Happy hour

Peças são encenadas na hora do rush

Luísa Alcalde

 
Divulgação

O elenco do musical Surabaya, Johnny!: a partir das 7 da noite

Depois de consagrada nos bares, a happy hour entra em cartaz em alguns teatros paulistanos. Três produções adiantaram o relógio para atrair o público que prefere assistir a um espetáculo logo após o trabalho. Surabaya, Johnny!, por exemplo, em cartaz às quartas-feiras no Teatro Galpão do Folias, começa às 19 horas, quando muita gente ainda está presa no trânsito. "Para quem mora ou trabalha no centro, é uma excelente opção", acredita o diretor Dagoberto Feliz. Os espectadores gostaram da novidade. "Há muito tempo deveria ser assim, como em Nova York e Londres", afirma o maestro Paulo Herculano, fã dessas vesperais.

Os 353 lugares da Sala Adoniran Barbosa, no Centro Cultural São Paulo, na Rua Vergueiro, ficam tomados quando se encena a tragicomédia A Estranha (?) Vida de Hilletje Jans, às 19h30. "Não damos tempo de as pessoas voltarem para casa e pensarem se vale a pena sair de novo", diz a diretora Vera Achatkin. "Por isso, a iniciativa deu certo." Claro que nem sempre a coisa funciona. Pai, com Bete Coelho no elenco e direção de Paulo Autran, teve uma breve e malsucedida incursão na hora do rush. Por causa dos atrasos da audiência, a produção decidiu encenar o monólogo a partir das 21 horas. "A idéia era resgatar o espírito das matinês teatrais, muito comuns há três décadas", conta o veterano Paulo Autran. "Tivemos de voltar atrás porque muita gente não conseguia chegar a tempo."

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