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13 de outubro de 2004
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Com vocês, os amadores

Eles não pensam em virar celebridade,
mas lotam as escolas de teatro

Lia Bock

 
Heudes Régis

1. Patrícia Centurion, designer de jóias: assídua nas aulas, apesar da barriga de oito meses

2. Ana Lúcia Spina, arquiteta: mais segurança para lidar com os clientes

3. Rafael Lafemina, empresário: um dos trinta alunos do Studio Cristina Mutarelli

4. Kim Gonçalves, 13 anos: técnicas aplicadas em casa



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A maioria não sonha com a fama. Muito menos pensa em largar tudo para virar ator. Mas aproveita as aulas para relaxar, aprender a falar em público ou simplesmente fugir da rotina. Com isso, as escolas de teatro paulistanas estão cada vez mais cheias de amadores. São designers, médicos, arquitetos e empresários que buscam se desenvolver através das técnicas e exercícios teatrais. Inaugurada há dois meses pelo diretor Ulysses Cruz, a Globe, em Pinheiros, já reúne 100 inscritos com esse perfil. No Studio Cristina Mutarelli, na Vila Madalena, há lista de espera para as trinta vagas. As três unidades da Macunaíma e a Escola Célia Helena, no Itaim, são igualmente concorridas. "Os novatos adoram experimentar diferentes papéis", afirma Cristina Mutarelli, atriz e professora da escola que leva seu nome. "Sentem o gostinho de ser mau ou engraçado."

A arquiteta Ana Lúcia Spina, por exemplo, perdeu o medo de se expor no trabalho após um ano e meio de aulas. "O teatro mostra novas formas de se colocar", diz. "Hoje sou mais segura quando falo com os clientes." A designer de jóias Patrícia Centurion freqüenta a mesma turma de Ana Lúcia, mas não por razões profissionais. "Faço por pura diversão, só para relaxar", conta ela, que não perde uma aula, mesmo grávida de oito meses. "É como ir ao cinema ou a um show. Aqui esqueço de tudo."

 
Heudes Régis
Mário Rodrigues
Depois de verem a animação da filha Giorgia com o curso, Carlos e Daniela Liguori também ingressaram na Escola Célia Helena. Para a modelo Verônica Santos (ao lado), o teatro ajuda a pisar firme na passarela

Como a idéia não é sair interpretando Shakespeare, os cursos não profissionalizantes normalmente duram entre três e seis meses. A mensalidade gira em torno de 180 reais (para uma aula por semana). Tem gente que até aplica as técnicas aprendidas em casa, de maneira bem peculiar. É o caso do estudante Kim Gonçalves, de 13 anos. "Agora ficou mais fácil reatar com a minha irmã depois das nossas brigas", conta. "Faço cara de tristinho e arrependido como ninguém." É por essa e outras que Lígia Cortez, atriz e diretora do Teatro Escola Célia Helena, acha uma delícia ensinar os amadores. "As pessoas estão ali para se desenvolver", diz. "Buscam ferramentas que ajudem na profissão ou na vida pessoal, cada uma a sua maneira."

A meta da modelo Verônica Santos é ganhar segurança na passarela e no vídeo. "Freqüento o curso há apenas dois meses e me sinto mais confiante nos testes que tenho realizado." O empresário Carlos Liguori se interessou em engrossar o time dos atores amadores após ver a animação da filha Giorgia, de 4 anos, com as aulas. Ele e a mulher, Daniela, se matricularam na mesma escola. "Não tem gente que faz ginástica para fortalecer os músculos?", diz. "Para nós, as aulas de teatro fortalecem o espírito."

 

Onde praticar

• Globe SP Centro de Formação do Ator, 3097-9933; • Studio Cristina Mutarelli, 3675-2803; • Teatro Escola Célia Helena, 3884-8214; • Teatro Escola Macunaíma, 3667-0807; • Tuca, 3670-8460

     
   
 
 
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