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14 de junho de 2006
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Flashes mal-educados

Câmeras digitais incomodam quem
quer assistir a espetáculos em paz

Sandra Soares

 


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Fórum: Você já se sentiu incomodado por câmeras digitais em shows, peças de teatro e concertos? Na sua opinião, o que deve ser feito para coibir a ação dos espectadores-fotógrafos? Participe.
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Assíduo freqüentador de espetáculos de música erudita há 35 anos, o crítico de ópera Sérgio Casoy criou recentemente o hábito de investigar, antes do início das apresentações, seus vizinhos de platéia. "Se são parentes dos artistas ou gente que não costuma freqüentar teatros, acabo cercado por câmeras", conta ele. "De um ano para cá, é quase impossível ver uma récita sem ser atrapalhado por elas." Nas casas de espetáculo da cidade, fotografar durante as encenações é proibido. Mas o público tem o mau hábito de desrespeitar a regra, principalmente depois da popularização dos celulares com câmera e das máquinas digitais. Quando há celebridades no elenco, então, a incidência de cliques é maior. Adriane Galisteu, protagonista de O Rim, atrai para si tantas câmeras que dois produtores da peça precisam andar agachados pela sala pedindo à platéia que respeite a proibição. "Eu percebo vários celulares apontados para mim", afirma ela. "E às vezes eles ainda tocam."

Durante uma apresentação da comédia Surto, o celular de um engraçadinho quase causou um acidente. Para se guiar durante uma passagem em que há um apagão, o ator Wendell Bendelack colou um papel brilhante na parede para a qual deveria se dirigir. O adesivo era do mesmo formato de uma tela de telefone móvel. "Alguém da primeira fila abriu seu aparelho e eu segui o retângulo errado", lembra ele. "Fui parar nos pés do público." Nos shows de pista realizados nas casas do grupo CIE Brasil, a platéia é revistada antes de entrar e as pilhas e baterias de equipamentos fotográficos são confiscadas. Mesmo assim, numa apresentação recente da cantora Marisa Monte, no Credicard Hall, uma garota foi flagrada, no meio da multidão, gravando o espetáculo com uma pequena filmadora e teve o equipamento apreendido até o fim do show. Das sete apresentações semanais do musical O Fantasma da Ópera, em cartaz no Teatro Abril, em pelo menos cinco há o recolhimento de câmeras do público. Segundo a advogada Mariana Deperon, especialista em direito de personalidade e propriedade intelectual, as casas de espetáculo podem proceder dessa maneira. "Se a pessoa se recusar a entregar a câmera, é legal ainda exigir que ela se retire", explica. "Mas não é permitido, sem a autorização do dono do equipamento, apagar as imagens gravadas."

Se a vontade de clicar o ídolo for incontrolável, procure informar-se primeiro com a produção do espetáculo se isso é permitido. "Mas o melhor mesmo é negociar uma recepção no camarim", recomenda a consultora de etiqueta Ligia Marques. Ainda que fotografar seja tolerado, a boa educação aconselha parcimônia e discrição. "Não use flashes, não invada o campo visual de outras pessoas e, se for interpelado, não tente argumentar." Afinal, nem dá para discutir que sacar a câmera durante apresentações é, no mínimo, inadequado. Dependendo de quem faz uso, qualquer tipo de tecnologia pode se transformar num incômodo. Alguns países, como o Japão, usam bloqueadores de celular de baixo alcance para impedir o sinal em lugares públicos fechados – já que as pessoas não largam o aparelho. Uma invenção dessas, que pudesse barrar a ação dos fotógrafos-espectadores, não seria nada ruim por aqui.

     
   
 
 
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