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5 de abril de 2006
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CIDADE

Conexão indiana

Apesar de pequena, a comunidade
hindu é, proporcionalmente, a que
mais cresce em São Paulo

Rodrigo Brancatelli

 
Daniela Toviansky
Heudes Régis
Daniela Toviansky
No sentido horário, a musicista Ratnabali, o restaurateur Chandra e o empresário Narvania: sucesso na capital


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As diferenças culturais são enormes. Falado por metade da população da Índia, o idioma hindi tem 48 símbolos apenas para representar as consoantes e nenhum artigo. No hinduísmo, a religião predominante, há uma profusão de divindades, representadas com dezenas de braços, com corpo humano e cabeça de elefante ou pintadas de azul. Isso sem falar no estilo de se vestir, na culinária e na música. Ainda assim, apesar dos contrastes que separam o Brasil da terra de Gandhi, cada vez mais a presença indiana pode ser notada na vida de São Paulo. Embora pequena, essa é a colônia que, proporcionalmente, mais cresce na capital, de acordo com um levantamento feito pela prefeitura no fim do ano passado. Quando começaram a chegar à cidade, na década de 40, os indianos não passavam de cinqüenta. Em 2003 eram 300, a maioria concentrada no bairro do Paraíso. Já na última contagem, eles pularam para 700 pessoas – sendo que algumas festas religiosas, como o Diwali ("festival das luzes"), entre outubro e novembro, reúnem mais de 1 500 indianos e descendentes.

"Tanto os paulistanos estão ficando mais acostumados com a cultura e os hábitos da Índia quanto os indianos estão percebendo os atrativos de São Paulo", afirma a musicista Ratnabali Adhikari, que toca tanpura (instrumento de cordas criado há 5.000 anos) e já gravou dois CDs, além de ter participado de doze coletâneas. Muitos imigrantes são empresários bem-sucedidos, como Mukesh Chandra, que veio para cá nos anos 70 e hoje é proprietário de quatro restaurantes. Ou Manish Narvania, que exportava tecidos para o Brasil e resolveu morar por aqui em 1999, depois de se casar com uma paulistana. "A língua é a única barreira", diz ele, que tem diversas grifes nacionais e estrangeiras como clientes. Outros indianos, principalmente os que vieram nos últimos dois anos, atuam nas áreas de pesquisa acadêmica, científica e espacial. "É uma troca saudável de conhecimento", destaca o administrador Abhishek Banerjee, que acabou de desembarcar para ser gerente de uma companhia farmacêutica. "A primeira impressão da cidade é que ela é bem mais organizada do que as metrópoles da Índia. Quem reclama do trânsito é porque não conhece Nova Délhi."

     
   
 
 
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