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COMPORTAMENTO
Conhece os emos? Show do Yellowcard reúne
a peculiar tribo urbana da cidade Rodrigo Brancatelli
Roqueiro de hoje não tem mais aqueles cabelos volumosos da década
de 80. A cara de mau também foi aposentada. Agora, ele esconde os olhos
pintados com lápis atrás de franjas caídas no rosto, usa
colares de bolinhas, carrega mochilinhas e veste roupas com quadriculadinhos.
Isso mesmo, tudo no diminutivo. Quando encontram sua turma, eles se abraçam
e se beijam seja meninos com meninas, meninos com meninos, meninas com
meninas, ou todo mundo junto. Não raro, choram. "Gostamos de mostrar nossos
sentimentos", afirma Yuri Calixto, de 16 anos. "Não é um lance depressivo,
mas a gente se emociona fácil com as músicas", diz Melissa Andrade,
15. Os dois fazem parte de uma tribo urbana que vem deixando alguns pais de cabelo
em pé. São os emos, grupo de adolescentes sensíveis que curtem
uma vertente do punk rock chamada de emocore (união de som pesado com letras
românticas). No próximo sábado (19), uma legião deles
deve se reunir no Via Funchal para assistir ao show da banda americana Yellowcard.
No repertório, letras como "Acredite / Pense na força do amor no
coração / Tudo vai dar certo / Seja forteeeeee".
Esse gênero musical dor-de-cotovelo, que virou fenômeno mundial nos
últimos anos, surgiu em Washington, nos Estados Unidos, na década
de 80. É música feita por adolescentes para adolescentes, cantando
frustrações bem típicas dessa fase da vida. No Brasil, principalmente
em São Paulo, o emocore foi transformado em estilo de vida por garotos
e garotas de 14 a 18 anos, com visual e regras próprios. "Agora, todo mundo
quer ser emo", acredita a estudante de moda Stephanie Pavanelli, de 18 anos, que
garante ter se tornado fã do movimento antes de sua popularização.
"Os mais novos ficam com essa mania de falar 'inho', de se beijar na rua, de usar
franja longa, só para aparecer. É por isso que as pessoas nos estranham."
Se os adeptos crescem, o preconceito aumenta em velocidade ainda maior. Na Galeria
do Rock, reduto histórico de metaleiros no centro, alguns comerciantes
irritados com os beijos em grupo colocaram placas nas vitrines das lojas com os
dizeres: "Proibido estacionar emos e emas". A mãe de Yuri, a médica
Edna Cazarini, conta que o filho já apanhou por ser emo. "Eu sei que é
comum o adolescente entrar para um determinado tipo de grupo, mas isso já
está me deixando sem dormir", afirma. "Comprei gorros e bonés para
que escondesse a franja, e ele não quis nem saber." Fotos
Fernando Moraes
 | | Melissa
Andrade: "A gente se emociona fácil com as músicas" |
O
estilo delas
Cabelo colorido
Piercings, colares, pulseiras e presilhas infantis
Vestido de bolinha estilo anos 60 ou roupas coloridas e com estampas quadriculadas
dos anos 80 Meia arrastão
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 | | Yuri
Calixto: "Gostamos de mostrar nossos sentimentos" |
O
estilo deles
Franjas enormes
Camiseta preta de banda, curta e apertada
Cinto de rebite e tênis estilo anos 80
Pulseiras, fitas e munhequeiras |
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