|
MEU ESTILO
Vanessa da Mata
Cantora, 30 anos
José Flávio Júnior
Fernando Moraes
 |
|
|
Há dois meses, Ai, Ai, Ai, tema da personagem Rebeca
Cavalcanti (papel de Carolina Ferraz) na novela Belíssima,
está entre as canções mais tocadas nas rádios
paulistanas. A autora e intérprete do sucesso é uma
mato-grossense de Alto Garças, cidade de 8 000 habitantes,
que vive em São Paulo há treze anos. Com 1,80 metro
de altura e uma cabeleira que chama atenção, Vanessa
da Mata experimenta uma popularidade inédita.
Você estranhou São Paulo quando
chegou aqui?
Muito. Ao mesmo tempo em que eu queria tudo aquilo que via na
televisão, sentia falta do calor humano. Mas foi só
até achar minha turma.
Sentiu saudade das coisas de uma cidade
pequena?
Não. Não conseguiria mais viver numa cidade do
interior. Sempre tive necessidade de metrópole. Aqui, se
eu quiser um restaurante italiano que funcione de madrugada, tem.
E o atendimento é bom.
Qual é o seu estilo?
Não me sinto fashion, porque sou natural. Meu cabelo
é assim, não foi produzido. Não tenho luxos.
E não me sinto hippie, porque não sou relaxada. Sou
uma pessoa difícil de ser classificada.
Ainda joga capoeira?
Já joguei mais. Agora estou mais na bicicleta ergométrica
e na musculação. Mas vou voltar, porque amo. Toda
vez que vejo alguém jogando, fico numa fissura enorme para
entrar na roda.
Como foi sua experiência como modelo?
Muito rápida. E não curti. Sempre fui cantora.
Precisava daquilo por causa da adolescência, quando me sentia
estranha, feia. Gostava do título: "modelo". Nem cheguei
a ganhar grana. Não tinha talento nem vocação.
Diante de máquina fotográfica, sou péssima.
Mas aprendeu algo nessa época?
Com o tempo, saquei que me vestia muito mal. Recém-chegada
do interior, eu não tinha noção de nada. Depois
disso, fui descobrindo o que era a minha cara, o que ficava melhor
em mim.
E o que mais gosta de usar?
Estou adorando essa moda de usar vestidão. Compro até
para guardar. As estilistas Isabela Capeto e Nina Becker fazem vestidos
muito bonitos, femininos e acinturados. Este que estou usando comprei
na Galeria Ouro Fino (é da grife Bangalô).
Já fez chapinha?
Minha mãe fazia em mim. Ela alisou meu cabelo dos 12
aos 14 anos. Fui percebendo que aquilo era ridículo. Nunca
entendi direito por que queriam mudar uma coisa que era naturalmente
minha. Só para parecer com a menina da novela? Hoje vejo
muito mais gente nas ruas com cabelo encaracolado. Muitas meninas
vêm me dizer que servi de inspiração.
Em salas de teatro ou cinema esse cabelão
não atrapalha quem senta atrás de você?
Ah, mas aí eu prendo, né?
Você se considera vaidosa?
Não sou uma pessoa que passa mil cremes. Nem gosto muito
de ir às compras. Sou vaidosa com as canções
que escrevo.
Por que você canta descalça?
É como me sinto à vontade. E não sou só
eu. Tem a Maria Rita, Bethânia, Gal... A Clara Nunes cantava
assim. Há praticamente uma linhagem de cantoras descalças.
Mas só me liguei nisso depois. Quando cheguei a São
Paulo, achei que estava arrasando por cantar descalça (risos).
Aí, vi que todo mundo fazia a mesma coisa.
|