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CIDADE
Conexão indiana
Apesar de pequena, a comunidade
hindu é, proporcionalmente, a que
mais cresce em São Paulo
Rodrigo Brancatelli
Daniela Toviansky
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Heudes Régis
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Daniela Toviansky
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No sentido horário, a musicista
Ratnabali, o restaurateur Chandra e o empresário Narvania:
sucesso na capital |
As diferenças culturais são enormes.
Falado por metade da população da Índia, o
idioma hindi tem 48 símbolos apenas para representar as consoantes
e nenhum artigo. No hinduísmo, a religião predominante,
há uma profusão de divindades, representadas com dezenas
de braços, com corpo humano e cabeça de elefante ou
pintadas de azul. Isso sem falar no estilo de se vestir, na culinária
e na música. Ainda assim, apesar dos contrastes que separam
o Brasil da terra de Gandhi, cada vez mais a presença indiana
pode ser notada na vida de São Paulo. Embora pequena, essa
é a colônia que, proporcionalmente, mais cresce na
capital, de acordo com um levantamento feito pela prefeitura no
fim do ano passado. Quando começaram a chegar à cidade,
na década de 40, os indianos não passavam de cinqüenta.
Em 2003 eram 300, a maioria concentrada no bairro do Paraíso.
Já na última contagem, eles pularam para 700 pessoas
sendo que algumas festas religiosas, como o Diwali ("festival
das luzes"), entre outubro e novembro, reúnem mais de 1 500
indianos e descendentes.
"Tanto os paulistanos estão ficando
mais acostumados com a cultura e os hábitos da Índia
quanto os indianos estão percebendo os atrativos de São
Paulo", afirma a musicista Ratnabali Adhikari, que toca tanpura
(instrumento de cordas criado há 5.000 anos) e já
gravou dois CDs, além de ter participado de doze coletâneas.
Muitos imigrantes são empresários bem-sucedidos, como
Mukesh Chandra, que veio para cá nos anos 70 e hoje é
proprietário de quatro restaurantes. Ou Manish Narvania,
que exportava tecidos para o Brasil e resolveu morar por aqui em
1999, depois de se casar com uma paulistana. "A língua é
a única barreira", diz ele, que tem diversas grifes nacionais
e estrangeiras como clientes. Outros indianos, principalmente os
que vieram nos últimos dois anos, atuam nas áreas
de pesquisa acadêmica, científica e espacial. "É
uma troca saudável de conhecimento", destaca o administrador
Abhishek Banerjee, que acabou de desembarcar para ser gerente de
uma companhia farmacêutica. "A primeira impressão da
cidade é que ela é bem mais organizada do que as metrópoles
da Índia. Quem reclama do trânsito é porque
não conhece Nova Délhi."
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