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TRÂNSITO
Multas
e mais multas.
E a CET no vermelho
Companhia
arrecada mais de 300 milhões
de reais por ano com autuações, mas ainda
assim enfrenta grave crise financeira, tendo
de cortar gastos e funcionários
Erika
Sallum
Leo Feltran
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889 funcionários trabalham atualmente na empresa, entre
eles 1 423 marronzinhos |
Responsável por organizar o trânsito dos 5 milhões
de carros paulistanos que saem às ruas todos os dias, a Companhia
de Engenharia de Tráfego (CET) enfrenta um período
dificílimo. Apesar de ter arrecadado só no ano passado
cerca de 314 milhões de reais com multas, a empresa atravessa
uma crise financeira que a levou a diminuir drasticamente os custos
e a demitir parte de seu pessoal. Inconformados, os funcionários,
incluindo os marronzinhos, fizeram greve há duas semanas.
O caótico tráfego da capital, que ganha a cada dia
500 novos veículos, ficou ainda mais complicado. A situação
se agravou quando a prefeitura anunciou um corte de 38 milhões
de reais no orçamento de 2003. A partir daí, uma redução
de 25% nas despesas foi imposta na companhia, em setores que vão
de gastos com xerox a serviços de limpeza. "Mesmo com essas
medidas, tivemos de dispensar gente", diz Francisco Macena, presidente
da CET. Neste ano, foram demitidas 445 pessoas. "Se não fizéssemos
isso, logo teríamos de cancelar contratos e até atrasar
salários. Estamos tentando não inviabilizar nosso
trabalho."
Uma
das principais causas da crise é o caminho do dinheiro das
autuações, que vai primeiro para os cofres do governo
municipal e só depois parte dele é repassada para
a Secretaria de Transportes. "Isso é inaceitável e
contraria o Código de Trânsito Brasileiro", afirma
Roberto Salvador Scaringella, especialista em segurança no
trânsito, ex-secretário municipal de Transportes e
um dos fundadores da CET. Segundo o código, "a receita arrecadada
com cobrança das multas deve ser aplicada exclusivamente
em sinalização, engenharia de tráfego, de campo,
policiamento, fiscalização e educação
no trânsito". Não é o que acontece hoje em São
Paulo. "A prefeitura está sucateando um órgão
essencial para a cidade. Não dá para ficar demitindo
mão-de-obra especializada. A segurança dos motoristas
fica comprometida e os congestionamentos tendem a aumentar", observa
Scaringella.
Celso Junior/AE
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Sergio Castro/AE
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| 445
pessoas foram cortadas desde janeiro, além de uma redução
de 25% nos gastos |
773 veículos compõem a
frota destinada a atender a toda a capital, sendo que em média
20% deles ficam parados para manutenção |
Não
é de hoje que a CET sofre com poucos recursos. Criada em
1976, a empresa passou por inúmeras dificuldades e conta
atualmente com apenas 3.889 funcionários
para controlar congestionamentos que volta e meia superam os 100
quilômetros de extensão. Dentre eles, 1.423
marronzinhos, que se dividem em turnos. Para circular, há
somente 773 carros, guinchos e motos pouco para uma cidade
do tamanho de São Paulo. "Para nos equipararmos a metrópoles
como a Cidade do México, precisaríamos ter no mínimo
mais 1.000 marronzinhos nas ruas", afirma
Macena. "A gente se vira como pode." Além de aplicar multas
e cuidar do trânsito, a CET ainda tem de remover carros e
caminhões quebrados (são cerca de 700 todos os dias),
instalar e fazer a manutenção do equipamento de sinalização
e promover campanhas para a segurança e a educação
dos motoristas. Em dias de acontecimentos especiais, como shows
de rock e Fórmula 1, a empresa tem de cuidar do trânsito
nas imediações. "São eventos particulares,
mas a CET faz o serviço de graça", afirma Luiz Antônio
Queiroz, presidente do Sindviários, o sindicato dos trabalhadores
do sistema viário. "Em vez de promoverem demissões,
por que não tentam outras fontes de dinheiro?"
Para
tentar reverter a situação e injetar mais verbas na
CET, há um projeto de lei tramitando na Câmara de Vereadores
que prevê a criação de um fundo municipal de
desenvolvimento de trânsito. "Com ele, o dinheiro das multas
e de outras rendas, como a Zona Azul, não cairia nas mãos
da prefeitura", explica o vereador Paulo Frange, autor do projeto.
"Calculamos que arrecadaríamos anualmente mais de 600 milhões
de reais, que seriam destinados a melhorar o transporte, a ajudar
a construir metrô, a investir em radares e sinalização
inteligente..." A primeira votação do projeto ocorreu
em dezembro, e a segunda deve acontecer ainda neste mês. "Ninguém
agüenta mais tantos congestionamentos", diz Frange. "Investir
em melhorias no trânsito é fundamental para a qualidade
de vida do paulistano."
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251
milhões é
o orçamento previsto neste ano para a CET
38 milhões a menos que em 2002
179
milhões é o que a companhia deve
consumir só com salários e benefícios
dos empregados
6
400 multas são aplicadas por dia
na cidade
314
milhões é quanto foi arrecadado
com autuações no ano passado,
mas o dinheiro vai primeiro para os cofres da prefeitura
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