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COMPORTAMENTO
Flashes mal-educados Câmeras digitais incomodam quem
quer assistir a espetáculos em paz Sandra Soares
Assíduo freqüentador de espetáculos
de música erudita há 35 anos, o crítico de ópera Sérgio
Casoy criou recentemente o hábito de investigar, antes do início
das apresentações, seus vizinhos de platéia. "Se são
parentes dos artistas ou gente que não costuma freqüentar teatros,
acabo cercado por câmeras", conta ele. "De um ano para cá, é
quase impossível ver uma récita sem ser atrapalhado por elas." Nas
casas de espetáculo da cidade, fotografar durante as encenações
é proibido. Mas o público tem o mau hábito de desrespeitar
a regra, principalmente depois da popularização dos celulares com
câmera e das máquinas digitais. Quando há celebridades no
elenco, então, a incidência de cliques é maior. Adriane Galisteu,
protagonista de O Rim, atrai para si tantas câmeras que dois produtores
da peça precisam andar agachados pela sala pedindo à platéia
que respeite a proibição. "Eu percebo vários celulares apontados
para mim", afirma ela. "E às vezes eles ainda tocam."
Durante uma apresentação da comédia Surto, o celular
de um engraçadinho quase causou um acidente. Para se guiar durante uma
passagem em que há um apagão, o ator Wendell Bendelack colou um
papel brilhante na parede para a qual deveria se dirigir. O adesivo era do mesmo
formato de uma tela de telefone móvel. "Alguém da primeira fila
abriu seu aparelho e eu segui o retângulo errado", lembra ele. "Fui parar
nos pés do público." Nos shows de pista realizados nas casas do
grupo CIE Brasil, a platéia é revistada antes de entrar e as pilhas
e baterias de equipamentos fotográficos são confiscadas. Mesmo assim,
numa apresentação recente da cantora Marisa Monte, no Credicard
Hall, uma garota foi flagrada, no meio da multidão, gravando o espetáculo
com uma pequena filmadora e teve o equipamento apreendido até o fim do
show. Das sete apresentações semanais do musical O Fantasma da
Ópera, em cartaz no Teatro Abril, em pelo menos cinco há o recolhimento
de câmeras do público. Segundo a advogada Mariana Deperon, especialista
em direito de personalidade e propriedade intelectual, as casas de espetáculo
podem proceder dessa maneira. "Se a pessoa se recusar a entregar a câmera,
é legal ainda exigir que ela se retire", explica. "Mas não é
permitido, sem a autorização do dono do equipamento, apagar as imagens
gravadas." Se a vontade de clicar o ídolo
for incontrolável, procure informar-se primeiro com a produção
do espetáculo se isso é permitido. "Mas o melhor mesmo é
negociar uma recepção no camarim", recomenda a consultora de etiqueta
Ligia Marques. Ainda que fotografar seja tolerado, a boa educação
aconselha parcimônia e discrição. "Não use flashes,
não invada o campo visual de outras pessoas e, se for interpelado, não
tente argumentar." Afinal, nem dá para discutir que sacar a câmera
durante apresentações é, no mínimo, inadequado. Dependendo
de quem faz uso, qualquer tipo de tecnologia pode se transformar num incômodo.
Alguns países, como o Japão, usam bloqueadores de celular de baixo
alcance para impedir o sinal em lugares públicos fechados já
que as pessoas não largam o aparelho. Uma invenção dessas,
que pudesse barrar a ação dos fotógrafos-espectadores, não
seria nada ruim por aqui. |