menos de R$ 35,00 em uma refeição.

 

Fotos Heudes Regis/Mario Rodrigues/
Juan Esteves/Rogério Montenegro

 

         
     
 
 
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