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CONSUMO
Vale a pena comprar no free shop? Alguns produtos, sim.
Mas aparelhos eletrônicos custam até 87% mais caro que em
outros países Rodrigo Brancatelli
Para a maioria dos turistas, dar uma passadinha no free shop após uma viagem
ao exterior é um programa quase tão obrigatório quanto ver
a Estátua da Liberdade em Nova York ou a Torre Eiffel em Paris. Afinal,
quem resiste à tentação de comprar uísque escocês,
chocolate belga e mimos eletrônicos de última geração
sem impostos? Essa perdição tende a aumentar. Até o fim do
ano, passageiros de vôos internacionais terão à disposição
nos aeroportos brasileiros novas grifes, como Hermès, Lacoste e Bulgari.
Isso porque as 29 lojas do free shop, mantidas desde 1978 pela empresa Brasif,
foram vendidas por 250 milhões de dólares para a multinacional Dufry,
que possui 370 pontos-de-venda em aeroportos de 35 países. Um dos maiores
atrativos do Brasil é o crescimento anual de 15% no número de viajantes,
o dobro do que se observa no restante do mundo. Já as vendas vêm
crescendo 33% ao ano desde 2001 e atingiram 262 milhões de dólares
no ano passado. As lojas duty-free do Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, apresentam
o segundo maior faturamento das Américas, perdendo apenas para o John F.
Kennedy, de Nova York. Mas será que os preços são assim tão
atraentes? No free shop do desembarque podem-se
gastar até 500 dólares ou quase 1.090 reais, pois desde o
dia 5 a moeda brasileira é aceita. Já no embarque para outros países
não há limite de gastos. Ao voltar, entretanto, o passageiro brasileiro
precisa declarar todos os bens adquiridos (tanto no free shop do embarque quanto
em lojas no exterior) e pagar imposto de 50% sobre o que exceder 500 dólares.
Há cerca de 10.000 produtos importados no duty-free de Cumbica. De acordo
com um levantamento de Veja São Paulo em seis aeroportos do mundo
(veja o quadro), bebidas
e perfumes podem sair mais em conta que na Europa. Uma garrafa de 1 litro do Johnnie
Walker Black Label custa em Guarulhos 30,50 dólares, enquanto em Paris
sai por 35 dólares e em Amsterdã, 37,50. O perfume Polo Black tem
diferença de apenas 1 ou 2 dólares. Em Buenos Aires, a unidade duty-free
chega a ser 20% mais cara (principalmente por causa do aluguel mais alto e do
estoque pequeno, o que encarece o frete). No entanto,
quando se levam em conta os produtos eletrônicos, a situação
muda. Enquanto um iPod de 30 gigabytes de capacidade custa 499 dólares
por aqui, em Nova York ele sai por 340 e em Londres, por 400. Uma câmera
ou uma filmadora digital pode custar 87% a mais do que nos EUA. Segundo a Brasif,
a culpa é dos impostos. O free shop brasileiro tem autorização
da Receita Federal para vender sem o imposto sobre a importação
de produtos estrangeiros (II). Em termos práticos, isso significa até
40% de desconto (o mesmo iPod, por exemplo, é vendido por 1.799 reais na
Fnac, o equivalente a 825 dólares). Ainda assim, a empresa é obrigada
a pagar contribuições trabalhistas e alíquotas sobre o faturamento,
como PIS, Cofins, Fundaf. Em muitos lugares, há a isenção
total ou parcial de taxas, o que diminui os preços. "Sem falar que o frete
para o Brasil custa mais que para outros países", diz Gustavo Fagundes,
diretor de operações da Dufry. "Com a nova direção,
teremos um poder de barganha maior com os fornecedores e seremos mais competitivos."
Compare
os preços de alguns artigos no Aeroporto de Cumbica e em outras
cidades (em dólares) 
1 - Aparelho de
MP3 iPod de 30 gibabytes
Buenos Aires 681 São Paulo 499 Londres
400 Paris 393 Amsterdã 387 Nova York
340 2
- Câmera digital Sony Cyber-shot
DSC-T5 São Paulo 599* Buenos Aires
590 Amsterdã 399 Londres 380 Nova York
320 Paris não vende 3
- Uísque Johnnie Walker Black Label 1 litro Amsterdã
37,50 Paris 35 Londres 31 Buenos Aires
30,50 São Paulo 30,50 Nova York 28,99 4
- Perfume Polo Black (Ralph Lauren) 75 mililitros Buenos Aires
52 São Paulo 43 Nova York 42 Londres
41 Amsterdã 41 Paris 40 5
- Óculos Ray-Ban Aviator 3025
Buenos Aires 140 Amsterdã 129 Paris
108 São Paulo 101 Nova York 79,99 Londres
não vende 6
- Filmadora digital Sony Handycam DCRHC21 São Paulo 749*
Amsterdã - 550 Londres 510 Nova York 420 Buenos
Aires não vende Paris não vende 7
- Computador de mão Palm Zire 22 Color São Paulo
159 Amsterdã 127 Paris 127 Londres
123 Nova York 99 Buenos Aires não vende
* Só pode ser comprada no embarque de São
Paulo para o exterior. Na chegada, o limite de compras é de
500 dólares por pessoa. |
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