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A boa
escola fica perto
Para 80%
dos pais, a localização
é o fator decisivo na hora da escolha
Angélica
Oliveira

Microônibus do Dante Alighieri:
colégio possui frota com 34 veículos |
Qual é
o colégio ideal? Quando se vêem diante dessa
questão, os pais tendem a pensar em uma escola de primeira
linha, com alta reputação, ótimos professores
e elevados índices de aprovação no vestibular
desde que fique perto de casa. Numa cidade como São
Paulo, com uma frota de 5 milhões de veículos
e mais de 100 quilômetros de congestionamento por dia,
o primeiro fator que as famílias levam em conta, na
hora de decidir onde os filhos irão estudar, é
justamente a localização. "Segundo nossos levantamentos,
quase 80% dos pais paulistanos pensam assim", conta Francisco
José de Toledo, diretor-geral do instituto de pesquisas
Toledo & Associados. "Eles sonham com a melhor escola,
mas acham essencial que ela esteja a uma distância motorizada
de casa de até quinze minutos."
Trata-se
de uma postura sensata. Os dez especialistas em educação
ouvidos por Veja São Paulo a respeito desse
tema concordam: o critério geográfico é
fundamental, sobretudo para crianças de até
10 anos. "Considero praticamente uma violência submeter
uma criança dessa idade a longos percursos", afirma
a psicoterapeuta Lídia Aratangy. "Ela chega à
escola estressada e pode mostrar alto grau de irritabilidade
durante a aula." A psicopedagoga Raquel Whitaker, do Centro
de Aprendizagem e Desenvolvimento (CAD), aponta outro problema
que afeta quem estuda longe: a falta de vínculo com
os colegas, que em sua maioria moram em bairros próximos
à escola. "O aluno, se residir em uma região
distante, pode sentir-se segregado", diz ela. "Toda vez que
houver uma festinha ou atividade extraclasse, vai ter a sensação
de que tem de 'atravessar o rio'. É ruim para ele e
dá mais trabalho aos pais."
Os pais
que optam por colocar os filhos em uma escola longínqua,
apesar de todas as desvantagens, devem prestar atenção
ao que é feito no trajeto. "Se são os próprios
pais que conduzem, eles podem aproveitar o tempo para conversar,
contar histórias, esclarecer dúvidas. Isso torna
a viagem mais agradável, e a criança não
se preocupa tanto com eventuais engarrafamentos", sugere Raquel.
Se a criança vai à escola em vans ou peruas
escolares, a atenção precisa ser redobrada.
"O ideal é que as escolas disponham de frota própria,
mas infelizmente muitas delas se desvinculam completamente
dos responsáveis pelos veículos que transportam
os alunos", diz a presidente da Associação de
Pais e Alunos do Estado de São Paulo (Apaesp), Hebe
Tolosa, ex-secretária municipal de Educação.
"É preciso avaliar se o veículo está
em boas condições, se o motorista tem habilitação
para isso, se ele pode ser localizado com rapidez e se há
um monitor que acompanhe a viagem", enumera Raquel Whitaker.
Os números
do transporte escolar em São Paulo impressionam: cerca
de 10 000 veículos transportam diariamente 300 000
crianças e adolescentes, segundo o Sindicato dos Transportadores
de Escolares. De acordo com a SPTrans, apenas 7 175 são
cadastrados ou seja, há quase 3 000 motoristas
operando na clandestinidade. Com uma demanda tão alta,
é natural que a quantidade de condutores ilegais em
circulação aumente todos os anos. Segundo Eduardo
Facchini, gerente-geral de Transportes Diferenciados da SPTrans
e encarregado de fiscalizar esse tipo de serviço, os
veículos que transportam estudantes devem estar equipados
com tacógrafo (uma espécie de controlador de
velocidade) e limitador (um dispositivo que só permite
a abertura de 10 centímetros da janela). "A ausência
do limitador provocou a morte de quatro crianças no
ano passado", afirma Facchini. Como os veículos eram
clandestinos, não haviam passado pela vistoria.
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FIQUE DE OLHO
Mesmo que nenhuma escola próxima se enquadre
no perfil que você procura para educar seu filho,
algumas precauções podem tornar a vida
dele mais fácil. Uma opção é
escolher um estabelecimento que tenha fácil acesso
perto de alguma estação de metrô,
por exemplo. Se você for levá-lo pessoalmente,
aproveite o tempo para botar a conversa em dia, esclarecer
dúvidas e até mesmo comentar a lição
de casa. Se a alternativa for o transporte escolar,
certifique-se de que o veículo é cadastrado
e vistoriado pela SPTrans (empresa que gerencia o transporte
no município).
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