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QUADRINHOS
Criança
não entra
Sesi
inaugura na Paulista gibiteca
dedicada
exclusivamente aos adultos
Ricardo
Moreno
Fotos Rogério Albuquerque
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| Sala
de leitura no prédio da Fiesp: mais de 3.000 revistas disponíveis
para consulta |
Comprar
os últimos lançamentos de gibis importados é,
muitas vezes, uma ingrata tarefa para os fãs do gênero.
Embora a cidade disponha de algumas lojas especializadas, os preços
de certos títulos não são nada animadores.
Uma compilação de histórias do Batman, do quadrinista
americano Bob Kane, por exemplo, custa 250 reais na Comix, no Jardim
Paulista. Boa notícia para os amantes dos quadrinhos. Eles
ganharam na última semana um novo espaço para ler
e reler álbuns e revistas sem colocar a mão no bolso.
A Gibiteca Sesi, inaugurada na pirâmide da Fiesp na Avenida
Paulista, reúne 3.153 títulos nacionais e importados,
todos dirigidos ao público adulto. Além de Kane, outros
nomes importantes podem ser encontrados ali. Há trabalhos
de Will Eisner, criador de Spirit; Alan Moore, da série Watchmen;
e Nico Rosso, o italiano radicado no Brasil que, no final da década
de 60, desenhou as primeiras histórias de Zé do Caixão.
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| O
cartunista Angeli: autor da logomarca |
As
raridades, porém, não são as principais vedetes.
Diferentemente da Gibiteca Municipal Henfil, que funciona no Centro
Cultural Vergueiro e dispõe de quase 100.000 HQs, a do Sesi
tem como prioridade oferecer o que há de melhor entre os
últimos lançamentos. "Nós nos preocupamos mais
com a qualidade e o ineditismo do que com a quantidade", afirma
o escritor Álvaro de Moya, consultor do Sesi e um dos maiores
pesquisadores de quadrinhos no Brasil. Não haverá
no acervo revistas infantis. "Quem vier atrás de Pato Donald,
Turma da Mônica e de outras historinhas vai se decepcionar",
diz ele. A meta do Sesi é reunir 6.000 exemplares de periódicos
adultos até o fim de 2003. "Pretendemos adquirir mensalmente
mais de 200 publicações do Brasil, dos Estados Unidos
e da Europa", promete Sílvio Anaz, coordenador do Centro
Cultural Fiesp.
Vários
dos principais quadrinistas nacionais da atualidade, como Lourenço
Mutarelli, Laerte, Adão Iturrusgarai e Angeli, estão
nas prateleiras. Angeli, aliás, é o autor da logomarca
oficial do espaço reproduzida ao lado do início
deste texto. Criador de personagens marcantes, como Bob Cuspe, Rê
Bordosa e Wood & Stock, o desenhista paulistano conta que na
adolescência foi um grande admirador das HQs. "Hoje em dia
não sou tão vidrado assim", diz. Segundo Ricardo Jorge
Freitas Rodrigues, gerente da Comix, são exatamente os adultos
os principais responsáveis por movimentar o mercado. Ao contrário
de Angeli, eles não esquecem a paixão da juventude.
"Cerca de 70% de nossa clientela tem mais de 20 anos", aponta. "Alguns
chegam a gastar até 2.000 reais em uma única visita."
Renato Chauí
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| Prateleiras
da Comix: clientes gastam até 2.000
reais |
Mauro
dos Prazeres, 46 anos, é um desses aficionados. Engenheiro
eletrônico por formação, ele trocou a solda
pelo nanquim há vinte anos. Montou a livraria e editora Devir,
uma das principais do segmento, e dedica-se em tempo integral aos
quadrinhos. "O universo das HQs é reconhecidamente adulto",
entende o francês Maurice Horn, autor de uma reputada obra
sobre o tema, a The World Encyclopedia of Comics. Presente
à inauguração da nova gibiteca, ele definiu
o que considera o papel dos quadrinhos para a formação
cultural do século XX: "Em anos de repressão política,
essa era uma das poucas formas de manifestação artística
possível".
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| Alguns
dos títulos à disposição na Gibiteca Sesi: raridades e lançamentos
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Gibiteca Sesi Centro Cultural Fiesp. Avenida
Paulista, 1313, 3284-3639,
Metrô Trianon-Masp.
Segunda a sexta, 9h às 21h; sábado, 9h às
17h. Grátis. |
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