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AVENTURA
O
pára-quedista urbano
Ele
ganha a vida saltando de avião
com gente famosa ou pulando do
topo de arranha-céus
Ricardo
Moreno
Marat Leiras
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Arquivo pessoal
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| Gui
Pádua com a atriz Luana Piovani (no alto) e num
mergulho do Edifício Itália, no centro: "É
preciso respeitar os limites" |
Com os olhos voltados para o alto, uma multidão se aglomera
na Praça da República. Do outro lado da rua, Guilherme
Augusto da Cunha Pádua, o Gui, se equilibra sobre a beirada
do Edifício Itália, a 168 metros do chão. Ele
respira fundo. Prende o ar. Controla a adrenalina e se joga no vazio.
A queda livre não dura mais que dois segundos, mas parece
uma eternidade. Com uma agilidade surpreendente, Gui Pádua
conduz o pára-quedas em direção à praça.
Desvia-se de um prédio, dribla os fios de alta-tensão
e pousa com segurança. Rapidamente, recolhe o equipamento
e entra numa van que sai em disparada. O que poderia ser um roteiro
de filme de ação é, na verdade, o cotidiano
do pára-quedista Gui Pádua, de 28 anos. "Tenho pavor
de altura", confessa. "Sem meu equipamento não consigo sequer
chegar perto de uma sacada", exagera.
Formado
em administração, há oito anos ele largou um
emprego de representante comercial para levar a vida nas alturas.
Quatro meses depois já havia comprado um trailer na Flórida,
nos Estados Unidos, e começou a praticar base jump um
dos esportes com maior risco de morte do mundo. Nele, o maluco salta
de prédios (o b, de buildings, em inglês),
de antenas (o a, de antenna), de pontes (o s,
de span) e de montanhas (o e, de earth) munido
de um pára-quedas quase três vezes maior que o normal.
"Se o equipamento falha, não há segunda chance", diz.
Somente na cidade de São Paulo, o mineiro Gui já se
jogou três vezes do topo do edifício da Eletropaulo
(100 metros), na Juscelino Kubitschek; cinco vezes do Plaza Centenário
(132 metros), também conhecido como "Robocop", na Marginal
Pinheiros; e uma vez do Edifício Itália, no centro
da cidade. "Agora pretendo saltar da antena da TV Bandeirantes (212
metros), na Avenida Paulista", afirma. "Cheguei a subir, mas não
me senti seguro. É preciso respeitar os limites para que
nada dê errado."
Gui
Pádua é um dos poucos pára-quedistas brasileiros
que ganham dinheiro com o esporte. Desde maio de 2000 comanda o
programa da Sportv Atmosphera, no qual leva convidados famosos
para saltos de avião, a exemplo da apresentadora Sabrina
Parlatore, do ator Maurício Mattar e da atriz Luana Piovani.
Recentemente, Gui engordou sua conta bancária estrelando
dois comerciais para a televisão. Em ambos, fez o papel dele
mesmo. Embolsou, em cada um, cerca de 10.000
reais. "Ele é um cara criativo, de personalidade, honesto
e engraçadíssimo", afirma o apresentador Marcos Mion,
em cujo programa, Sobcontrole, da Rede Bandeirantes, pretende
estrear em março do ano que vem um quadro semanal de aventuras
radicais. Ou seja, novas maluquices estão a caminho.
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