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CURSO
Com vocês,
os amadores Eles
não pensam em virar celebridade, mas lotam as escolas de teatro Lia
Bock Heudes
Régis
 | 1.
Patrícia Centurion, designer de jóias:
assídua nas aulas, apesar da barriga de
oito meses 2.
Ana Lúcia Spina, arquiteta: mais segurança para lidar com os clientes
3.
Rafael Lafemina, empresário: um dos trinta alunos do Studio Cristina Mutarelli
4. Kim
Gonçalves, 13 anos:
técnicas aplicadas
em casa |
A
maioria não sonha com a fama. Muito menos pensa em largar tudo para virar
ator. Mas aproveita as aulas para relaxar, aprender a falar em público
ou simplesmente fugir da rotina. Com isso, as escolas de teatro paulistanas estão
cada vez mais cheias de amadores. São designers, médicos, arquitetos
e empresários que buscam se desenvolver através das técnicas
e exercícios teatrais. Inaugurada há dois meses pelo diretor Ulysses
Cruz, a Globe, em Pinheiros, já reúne 100 inscritos com esse perfil.
No Studio Cristina Mutarelli, na Vila Madalena, há lista de espera para
as trinta vagas. As três unidades da Macunaíma e a Escola Célia
Helena, no Itaim, são igualmente concorridas. "Os novatos adoram experimentar
diferentes papéis", afirma Cristina Mutarelli, atriz e professora da escola
que leva seu nome. "Sentem o gostinho de ser mau ou engraçado."
A arquiteta Ana Lúcia Spina, por exemplo, perdeu o medo de se expor no
trabalho após um ano e meio de aulas. "O teatro mostra novas formas de
se colocar", diz. "Hoje sou mais segura quando falo com os clientes." A designer
de jóias Patrícia Centurion freqüenta a mesma turma de Ana
Lúcia, mas não por razões profissionais. "Faço por
pura diversão, só para relaxar", conta ela, que não perde
uma aula, mesmo grávida de oito meses. "É como ir ao cinema ou a
um show. Aqui esqueço de tudo." Heudes
Régis
 | Mário
Rodrigues
 | | Depois
de verem a animação da filha Giorgia com o curso, Carlos e Daniela Liguori também
ingressaram na Escola Célia Helena. Para a modelo Verônica Santos (ao lado),
o teatro ajuda a pisar firme na passarela |
Como a idéia não é sair interpretando Shakespeare, os cursos
não profissionalizantes normalmente duram entre três e seis meses.
A mensalidade gira em torno de 180 reais (para uma aula por semana). Tem gente
que até aplica as técnicas aprendidas em casa, de maneira bem peculiar.
É o caso do estudante Kim Gonçalves, de 13 anos. "Agora ficou mais
fácil reatar com a minha irmã depois das nossas brigas", conta.
"Faço cara de tristinho e arrependido como ninguém." É por
essa e outras que Lígia Cortez, atriz e diretora do Teatro Escola Célia
Helena, acha uma delícia ensinar os amadores. "As pessoas estão
ali para se desenvolver", diz. "Buscam ferramentas que ajudem na profissão
ou na vida pessoal, cada uma a sua maneira."
A meta da modelo Verônica Santos é ganhar segurança na passarela
e no vídeo. "Freqüento o curso há apenas dois meses e me sinto
mais confiante nos testes que tenho realizado." O empresário Carlos Liguori
se interessou em engrossar o time dos atores amadores após ver a animação
da filha Giorgia, de 4 anos, com as aulas. Ele e a mulher, Daniela, se matricularam
na mesma escola. "Não tem gente que faz ginástica para fortalecer
os músculos?", diz. "Para nós, as aulas de teatro fortalecem o espírito."
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