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CIDADE Guerra
aos pichadores Prefeitura quer aplicar a lei e infratores
podem até ir para a cadeia Rodrigo Brancatelli Fotos
Mario Rodrigues
 | | Imóveis
pichados na Rua Cardeal Arcoverde: 50 000 reais por mês para deixá-los limpos
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Eles costumam se encontrar às 23h em frente
à estátua de Borba Gato, na Avenida Santo Amaro. São jovens
entre 16 e 20 anos, todos com latas de spray preto nas mãos. Autodenominados
"Os Mala", Ricardo, Bruno, Rodrigo, Vinícius, Paulão e Pingüim,
nomes pelos quais se identificam, passam pelo menos duas madrugadas por semana
pichando muros e edifícios da cidade. Querem deixar sua marca em lugares
cada vez mais altos e improváveis. Vinícius, o líder, gasta
apenas cinco segundos para desenhar o nome do grupo em um muro. Mas nem precisaria
ter tanta pressa, já que nunca foi interpelado por policiais, guardas metropolitanos
nem fiscais da prefeitura. É um exemplo de como a impunidade transformou
São Paulo em uma imundície. Os danos causados pela pichação
são alarmantes. Nos 2.800 metros da Avenida Paulista, por exemplo, há
mais de 210 inscrições e frases indecifráveis. A Rebouças
tem outras 150. Só em 2004, a prefeitura gastou 1 milhão de reais
para limpar uma parte da sujeira de viadutos, pontes e passarelas.
Agora, o governo municipal promete investir pesado na mudança desse cenário.
Depois de anos de leniência, quer usar a lei para punir os infratores. Um
projeto piloto será aplicado em catorze quarteirões da Rua Cardeal
Arcoverde, em Pinheiros. A partir do dia 17, os 150 imóveis da área
ganharão pintura nova. Se a pichação voltar, uma equipe da
prefeitura será destacada para deixar o lugar em ordem. "Faremos isso até
os pichadores cansarem", afirma o subprefeito de Pinheiros, Antonio Marsiglia
Netto. A operação irá custar 50.000 reais por mês aos
cofres públicos. É um dinheiro bem empregado. Policiais militares
e guardas civis farão rondas para flagrar os pichadores e levá-los
à delegacia. Os menores de idade serão liberados apenas com a presença
de pais ou responsáveis, que terão de arcar com a limpeza do imóvel
conspurcado. Os maiores de 18 anos podem ser processados por "destruir, inutilizar
ou deteriorar coisa alheia". Se condenados, correm o risco de passar até
seis meses atrás das grades. O trecho experimental
do programa fica entre a Avenida Doutor Arnaldo e a Rua Fradique Coutinho, mas
a meta é incluir também as ruas transversais. "Dá-se cada
vez menos importância aos pequenos delitos", diz o jurista Antônio
Burti, vizinho da Cardeal Arcoverde. "Eu mesmo já pintei o muro da minha
casa seis vezes. É preciso acabar com essa sensação de impunidade,
como aconteceu em Nova York." A cidade americana serviu como exemplo para a prefeitura
paulistana. Lá, a conhecida política de tolerância zero nos
anos 90 reduziu significativamente os índices de criminalidade e
de sujeira. A dificuldade é transpor o modelo para toda São Paulo,
com seus quase 21.000 quilômetros de muros e pouco mais de 5.000 policiais
à noite. Mas já será um alento se, de uma vez por todas,
a pichação for encarada como deve. Trata-se de um crime contra a
cidade e contra todos os seus moradores. A
sujeira em números • 10% dos 21 000
quilômetros de muros da cidade estão pichados, segundo a prefeitura
• 6 000 pichadores atuam em São Paulo
• 1 milhão de reais é quanto
a prefeitura gastou em 2004 na limpeza de viadutos, pontes e passarelas
• 400 obras de arte espalhadas por ruas e praças
estão pichadas. Recuperar um busto de bronze, por exemplo, custa 5 000
reais • 8 bilhões de reais é
a perda estimada do mercado imobiliário com a pichação. A
desvalorização de um imóvel pichado é de 10% |
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