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11 de setembro de 2002
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IMÓVEIS

Vendedores de luxo

Construtoras convidam arquitetos badalados
para decorar apartamentos e atrair clientes

Valéria França


Mario Rodrigues
Bya Barros, na suíte projetada por ela no Villaggio Panamby: "Mostramos soluções para a classe média"

Depois de promover coquetéis, montar estandes milionários e organizar exposições artísticas no lançamento de prédios residenciais, algumas grandes construtoras estão apostando em uma nova estratégia de mercado. Elas recorrem aos serviços de decoradores badalados para dar um ar diferenciado a seus novos edifícios de alto padrão. Responsáveis pelo projeto de interiores de luxuosos endereços de São Paulo, Arthur de Mattos Casas, Esther Giobbi, João Armentano e Bya Barros, entre outros arquitetos, transformaram-se em uma espécie de garoto-propaganda de uma série de empreendimentos espalhados pela cidade. Além de decorar as áreas comuns dos edifícios, eles são contratados para propor soluções criativas para os apartamentos em exposição. Presença freqüente em colunas sociais e revistas de celebridades, o nome deles virou grife e, como tal, ajuda a alavancar as vendas. O retrato de cada um é agora colocado com destaque em folhetos promocionais e anúncios, ao lado da planta, da localização, da metragem e do preço do imóvel. "Fomos elevados à categoria de pop star", acredita Mattos Casas.


Anúncio de lançamento: míni-Casa Cor

No condomínio Villaggio Panamby, no Morumbi, um megaprojeto da Gafisa, com quinze edifícios de 25 andares cada um, os possíveis compradores passeiam por ambientes projetados por cinco decoradores. Como se fosse uma pequena Casa Cor, há placas na entrada com o nome do responsável pelo espaço. "O objetivo é transformar a visita ao estande em um programa divertido", diz Odair Senra, diretor de incorporações da Gafisa, a construtora campeã em lançamentos no ano passado. É claro que um apartamento bem decorado, com idéias criativas, torna o empreendimento mais atraente. Quando o espaço é reduzido, um projeto elaborado pode fazer toda a diferença. "Buscamos novas soluções de acabamento e iluminação para darmos uma sensação de amplitude", afirma Esther Giobbi. Ela foi convidada para decorar uma das menores unidades de um prédio que a Cyrela está construindo no Brooklin, com área de 124 metros quadrados e três dormitórios. "Temos de nos adequar à realidade do consumidor."

Com esse tipo de parceria, os arquitetos atraem mais clientes particulares. "Conseguimos trazer para o escritório muita gente de classe média, que normalmente não procuraria meus serviços", alegra-se Bya Barros, que cobra 12.000 reais para decorar um apartamento de 200 metros quadrados. Nesses casos, Bya dá preferência à praticidade. Procura usar materiais impermeáveis no chão, vidro nos armários da rouparia (para ter um controle maior do estoque de toalhas da casa) e prateleiras com alturas reguláveis nos quartos. Ainda sugere o tipo de louça e de roupa de cama que deve ser comprado. Graças ao status adquirido pelos decoradores, João Armentano estrelou campanhas para uma marca de tinta, de louças sanitárias e de uma loja de móveis. Assinou várias linhas de cerâmica e está desenvolvendo puxadores para uma serralheria. "Temos de tomar cuidado para vincular nosso nome apenas a coisas que são realmente boas", entende.


Mario Rodrigues
Renata Ursaia
Arthur de Mattos Casas: "Fomos elevados à categoria de pop star" Esther Giobbi: "Temos de nos adequar ao consumidor"

A forte disputa no mercado imobiliário ajuda a explicar a busca por estratégias arrojadas. Em 2001 houve um boom na construção de apartamentos com mais de 120 metros quadrados. Foram colocadas à venda 3.687 unidades, o dobro em relação a 2000. "Em sua maioria, trata-se de imóveis caros e mais difíceis de ser negociados", afirma Luiz Paulo Pompéia, diretor da Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio (Embraesp). Um apartamento de 213 metros quadrados no Villaggio Panamby, por exemplo, custa a partir de 417.000 reais. "O trânsito caótico e a falta de segurança fazem com que o paulistano valorize cada vez mais o espaço em que vive", analisa Mattos Casas. Segundo a gerente de marketing da Cyrela, Maristela Val, as construtoras percebecedil;o em que vive", analisa Mattos Casas. Segundo a gerente de marketing da Cyrela, Maristela Val, as construtoras perceberam que detalhes como uma grife na arquitetura funcionam como fator de desempate entre lançamentos concorrentes. "Por isso, preferimos apostar nas estrelas da decoração em vez de nas belas atrizes da TV", diz ela.

         
     
 
 
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