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18 de dezembro de 2002
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AVENTURA

O pára-quedista urbano

Ele ganha a vida saltando de avião
com gente famosa ou pulando do
topo de arranha-céus

Ricardo Moreno


Marat Leiras


Arquivo pessoal
Gui Pádua com a atriz Luana Piovani (no alto) e num mergulho do Edifício Itália, no centro: "É preciso respeitar os limites"


Com os olhos voltados para o alto, uma multidão se aglomera na Praça da República. Do outro lado da rua, Guilherme Augusto da Cunha Pádua, o Gui, se equilibra sobre a beirada do Edifício Itália, a 168 metros do chão. Ele respira fundo. Prende o ar. Controla a adrenalina e se joga no vazio. A queda livre não dura mais que dois segundos, mas parece uma eternidade. Com uma agilidade surpreendente, Gui Pádua conduz o pára-quedas em direção à praça. Desvia-se de um prédio, dribla os fios de alta-tensão e pousa com segurança. Rapidamente, recolhe o equipamento e entra numa van que sai em disparada. O que poderia ser um roteiro de filme de ação é, na verdade, o cotidiano do pára-quedista Gui Pádua, de 28 anos. "Tenho pavor de altura", confessa. "Sem meu equipamento não consigo sequer chegar perto de uma sacada", exagera.

Formado em administração, há oito anos ele largou um emprego de representante comercial para levar a vida nas alturas. Quatro meses depois já havia comprado um trailer na Flórida, nos Estados Unidos, e começou a praticar base jump – um dos esportes com maior risco de morte do mundo. Nele, o maluco salta de prédios (o b, de buildings, em inglês), de antenas (o a, de antenna), de pontes (o s, de span) e de montanhas (o e, de earth) munido de um pára-quedas quase três vezes maior que o normal. "Se o equipamento falha, não há segunda chance", diz. Somente na cidade de São Paulo, o mineiro Gui já se jogou três vezes do topo do edifício da Eletropaulo (100 metros), na Juscelino Kubitschek; cinco vezes do Plaza Centenário (132 metros), também conhecido como "Robocop", na Marginal Pinheiros; e uma vez do Edifício Itália, no centro da cidade. "Agora pretendo saltar da antena da TV Bandeirantes (212 metros), na Avenida Paulista", afirma. "Cheguei a subir, mas não me senti seguro. É preciso respeitar os limites para que nada dê errado."

Gui Pádua é um dos poucos pára-quedistas brasileiros que ganham dinheiro com o esporte. Desde maio de 2000 comanda o programa da Sportv Atmosphera, no qual leva convidados famosos para saltos de avião, a exemplo da apresentadora Sabrina Parlatore, do ator Maurício Mattar e da atriz Luana Piovani. Recentemente, Gui engordou sua conta bancária estrelando dois comerciais para a televisão. Em ambos, fez o papel dele mesmo. Embolsou, em cada um, cerca de 10.000 reais. "Ele é um cara criativo, de personalidade, honesto e engraçadíssimo", afirma o apresentador Marcos Mion, em cujo programa, Sobcontrole, da Rede Bandeirantes, pretende estrear em março do ano que vem um quadro semanal de aventuras radicais. Ou seja, novas maluquices estão a caminho.

         
     
 
 
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