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TRANSPORTE
Ataque
aos grandões
A prefeitura
restringe a circulação de
ônibus fretados
e acirra a discussão
sobre o sistema
Marcos Buarque
de Gusmão
Fotos Heudes Regis
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Desembarque na Paulista:
100 veículos por hora no pico
da manhã |
O serviço
de fretamento de ônibus surgiu em São Paulo como alternativa
às deficiências do transporte público. Fábricas
alugavam veículos para recolher seus funcionários
em vários pontos da cidade e deixá-los no trabalho.
No fim do dia, a operação era realizada no caminho
inverso. Com o tempo, muitos paulistanos e moradores de cidades
próximas aderiram à idéia. Atualmente, estima-se
que 500.000 pessoas embarquem diariamente nos 7.000 ônibus
desse tipo que circulam na capital, muitos deles procedentes de
municípios vizinhos. Só na Avenida Paulista, entre
7h30 e 8h30, cerca de 100 fretados param ao longo da via para deixar
passageiros. No mesmo período do pico da manhã, eles
disputam espaço com os 188 coletivos que também passam
por ali. Muitas vezes chegam a ocupar duas faixas, o que ajuda a
complicar ainda mais o trânsito dessa e de outras regiões.
Uma medida da prefeitura acirrou a discussão sobre o tráfego
desses grandalhões. A passagem dos veículos em avenidas
com corredores foi proibida, e há a intenção
de expulsá-los das faixas exclusivas para ônibus. "Se
isso realmente acontecer, o fretamento perde o sentido", diz o especialista
em trânsito Laurindo Junqueira, consultor da Empresa Metropolitana
de Transportes Urbanos (EMTU). "Se é para ficar parado no
congestionamento atrás dos carros, ninguém vai chegar
na hora ao serviço."
Desde 2002
a prefeitura tenta criar regras mais rigorosas para o fretamento.
Os veículos não podem ter mais de vinte anos de uso,
e os motoristas precisam passar por cursos de capacitação.
Estacionar em vias públicas ou rodar vazios pela cidade aguardando
a hora de recolher os passageiros foi proibido. "Recebíamos
muitas queixas de moradores", afirma o secretário municipal
de Transportes, Gerson Luiz Bittencourt. "Os motoristas faziam barulho
e fechavam a entrada de garagens." Agora, os carros passam o dia
em estacionamentos improvisados, como o terreno do esqueleto da
Eletropaulo na Marginal Pinheiros, ou retornam para os pátios
das empresas. Para o consultor Roberto Scaringella, a opção
da prefeitura por restringir o tráfego dos fretados pode
criar mais um problema do que uma solução. "É
necessário abrir caminho para o transporte coletivo, seja
público, seja privado", diz. Segundo os cálculos de
Scaringella, cada ônibus fretado representa quinze automóveis
a menos nos congestionamentos paulistanos.
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De porta a porta
808
empresas
estão autorizadas a prestar o serviço de fretamento
em São Paulo
7000
ônibus
fretados circulam na cidade é quase a metade
da frota de coletivos convencionais
500000
pessoas usam esse tipo de condução, segundo
o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros por
Fretamento
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