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11 de maio de 2005
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CIDADE

Guerra aos pichadores

Prefeitura quer aplicar a lei e infratores podem até ir para a cadeia

Rodrigo Brancatelli

 
Fotos Mario Rodrigues
Imóveis pichados na Rua Cardeal Arcoverde: 50 000 reais por mês para deixá-los limpos


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Eles costumam se encontrar às 23h em frente à estátua de Borba Gato, na Avenida Santo Amaro. São jovens entre 16 e 20 anos, todos com latas de spray preto nas mãos. Autodenominados "Os Mala", Ricardo, Bruno, Rodrigo, Vinícius, Paulão e Pingüim, nomes pelos quais se identificam, passam pelo menos duas madrugadas por semana pichando muros e edifícios da cidade. Querem deixar sua marca em lugares cada vez mais altos e improváveis. Vinícius, o líder, gasta apenas cinco segundos para desenhar o nome do grupo em um muro. Mas nem precisaria ter tanta pressa, já que nunca foi interpelado por policiais, guardas metropolitanos nem fiscais da prefeitura. É um exemplo de como a impunidade transformou São Paulo em uma imundície. Os danos causados pela pichação são alarmantes. Nos 2.800 metros da Avenida Paulista, por exemplo, há mais de 210 inscrições e frases indecifráveis. A Rebouças tem outras 150. Só em 2004, a prefeitura gastou 1 milhão de reais para limpar uma parte da sujeira de viadutos, pontes e passarelas.

Agora, o governo municipal promete investir pesado na mudança desse cenário. Depois de anos de leniência, quer usar a lei para punir os infratores. Um projeto piloto será aplicado em catorze quarteirões da Rua Cardeal Arcoverde, em Pinheiros. A partir do dia 17, os 150 imóveis da área ganharão pintura nova. Se a pichação voltar, uma equipe da prefeitura será destacada para deixar o lugar em ordem. "Faremos isso até os pichadores cansarem", afirma o subprefeito de Pinheiros, Antonio Marsiglia Netto. A operação irá custar 50.000 reais por mês aos cofres públicos. É um dinheiro bem empregado. Policiais militares e guardas civis farão rondas para flagrar os pichadores e levá-los à delegacia. Os menores de idade serão liberados apenas com a presença de pais ou responsáveis, que terão de arcar com a limpeza do imóvel conspurcado. Os maiores de 18 anos podem ser processados por "destruir, inutilizar ou deteriorar coisa alheia". Se condenados, correm o risco de passar até seis meses atrás das grades.

O trecho experimental do programa fica entre a Avenida Doutor Arnaldo e a Rua Fradique Coutinho, mas a meta é incluir também as ruas transversais. "Dá-se cada vez menos importância aos pequenos delitos", diz o jurista Antônio Burti, vizinho da Cardeal Arcoverde. "Eu mesmo já pintei o muro da minha casa seis vezes. É preciso acabar com essa sensação de impunidade, como aconteceu em Nova York." A cidade americana serviu como exemplo para a prefeitura paulistana. Lá, a conhecida política de tolerância zero nos anos 90 reduziu significativamente os índices de criminalidade – e de sujeira. A dificuldade é transpor o modelo para toda São Paulo, com seus quase 21.000 quilômetros de muros e pouco mais de 5.000 policiais à noite. Mas já será um alento se, de uma vez por todas, a pichação for encarada como deve. Trata-se de um crime contra a cidade e contra todos os seus moradores.

 

A sujeira em números

10% dos 21 000 quilômetros de muros da cidade estão pichados, segundo a prefeitura

6 000 pichadores atuam em São Paulo

1 milhão de reais é quanto a prefeitura gastou em 2004 na limpeza de viadutos, pontes e passarelas

400 obras de arte espalhadas por ruas e praças estão pichadas. Recuperar um busto de bronze, por exemplo, custa 5 000 reais

8 bilhões de reais é a perda estimada do mercado imobiliário com a pichação. A desvalorização de um imóvel pichado é de 10%

     
   
 
 
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