Escudo escolar

Procura por serviços de proteção
em colégios cresce 30% em um ano

Carolina Trevisan

 
Funcionários monitoram imagens no Dante Alighieri: 70 câmaras espalhadas no prédio da escola

O aumento nos índices de criminalidade em São Paulo provocou uma mudança e tanto no conceito de segurança nas escolas. Hoje, não basta contar com uma brigada de incêndio bem treinada, um departamento médico eficiente e um vigia na porta. É necessário um aparato muito maior para se prevenir também contra ocorrências como seqüestros, roubos e tráfico de drogas. "Antes, as escolas tinham apenas inspetores e porteiros. Agora, contratam empresas especializadas", compara José Augusto de Mattos Lourenço, presidente do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino no Estado de São Paulo. Segundo Celso Aniceto, diretor superintendente da Siemens Graber, uma das líderes no ramo, que atende 55 escolas, a procura por esse serviço aumentou 30% apenas no ano passado. Em alguns colégios, quase 10% do orçamento é destinado à segurança.

Um dos mais preocupados é o Dante Alighieri, que investiu na tecnologia para proteger seus 4 508 alunos. Até o final do ano, serão gastos 800 000 reais. O Dante possui setenta câmaras, 55 rádios intercomunicadores, doze vigilantes externos, seis vigias noturnos e 100 inspetores de alunos. No início de 2002 pretende implantar um sistema de catracas e cartões eletrônicos. Para completar o arsenal tecnológico, seus 34 ônibus escolares são rastreados por um sistema de ondas de rádio. "Procuramos manter mínimo qualquer risco de seqüestro ou roubo", diz Guglielmo Raul Falzoni, presidente da Sociedade Civil Colégio Dante Alighieri.

Outras escolas concentram esforços na qualificação dos funcionários. No Lourenço Castanho, o ponto mais importante na prevenção é a familiaridade dos funcionários com os alunos. "Aqui, a câmara é o meu próprio olho", afirma Sylvia Figueiredo Gouvêa, diretora do colégio. Seus treze auxiliares de ensino são orientados a manter um relacionamento muito próximo com os estudantes. "Não há melhor maneira de saber se quem vai buscar a criança é a pessoa responsável, se existe algum estranho dentro da escola e, principalmente, se um aluno está envolvido com drogas", diz Sylvia. Apesar de privilegiar o contato próximo entre funcionários e estudantes, o Lourenço Castanho mantém contratos com empresas especializadas.

"Nos colégios, não trabalhamos com repressão, mas com prevenção", diz o diretor comercial da Haganá, José Antonio Caetano, cuja carteira de clientes reúne vinte escolas. "O vigilante de escola precisa apresentar um perfil muito diferente daqueles que trabalham em bancos, por exemplo", explica Michel Nassirios, da Estrela Azul. "Ele deve ser treinado para saber como lidar com pais e crianças." Segundo Nassirios, para implementar um bom sistema de segurança, um estabelecimento médio – com cerca de 1000 alunos – desembolsa em torno de 30000 reais. Mas ele alerta que, para a escola ser considerada realmente segura, não basta a tecnologia: "O ideal é juntar equipamentos adequados, pessoal bem treinado, funcionários próximos aos alunos e uma linha direta de contato com a Polícia Militar".

 

FIQUE DE OLHO

Algumas perguntas simples podem ajudar os pais a saber se a escola é segura. Existe controle do acesso das pessoas que entram e saem do colégio? Os pais são avisados no mesmo dia em caso de falta? Há inspetores nos corredores e nos pátios durante o recreio? Há equipe de segurança externa? Colégios que respondem afirmativamente a essas questões podem não ser completamente seguros – isso não existe –, mas com certeza estão um degrau acima dos demais.

 

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