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Vestibular
precoce
A
partir dos 3 anos, crianças
enfrentam maratona para
ingressar
na escola dos sonhos dos pais
Cecília
Negrão
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| Teste
de admissão no Santa Cruz: cada vaga na 1ª
série é disputada por quatro candidatos |
Apesar
de estarem perdendo alunos em 2001, o número
de matrículas caiu 5,3% em relação ao
ano passado , muitas escolas particulares ainda exigem
uma maratona de testes na hora da admissão. Trata-se
de verdadeiros vestibulares precoces. A disputa às
vezes é dura. Para o ingresso no Colégio Humboldt,
por exemplo, a média é de três candidatos
por vaga. Ali, meninos e meninas de 3 ou 4 anos são
submetidos a testes com desenhos e jogos. A idéia dessa
avaliação, segundo o vice-diretor, Herbert Zorn,
é analisar o grau de sociabilização,
maturidade e coordenação motora de cada criança.
As provas classificatórias no Colégio Santa
Cruz, um dos mais procurados da cidade, são outra pauleira.
No ano passado, as crianças, com a idade máxima
de 7 anos, enfrentaram provas em duas manhãs sucessivas.
Elas foram divididas em grupos de doze, com dois professores
por sala. Todas passaram por exercícios escritos, práticas
lúdicas, individuais e em grupo, e propostas de livre
criação. No final, foi analisada o que a escola
chama de "maturidade emocional e cognitiva" do jovem candidato.
"Acho preocupante. Nesses testes, os colégios escolhem
as crianças que consideram mais educáveis, com
o objetivo de, mais à frente, conseguir altos índices
de aprovação no vestibular", diz a psicoterapeuta
Lídia Aratangy. "Mas os critérios de avaliação
são muito pretensiosos, pois é difícil
medir todo o potencial de uma criança de 5 ou 6 anos."
Por mais que tudo seja apresentado como uma simples brincadeira,
psicólogos afirmam que a criança percebe que
está sendo analisada. Caso reprovada, sente que fracassou
e nota o desapontamento dos pais. "Ao fazerem uma seleção
tão rigorosa, as escolas estão assumindo sua
incapacidade de trabalhar com as diferenças", acredita
a psicopedagoga Nívea Fabrício. "Se a família
encarar a reprovação como uma derrota, pode
causar um trauma considerável à criança."
Os processos de seleção são ainda mais
freqüentes a partir da 5ª série do ensino
fundamental, o antigo primeiro ginasial. Em alguns casos,
o candidato passa por uma batelada de testes: entrevista pessoal,
análise do histórico escolar e o vestibulinho,
com provas normalmente de português, inglês e
matemática. No Colégio Bandeirantes, cujo ensino
começa justamente na 5ª série, o exame
de admissão é exigido para todos os candidatos.
O rigor na seleção no ano passado, 510
jovens se inscreveram para disputar as 300 vagas disponíveis
na 1ª série do ensino médio ajuda
a explicar o alto índice de aprovação
nas melhores faculdades atingido pela escola: 80%, de acordo
com o colégio. O coordenador pedagógico, Pedro
Fregoneze, admite que, se os candidatos não tiverem
condições, a escola acha preferível que
sobrem vagas. "Quem não teve boa formação
nas quatro primeiras séries não conseguirá
acompanhar o ensino de nosso colégio", justifica.
O número de candidatos tem diminuído bastante
nos últimos cinco anos em todas as escolas particulares.
"Os que dizem o contrário estão mentindo", afirma
o diretor do Bandeirantes, Mauro de Salles Aguiar. Para ele,
as causas envolvem tanto problemas financeiros dos pais como
a queda da taxa de natalidade na classe média. A história
se repete no Santa Cruz, onde uma parte das vagas é
reservada para irmãos de alunos e filhos de ex-alunos.
Em 1999, para 160 vagas na 1ª série, apresentaram-se
408 candidatos. No ano passado, eles se reduziram a 167. A
quantidade de vagas, em compensação, diminuiu
para 45. Em colégios como o São Domingos, em
Perdizes, o processo é mais ameno. A escola faz um
diagnóstico de todos os candidatos, mas só os
submete a uma seleção se não houver vagas
suficientes. "Do contrário, aceitamos a matrícula
dos alunos com deficiências de aprendizado e os encaminhamos
a aulas de reforço", conta a diretora, Rosely Maria
Salim.
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FIQUE DE OLHO
Nessa hora, o comportamento dos pais é muito
importante. Se a família encarar a reprovação
em um teste de admissão como um fracasso, a criança
pode ficar traumatizada. E não adianta dizer
que o teste é apenas uma brincadeira. A criança
percebe que está sendo testada e avaliada.
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