| |
| |  | |
COMPORTAMENTO A
moda do chá Cada vez mais paulistanos saboreiam
a bebida acompanhada de deliciosos quitutes Nana
Caetano
Fotos Daniela Toviansky  |
| O chá da tarde do Leopolldina, na loja Daslu: música
ao vivo |
Domingo, 3 da tarde. Ao lado da mulher
e da sogra, o engenheiro Flávio Cremaschi já tomou nove xícaras
de chá e experimentou todos os salgados e bolinhos da tradicional Fundação
Maria Luisa e Oscar Americano, no Morumbi. Do outro lado da cidade, 24 horas depois,
a tradutora Isabel Vidigal e mais três amigas se deleitam com croissants,
pães de chocolate e quiches no descolado Anquier, em Higienópolis.
A bebida? Mais chá. Na contramão da cultura da pressa, o hábito
inglês da pausa vespertina para tomar algo quentinho acompanhado de quitutes
vem encantando os paulistanos, sobretudo nesta época do ano. Desde o início
de junho, pelo menos cinco novos chás da tarde foram inaugurados por aqui
(veja quadro).
Um dos mais disputados é o do restaurante
Leopolldina, no 1º andar da loja Daslu, na Vila Olímpia (sim, tudo
continua funcionando normalmente). São servidas ali cinqüenta pessoas
por dia, em média. Entre uma comprinha e outra, elas pagam 30 reais para
degustar, ao som de piano e contrabaixo ao vivo, pães, frutas, chás
exclusivos e tortinhas que vão dos sabores clássicos a exóticas
combinações como cupuaçu com cassis. Algumas casas apostam
no visual descolado e atraem um público moderno, como o Julia Café,
da Casa do Saber, no Itaim Bibi, e a padaria chique do francês Olivier Anquier.
Há ainda os chás oferecidos em belos jardins, caso da Fundação
Maria Luisa e Oscar Americano e da Quinta do Museu, no Jardim Paulista.
Graças à procura maior, começam
a surgir em São Paulo espécies de sommeliers das chaleiras. "Cada
chá tem um tempo de infusão e uma maneira ideal de ser servido",
explica a nutricionista Carla Saueressig, que abriu na cidade uma filial da marca
alemã A Loja do Chá Tee Gschwendner. "O chá é
como o vinho", diz Patrícia Piva de Albuquerque, responsável por
trazer a marca francesa Fauchon ao Empório Santa Maria. "Tem safra, harmonização..."
O chef Alex Atala convidou a badalada sommelier de chás argentina Inés
Berton para montar um cardápio próprio no seu restaurante de cozinha
contemporânea D.O.M. "Vários restaurantes do mundo trabalham com
uma carta de chás tão rica quanto a de cafés", afirma Atala,
que serve a bebida acompanhada de docinhos em miniatura. Uma moda deliciosa. Só
é preciso esquecer a balança, pelo menos por alguns instantes.
|