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10 de julho de 2002
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IMÓVEIS

Vitrines de luxo

Construtoras investem alto em
estandes e
atraem até quem não
pensa em comprar nada

Marcos de Andrade Silva

 
Leo Feltran
Vintage, em Moema: estande com três andares custou 1,1 milhão de reais

Quando se dispõe a procurar um apartamento na planta ou em construção, o paulistano tem de amargar uma via-crúcis por estandes minúsculos e abafados. Lá dentro, encontra apenas corretores munidos de calculadoras, maquetes, quadros com as plantas baixas dos imóveis e, com sorte, um cafezinho na garrafa térmica. Mas algumas construtoras estão investindo alto para mudar esse, digamos, conceito. Criaram pontos-de-venda amplos, bonitos e, de certa maneira, divertidos. Alguns abrigam exposições, área de recreação para crianças e até restaurantes. Visitar esses locais se tornou, para muitos, um programa de fim de semana. "Cerca de 30% das nossas visitas são feitas por pessoas que não têm o mínimo interesse em adquirir um apartamento", conta Rogério Santos, diretor de marketing da Abyara, que lançou em maio o edifício Vintage, em Moema.

Leo Feltran
Exposição de Harley-Davidson: 30% dos visitantes estão só a passeio

No estande do Vintage, que tem três andares, há uma exposição de motos Harley-Davidson e ambientes com móveis que fizeram sucesso nas décadas de 50, 60 e 70. Uma vez por semana são oferecidos almoços temáticos gratuitos. Nada disso tem a ver com a construção de um edifício residencial, mas a idéia foi aproveitar a moda vintage, que valoriza roupas e objetos antigos. Ah, sim, na entrada há uma maquete, plantas e um apartamento-modelo decorado. Montar toda essa estrutura custou 1,1 milhão de reais. Em janeiro, quando está previsto o início das obras, irá tudo para o chão. "Foi a melhor idéia que poderíamos ter. Já vendemos mais da metade dos nossos oitenta apartamentos", comemora Santos.

Fotos divulgação
Villaggio Panamby: sala de João Armentano e cozinha de Patricia Anastassiadis

A construtora do Villaggio Panamby, no Morumbi, foi uma das pioneiras na idéia. Há quatro anos, seu estande virou uma espécie de opção de lazer da região. A casa transparente com maquetes mecânicas, inaugurada em setembro de 1998, consumiu 4 milhões de reais. Em outubro de 2001, a construtora investiu mais 1,2 milhão para reformulá-la. Nos fins de semana, garçons servem sucos e salgadinhos aos visitantes enquanto um pianista faz o som ambiente. Os cômodos dos apartamentos-modelo levam a assinatura de arquitetos famosos como João Armentano, Bya Barros e Patricia Anastassiadis. Mesmo com a vida útil em torno de seis meses, as empresas não economizam no material de acabamento usado nesses superestandes. No Lázuli, também no Morumbi, há gesso acartonado, piso de carpete de madeira, colunas de pedra miracema lascada e esquadrias metálicas. Dois minicoqueiros e uma pequena jabuticabeira completam a decoração.

"Custa caro, mas é uma verba bem gasta", garante Romeo Deon Busarello, diretor de marketing da Tecnisa Engenharia. A empresa investiu 1 milhão de reais no estande do Le Quartier Moema. "A compra de um imóvel pode levar até três horas. Se esse tempo não for preenchido num lugar agradável, corre-se o risco de perder o cliente." Como muitos interessados costumam levar a família inteira para escolher um novo apartamento, o espaço está preparado: tem playground e monitores especializados em distrair as crianças enquanto os pais decidem se vão ou não assinar o contrato.

         
     
 
 
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