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11 de setembro de 2002
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EXPOSIÇÃO

Parece vivo

Museu de Zoologia inaugura mostra
com
bichos empalhados e esqueletos
pré-históricos

Valéria França


Mario Rodrigues
Cenário do cerrado: seriema, lobo-guará, tamanduá-bandeira e arara em meio a árvores baixas e retorcidas



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Galeria de fotos do Museu de Zoologia da USP

Uma boa notícia para os amantes de história natural. A partir deste sábado (7), o Museu de Zoologia da USP, que ficou fechado por três anos, reabre com a exposição A Biodiversidade sob o Olhar do Zoólogo. O visitante poderá ver mais de 1.000 animais empalhados, agrupados de forma didática, como se estivessem em seu ecossistema. Encontram-se lá o lobo-guará, o tamanduá-bandeira, a seriema, a arara, a suçuarana... Todos expostos em cenários que representam a caatinga, o cerrado, a Floresta Amazônica e o fundo do mar. Apesar de imóveis, os bichos parecem de verdade. Outra atração são os esqueletos pré-históricos, localizados próximo à entrada. Um bicho-preguiça gigante, com 3,40 metros de altura – semelhante àquele que foi descoberto no mês passado em um sítio paleontológico a 50 quilômetros de Belo Horizonte –, e um tigre-dentes-de-sabre, seu principal predador, estão colocados em posição de ataque. Ambos foram extintos há cerca de 10.000 anos. Os dois esqueletos tinham sido exibidos durante a Mostra do Redescobrimento – Brasil + 500, dois anos atrás.

Há outros destaques. A exposição reúne também fósseis de crustáceos, moluscos, peixes e anfíbios. Dentro de um armário envidraçado do início do século passado podem-se ver uma barata seca e um caranguejo, que representam a variedade dos invertebrados. "Procuramos mostrar todos os grupos de animais que temos no acervo", diz a diretora da divisão cultural do museu, Mirian David Marques. Com 6.500 metros quadrados, o Museu de Zoologia tem ao todo 8 milhões de peças, que vão desde cabeças de elefante até uma coleção de pulgas. Só de borboletas são mais de 40.000 tipos.


Fotos Mario Rodrigues
igues
O bicho-preguiça gigante e o tigre-dentes-de-sabre: extintos há 10.000 anos Caatinga: cada animal em seu ecossistema

Nos três anos em que permaneceu fechado, o imóvel passou por uma reforma que consumiu 1,2 milhão de reais. Projetado em 1939 por Christiano das Neves – responsável, entre outras obras, pela estação de trem Júlio Prestes –, é um dos poucos prédios da cidade construídos com a finalidade de abrigar um museu. Por isso, os vitrais da escada exibem desenhos de onça-pintada, zebra, flamingos, além de outros bichos. Enquanto durou a reforma, os animais empalhados receberam cuidados. Todos tomaram banho, alguns pela primeira vez. "Estavam tão encardidos que não podiam mais aparecer em público", lembra Mirian.

O Museu de Zoologia foi inaugurado em 1893. As primeiras peças de seu acervo foram doadas por uma comissão criada sete anos antes, com o objetivo de levantar as características do solo paulista. Liderados pelo engenheiro Teodoro Sampaio, os pesquisadores aproveitaram as expedições para coletar amostras da fauna e da flora da região. Ao longo do tempo, o museu recebeu doações e coleções particulares. Depois de passar por uma série de endereços, em 1939 foi transferido definitivamente para o Ipiranga, onde ficou conhecido como Museu dos Bichos.

 
A Biodiversidade sob o Olhar do Zoólogo. Museu de Zoologia da USP. Avenida Nazaré, 481, Ipiranga, 6165-8100. Terça a domingo, 10h às 17h. R$ 2,00. A partir de sábado (7).

         
     
 
 
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