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10 de agosto de 2005
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COMPORTAMENTO

A moda do chá

Cada vez mais paulistanos saboreiam a
bebida acompanhada de deliciosos quitutes

Nana Caetano


Fotos Daniela Toviansky
O chá da tarde do Leopolldina, na loja Daslu: música ao vivo


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Receitas de quitutes

Domingo, 3 da tarde. Ao lado da mulher e da sogra, o engenheiro Flávio Cremaschi já tomou nove xícaras de chá e experimentou todos os salgados e bolinhos da tradicional Fundação Maria Luisa e Oscar Americano, no Morumbi. Do outro lado da cidade, 24 horas depois, a tradutora Isabel Vidigal e mais três amigas se deleitam com croissants, pães de chocolate e quiches no descolado Anquier, em Higienópolis. A bebida? Mais chá. Na contramão da cultura da pressa, o hábito inglês da pausa vespertina para tomar algo quentinho acompanhado de quitutes vem encantando os paulistanos, sobretudo nesta época do ano. Desde o início de junho, pelo menos cinco novos chás da tarde foram inaugurados por aqui (veja quadro).

Um dos mais disputados é o do restaurante Leopolldina, no 1º andar da loja Daslu, na Vila Olímpia (sim, tudo continua funcionando normalmente). São servidas ali cinqüenta pessoas por dia, em média. Entre uma comprinha e outra, elas pagam 30 reais para degustar, ao som de piano e contrabaixo ao vivo, pães, frutas, chás exclusivos e tortinhas que vão dos sabores clássicos a exóticas combinações como cupuaçu com cassis. Algumas casas apostam no visual descolado e atraem um público moderno, como o Julia Café, da Casa do Saber, no Itaim Bibi, e a padaria chique do francês Olivier Anquier. Há ainda os chás oferecidos em belos jardins, caso da Fundação Maria Luisa e Oscar Americano e da Quinta do Museu, no Jardim Paulista.

Graças à procura maior, começam a surgir em São Paulo espécies de sommeliers das chaleiras. "Cada chá tem um tempo de infusão e uma maneira ideal de ser servido", explica a nutricionista Carla Saueressig, que abriu na cidade uma filial da marca alemã A Loja do Chá – Tee Gschwendner. "O chá é como o vinho", diz Patrícia Piva de Albuquerque, responsável por trazer a marca francesa Fauchon ao Empório Santa Maria. "Tem safra, harmonização..." O chef Alex Atala convidou a badalada sommelier de chás argentina Inés Berton para montar um cardápio próprio no seu restaurante de cozinha contemporânea D.O.M. "Vários restaurantes do mundo trabalham com uma carta de chás tão rica quanto a de cafés", afirma Atala, que serve a bebida acompanhada de docinhos em miniatura. Uma moda deliciosa. Só é preciso esquecer a balança, pelo menos por alguns instantes.

     
 


   
 
 
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