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18 de agosto de 2004
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TRANSPORTE

Ataque aos grandões

A prefeitura restringe a circulação de
ônibus
fretados e acirra a discussão
sobre o sistema

Marcos Buarque de Gusmão

 
Fotos Heudes Regis
Desembarque na Paulista: 100 veículos por hora no pico
da manhã

O serviço de fretamento de ônibus surgiu em São Paulo como alternativa às deficiências do transporte público. Fábricas alugavam veículos para recolher seus funcionários em vários pontos da cidade e deixá-los no trabalho. No fim do dia, a operação era realizada no caminho inverso. Com o tempo, muitos paulistanos e moradores de cidades próximas aderiram à idéia. Atualmente, estima-se que 500.000 pessoas embarquem diariamente nos 7.000 ônibus desse tipo que circulam na capital, muitos deles procedentes de municípios vizinhos. Só na Avenida Paulista, entre 7h30 e 8h30, cerca de 100 fretados param ao longo da via para deixar passageiros. No mesmo período do pico da manhã, eles disputam espaço com os 188 coletivos que também passam por ali. Muitas vezes chegam a ocupar duas faixas, o que ajuda a complicar ainda mais o trânsito dessa e de outras regiões. Uma medida da prefeitura acirrou a discussão sobre o tráfego desses grandalhões. A passagem dos veículos em avenidas com corredores foi proibida, e há a intenção de expulsá-los das faixas exclusivas para ônibus. "Se isso realmente acontecer, o fretamento perde o sentido", diz o especialista em trânsito Laurindo Junqueira, consultor da Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU). "Se é para ficar parado no congestionamento atrás dos carros, ninguém vai chegar na hora ao serviço."

Desde 2002 a prefeitura tenta criar regras mais rigorosas para o fretamento. Os veículos não podem ter mais de vinte anos de uso, e os motoristas precisam passar por cursos de capacitação. Estacionar em vias públicas ou rodar vazios pela cidade aguardando a hora de recolher os passageiros foi proibido. "Recebíamos muitas queixas de moradores", afirma o secretário municipal de Transportes, Gerson Luiz Bittencourt. "Os motoristas faziam barulho e fechavam a entrada de garagens." Agora, os carros passam o dia em estacionamentos improvisados, como o terreno do esqueleto da Eletropaulo na Marginal Pinheiros, ou retornam para os pátios das empresas. Para o consultor Roberto Scaringella, a opção da prefeitura por restringir o tráfego dos fretados pode criar mais um problema do que uma solução. "É necessário abrir caminho para o transporte coletivo, seja público, seja privado", diz. Segundo os cálculos de Scaringella, cada ônibus fretado representa quinze automóveis a menos nos congestionamentos paulistanos.

 

De porta a porta

808 empresas estão autorizadas a prestar o serviço de fretamento em São Paulo

7000 ônibus fretados circulam na cidade – é quase a metade da frota de coletivos convencionais

500000 pessoas usam esse tipo de condução, segundo o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros por Fretamento

     
   
 
 
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